Leandro Hassum – Ator e comediante brasileiro conversa com a Wave

O ator brasileiro fala sobre o sucesso do filme “Tudo Bem No Natal Que Vem” no Canadá, sobre a experiência de morar nos Estados Unidos, sobre a sua saúde e muito mais...

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Foto divertida de Leandro Hassum, ator e comediante brasileiro, com uma pose divertida. A boca bem aberta, os olhos arregalados e as mãos agarrando uma bola imaginária dão movimento e transmitem alegria aos leitores.
Leandro Hassum.

O ator Leandro Hassum está muito contente com o sucesso que o filme estrelado por ele “Tudo Bem No Natal Que Vem”, e lançado no final de 2020 pela Netflix, está fazendo tanto no Canadá quanto em diversas partes do mundo.

O “Just Another Christmas”, nome que o longa-metragem tem no exterior, é a primeira obra brasileira da plataforma streaming com um tema natalino e um campeão de audiência em países como Brasil, Áustria, Suíça, Alemanha, Luxemburgo e Portugal.
O ator conta que tem outros projetos com a empresa e que o sucesso do primeiro longa foi um verdadeiro “golaço” que eles fizeram. Além disso, ele destaca que a Netflix vem apostando cada vez mais no audiovisual brasileiro e que considera isso como um grande acerto da plataforma. “Eu só tenho a agradecer à Netflix por fazer parte desse momento tão bacana e pelo respeito e valorização que essa empresa mega power está tendo pelas produções nacionais” – enfatiza.

Durante a entrevista, Hassum relembra a sua passagem pelo Canadá, conta sobre a vida nos Estados Unidos, fala sobre a cirurgia bariátrica que mudou a sua vida, relata o preconceito sofrido por estar acima do peso e também após ter emagrecido.


Brazilian Wave – O filme “Tudo Bem no Natal Que Vem” ganhou bastante destaque na Netflix do Canadá. Como foi filmar a mesma cena como se fosse em anos diferentes?

Leandro Hassum – Primeiramente, eu fico muito feliz de saber que um filme com um DNA tão brasileiro, como é o “Tudo Bem No Natal Que Vem”, conseguiu alcançar um público tão forte, em várias partes do mundo, inclusive no Canadá. A repetição das cenas é, na verdade, para quem está assistindo em casa. A motivação da gente como ator era sempre trazer algo novo para as cenas, teoricamente iguais, além de conseguir manter a interação e o interesse do público em rever aqueles momentos. E ainda, a mudança do estado de espírito do personagem do Jorge. Então, esse foi o grande desafio que eu tive no filme, e isso me trazia um grande estímulo para poder tentar achar ingredientes diferentes para cada cena.

Brazilian Wave – Quais os desafios para interpretar os diferentes momentos da vida do personagem Jorge?

Leandro Hassum – Eu acho que o desafio maior é o crescimento do Jorge, como ele vai entendendo que aquela data é importante e percebendo que até as coisas repetitivas fazem parte daquele universo familiar e daquele momento. E que isso é fundamental todos nós passarmos e que tudo faz falta em nossa vida. E como a gente tem que ter um olhar mais atento. Então, você vai percebendo ao longo do filme que o Jorge vai ficando mais atento aos detalhes. Um exemplo disso é o momento em que o tio Vitor chega com um peru. E na primeira vez o Jorge queima a mão, na segunda ele diz que esqueceu que iria queimar a mão e na terceira vez ele já está com as luvas para se proteger e não se queimar.

Brazilian Wave – Existem outros projetos com a Netflix?

Leandro Hassum – Existem outros projetos, graças a Deus. Nós fizemos um filme de grande sucesso, ou seja, um “golaço” com o “Tudo Bem No Natal Que Vem”. A Netflix, cada vez mais, tem apostado no audiovisual brasileiro. Eu acho um grande acerto da parte deles e um grande ganho para a indústria audiovisual brasileira. Eu só tenho a agradecer à Netflix por fazer parte desse momento tão bacana e pelo respeito e valorização que essa empresa mega power está tendo pelas produções nacionais.

Brazilian Wave – Graças ao streaming, o seu trabalho hoje alcança países e culturas diferentes. Como é para você ser visto internacionalmente e fazer sucesso em outros países?

Leandro Hassum – Sim, hoje em dia, graças ao streaming, a gente consegue levar o nosso trabalho a outros países. Não só os brasileiros. Por exemplo, os brasileiros hoje em dia têm acesso às produções norueguesas, alemãs, russas, a trabalhos que até outro dia a gente não parava para olhar. A não ser nós, que somos profissionais da área do entretenimento. Eu, por exemplo, que estudo a comédia, seja ela do Brasil ou de outro país, sempre tive curiosidade de entrar. Com a Internet, ficou muito mais fácil conhecer como as outras pessoas fazem o humor e as suas produções audiovisuais. Então, eu acho que isso está sendo muito bacana, de poder mostrar pessoas, atores, atrizes, diretores, que talvez estivessem vivendo só naquele seu micro universo, ali das suas histórias.

