O sucesso do ator português Ricardo Pereira no Brasil

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Ricardo Pereira, ator português no Brasil.

O início da sua carreira aconteceu em Portugal, há 20 anos, quando ele estreou na peça “Real Caçada ao Sol”, de Peter Shaffer. Depois, fez alguns trabalhos para a TV portuguesa e logo foi atuar no Brasil, ao aceitar um convite da TV Globo para ser o protagonista da novela “Como uma Onda”. Desde então, Ricardo Pereira vem participando de diversas novelas e filmes no país e foi conquistando o público com o seu talento, a sua beleza e o seu jeito marcante de ser. Agora, o ator intercala trabalhos nos dois países, em outros lugares da Europa, em países hispânicos e também no Canadá.

Com apenas 40 anos, o ator é um dos mais requisitados da TV Globo e já atuou em folhetins consagrados da emissora, sempre com personagens fortes e contundentes. Um deles foi o Tolentino, de “Liberdade, Liberdade” que, segundo Ricardo, foi um marco na sua carreira. Recentemente, outro papel de sucesso interpretado por ele foi o polêmico Almeida, no remake da novela “Éramos Seis”.

O ator também foi o protagonista de “Mar Salgado”, uma novela coproduzida entre a emissora portuguesa SIC e a Globo, e premiada com a medalha de bronze no New York Festival Television & Film Awards, nos Estados Unidos, em 2016.

No cinema, Ricardo também vem deixando a sua marca, pois já atuou em grandes produções. Ainda este ano serão lançados mais três longas-metragens com a participação do ator. São eles: “De Perto Ela Não É Normal”, “Aos Nossos Filhos” e o português “Golpe de Sol”.

Na vida pessoal, Ricardo Pereira demonstra estar feliz e realizado. Apaixonado pelo Brasil, ele e a esposa, a marchand portuguesa Francisca Pinto – com quem o ator está casado há 10 anos – resolveram ter os três filhos no país, onde vivem em perfeita harmonia.

Leia a entrevista que o ator concedeu à Brazilian Wave Magazine.

Wave – Como surgiu a oportunidade de trabalhar no Brasil? Você enfrentou alguma dificuldade?

Ricardo Pereira – Eu trabalhei pela primeira vez no Brasil em 2004, quando fui protagonista da novela “Como Uma Onda” e fiz o Daniel Cascais. Foi um convite muito bacana e arrojado, porque foi a primeira vez que a Globo estava tendo um protagonista estrangeiro. A novela teve muito sucesso. Eu já era ator em Portugal, e no Brasil foi o início de uma jornada linda e espetacular, que já está completando 16 anos. Na verdade, eu fui super bem acolhido pelos meus colegas e por todos que trabalhavam comigo. E, ainda hoje, sou tratado com muito carinho. Eu também fui muito bem recebido pela população brasileira, e isso foi muito importante para eu fazer do Brasil a minha casa.

Wave – Você gosta de morar no Brasil? O que mais lhe agrada no país?

Ricardo Pereira – Eu amo morar no Brasil! Eu e a minha mulher somos portugueses, mas os nossos três filhos são brasileiros, então a gente se sente em casa e ama o país, a beleza que ele tem, a população e toda essa magia. É um país muito grande e diverso. Por mais que você continue visitando lugares diferentes, tem sempre algo novo para ver. Eu gosto muito dessa natureza, desse lado que parece sempre estar se renovando todos os dias. O Brasil é um lugar que me faz ficar mais novo, pois parece que os dias são maiores e que a gente aproveita mais a vida.


Wave – É mais fácil fazer sucesso em Portugal ou no Brasil? Quais são as diferenças?