Brazilian Wave – Você se apresentou no Canadá em 2018. Teve algum momento marcante da sua passagem pelo país?

Leandro Hassum – Eu me apresentei no Canadá em 2018, em Vancouver, Toronto e Calgary. Um dos momentos mais marcantes aconteceu em Vancouver, no The Second City, que é uma casa de stand-up tradicional, onde se apresentaram Steve Carell e Jim Carrey, comediantes que são os meus ídolos. E também saber que nós temos brasileiros e comunidades brasileiras espalhadas pelo mundo todo, ávidos pelo nosso humor, pelo nosso tipo de fazer comédia.

Brazilian Wave – Você está vivendo há alguns anos nos Estados Unidos. Como está sendo a sua experiência no país?

Leandro Hassum – Eu vivo nos Estados Unidos há seis anos e está sendo uma experiência muito bacana. Eu sou um curioso de culturas. Eu digo para a minha mulher e para a minha filha que, se eu pudesse, a cada dois anos estaria morando em um país diferente, conhecendo uma cultura diferente. Eu estou adorando essa minha experiência aqui nos Estados Unidos. Obviamente que o Brasil é a minha pátria, eu sinto muita falta dele e esse momento difícil que estamos vivendo não nos permite estar mais facilmente por lá quando queremos. Isso me faz perceber a saudade que eu tenho do meu país. Desde jovem, eu tenho vontade de passar um período aqui, de conhecer, de dar uma oportunidade de estudo para a minha filha, de trabalho para a minha mulher também, de ser o Leandro Moreira aqui e deixar, um pouquinho, de ser o Leandro Hassum que todo mundo conhece. Aqui eu ainda consigo ter essa vida anônima que, às vezes, é gostosa também, né?

Brazilian Wave – Você fez uma cirurgia bariátrica em 2014 e perdeu aproximadamente 60 quilos. Ela foi um marco na sua vida?

Leandro Hassum – Sim, a minha cirurgia bariátrica foi feita em 2014 e foi um grande marco na minha vida em vários sentidos. Foi um desafio, tem sido um desafio e será sempre um desafio para mim, porque existem ainda alguns preconceitos com quem faz uma cirurgia bariátrica. As pessoas acham que é algo fácil, como se fosse fazer um gol de mão, mas na verdade elas não têm muita noção. Fora esse preconceito, existe outro, que está no fato de que o meu sucesso não aconteceu porque eu era um cara acima do peso. E tem essa questão de ter que ficar provando que eu sou capaz de fazer sucesso mesmo sem ser gordo. Eu mesmo fiz brincadeiras com o meu corpo durante muitos anos, mas acho que o mundo está, cada vez mais, começando a entender essa questão. Eu fico muito encantado, hoje em dia, quando vejo pessoas jovens, adolescentes que não acompanhavam o meu trabalho e talvez nem soubessem que eu já fui um comediante gordo, e que me admiram. Eu acho que, em 30 anos de carreira, eu posso mostrar que o meu talento não era só a minha barriga e sim toda a minha técnica e o meu estudo.

Brazilian Wave – Como você vê a gordofobia no Brasil? Você chegou a sofrer esse tipo de preconceito antes da cirurgia?

Leandro Hassum – Eu acho a gordofobia errada não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Eu acho que a gente está vivendo um momento do “somos todos iguais”. Eu faço parte de uma campanha chamada “Saúde Não Se Pesa” onde dizemos que o único padrão que importa é o da saúde. Eu sofri preconceito antes da cirurgia e sofro preconceito depois da cirurgia. Então, existe um preconceito para quem sofre com a obesidade, às vezes velado, às vezes quando você vira as costas e sai, ou mesmo pelas redes sociais com os ataques dos haters. A obesidade foi reconhecida desde 2013 como uma doença crônica, que não tem cura, mas existem tratamentos. Eu aconselho que as pessoas procurem um tratamento, não para elas ficarem com a barriga “tanquinho”, mas para que possam se tratar de uma doença.

Brazilian Wave – Quais são os seus projetos para 2021?

Leandro Hassum – Bom, o meu primeiro projeto para 2021 é cuidar da saúde. Eu quero ajudar as campanhas que tratam desse tema, ou seja, para que as pessoas se conscientizem sobre a importância da vacinação, por exemplo, seja nas comunidades brasileiras ou no Brasil. Existem algumas coisas para acontecer em 2021, como dois filmes, séries… Mas, eu estou nesse compasso de espera para ver quando poderei, com segurança, entrar em um estúdio, ouvir o barulho que eu mais amo que é o “ação!”, ou então, um terceiro sinal de teatro. Um abraço a toda comunidade brasileira no Canadá, o meu carinho e um até breve!