Ricardo Pereira – Eu acho que essa questão não é tão simples e fácil, porque ter sucesso em qualquer profissão exige trabalho, dedicação e muito amor pelo que se faz. Eu acho que o fato do Brasil e Portugal serem irmãos abre um leque de oportunidades para as pessoas poderem experimentar a mesma profissão nos dois países, poderem evoluir, morar em territórios diferenciados, em dois continentes diferentes, terem experiências novas e crescerem – não só profissionalmente, mas humanamente. E isso é o que eu acho ser mais valioso ainda.

Wave – O assédio dos fãs lhe incomoda? Já ocorreu alguma situação em que algum fã passou dos limites?

Ricardo Pereira – Eu amo e venero esse carinho do público. Eu acho super importante o relacionamento com todos os fãs e com as pessoas que gostam do meu trabalho. Sem dúvida alguma, o artista trabalha para o público e, portanto, não vive sem ele. Eu gosto de ser reconhecido pelo meu trabalho, gosto que o público fale a respeito, pois isso é um estímulo. Inclusive, quando eu tenho um trabalho no ar, é muito bacana saber o que as pessoas estão achando, e isso pode até me fazer pensar como eu estou contando essa história e como posso contá-la daí para frente. Todos os meus contatos até hoje têm sido maravilhosos, pois eu adoro receber esse carinho e preciso dele e vivo para ele. Inclusive, eu sou um homem que vem do teatro, portanto, sempre estive muito acostumado ao carinho direto do público, à reação imediata dele. Então, é importante receber abraços, fazer fotos e saber o ponto de vista dos fãs. Eu quero sempre que o público fale comigo e manifeste o que está achando, tanto dos trabalhos que eu estou fazendo, quanto daqueles que eu já fiz.

Wave – Como você faz para conciliar os trabalhos em Portugal e no Brasil?

Ricardo Pereira – A minha agenda é bem complexa, pois ela não acontece somente entre Brasil e Portugal, mas também em países como: Espanha, França, Holanda, países do mercado hispânico e outros. Então, eu acho que o mundo globalizado permite essa gestão de carreira, e que no meu caso é muito organizada por todas as pessoas que trabalham comigo, os meus empresários. Portanto, eu viajo o mundo todo, vou a festivais de cinema e tenho tido convites para trabalhar em cada canto do planeta. E isso me deixa muito feliz, pois eu quero levar a arte ao maior número de lugares possíveis, e também aprender com as pessoas destes lugares. Inclusive, no Canadá, eu já fui apresentar filmes no Toronto International Film Festival. Então, é muito especial que eu tenha essa possibilidade de circular pelo mundo, fazendo o que eu amo, que é atuar.

Wave – Qual foi o papel mais difícil da sua carreira? E qual o personagem que você mais gostou de fazer e que lhe deu maior projeção?

Ricardo Pereira – Os últimos papéis que a gente faz acabam sempre sendo os mais difíceis. Eu acho que você tem que evoluir de personagem para personagem, porque daí você fica com mais conhecimento da sua atuação, com mais experiência por todos os anos de trabalho e com mais conhecimento de si. E isso é importante aos personagens que você está fazendo. Mas, entre tantos que foram marcantes, eu falo sobre o Tolentino, de “Liberdade, Liberdade”, uma série de época da TV Globo e de longa duração. Esse personagem era muito denso, exigente e viveu num período histórico do Brasil. Eu posso até falar que, talvez, ele foi um divisor de águas na minha carreira.

Wave – Quais são os seus próximos projetos?

Ricardo Pereira – Eu tenho um novo projeto para a TV e que iria começar agora em agosto. Porém, devido à situação que estamos passando no mundo, ele deverá ser adiado. Eu vou estrear três filmes, os brasileiros “De Perto Ela Não É Normal” e “Aos Nossos Filhos”, e o português “Golpe de Sol”. Ambos devem estrear ainda este ano. Eu também estou lendo textos de teatro, porque quero produzir uma peça. Eu gosto de voltar ao teatro de dois em dois anos, então eu estou montando esse projeto também. E ainda, eu tenho mais dois projetos de cinema já em pré-produção.