A Canibália de Daniela Mercury

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A diva baiana está chegando à Toronto, mas já conversou com a Wave!

Por Sacha Vaz e Cristiana Moretzsohn

Considerada a Carmen Miranda do século 21 e vencedora de diversos prêmios, entre eles, um Grammy Latino em 2006, a cantora e dançarina brasileira Daniela Mercury faz mais uma turne pela América do Norte, passando por Nova York, Cidade do México, São Diego, São Francisco, Miami, Los Angeles e Toronto.

No próximo dia 20 de outubro, Daniela se apresenta na Kool Haus Guvernment Nite Club. Em entrevista exclusiva à Wave, Daniela nos contou sobre seu mais novo trabalho, Canibália, que inclui samba, rock, reggae e samba-reggae. Ela promete fazer um grande espetáculo com sua banda, bailarinos e cenário completo!

 Você está rodando o mundo com o show Canibália, conte-nos um pouco desse seu último projeto artístico.
DM – Canibália é um projeto múltiplo, iniciado em 2009, quando lancei o show e o CD homônimos. Canibália é o meu Manifesto de Afetos. O álbum reúne muitas de minhas referências artísticas. Tenho influência do Tropicalismo, da Semana de Arte Moderna de 1922, do Clube da Esquina e de tantos outros movimentos culturais. No show “Canibália”, eu canto basicamente o repertório do CD, que inclui samba, rock, reggae, samba-reggae, e também canções emblemáticas da minha carreira como “O canto da Cidade”, “Ilê Pérola Negra” etc.

O cenário é especial. Abro o show com uma tela de Caribé, que é um artista maravilhoso, e durante o espetáculo tem uma tela de Portinari também… No espetáculo, priorizo a dança, que foi a primeira arte que me levou para os palcos. Pouco mais de um ano após o lançamento do projeto e com o show mais amadurecido, gravei o DVD “Canibália – Ritmos do Brasil” durante o réveillon de Copacabana deste ano. Foi um show lindo, com um público de mais de 2 milhões de pessoas.

Já apresentei “Canibália” em diversas cidades brasileiras e também em Portugal, França, África, América do Sul… Agora, faço uma turnê pelos Estados Unidos, México e Canadá. Ainda quero levar esse show para muitos países…

Esse será o seu terceiro show no Canadá, o que está preparando para os fãs brasileiros e portugueses?
DM – Nem sei mais quantas vezes estive no Canadá (risos)… Fora os meus shows, estive também na gravação do DVD do Cirque du Soleil quando eles comemoraram 20 anos. Foi uma experiência espetacular! Amo esse país! Para essa apresentação, estou preparando algumas surpresas. Estou levando toda a minha banda, meus bailarinos e cenário completo para que seja um espetáculo lindo de se ver, ouvir e dançar.

O DVD do show, “Canibália, ritmos do Brasil”, gravado ao vivo no maior Réveillon do mundo, em Copacabana, foi considerado um mega show; como foi a experiência?
DM – Todo o processo que envolveu a gravação do DVD “Canibália – Ritmos do Brasil” foi especial. Como sou muito inquieta, me envolvi profundamente em todas as etapas desde a pré produção. Além de ensaiar com os músicos, bailarinos e convidados, fiquei atenta à luz, ao figurino, cenário… Dei o meu melhor para que o espetáculo fosse inesquecível para o público e para mim. Foi um dos momentos mais especiais de minha carreira. Um show maravilhoso, à beira do mar, para mais de 2 milhões de pessoas..

Na música “Benção do Samba” você mistura diversos compositores como Ary Barroso, Vinicius de Moraes, Baden Powell e Dorival Caymmi; foi uma inovação no seu estilo?
DM- Ao longo de minha carreira, sempre misturei timbragens, estilos, ritmos… Sou uma artista eclética, aberta às novidades. Gosto de criar, experimentar fusões… Em 1999, levei, pela primeira vez, a música eletrônica para o Carnaval de Salvador, em 2010 misturei os músicos da minha banda com os músicos da Orquestra 2 de Julho, mais de 40 músicos, e foi um espetáculo lindo que emocionou os foliões. Em outros álbuns, misturei a batida do candomblé com a música eletrônica, mesclei reggae com rock, revisitei o samba e os clássicos da MPB…

No caso de “Benção do Samba”, misturei cariocas com um baiano (risos). Fiz um medley com grandes clássicos da música brasileira e do samba, “Na Baixo dos Sapateiros” com “Samba da Minha Terra” e “Samba da Benção”. Amo essas canções e canto esse medley no início do show, é a primeira música.

 Ainda muito jovem, quando iniciou sua carreira como cantora, você cantava músicas de Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque; MPB é seu estilo preferido?
DM – Comecei a cantar em bares de Salvador, interpretando canções de diversos artistas brasileiros. Minha influência musical é muito diversa. Quando criança, meu pai me acordava pela manhã ao som de música clássica e jazz. Também sempre ouvi Caetano, Gil, Gal, Bethânia, Dorival Caymmi, Carmen Miranda, Elis Regina, João Gilberto, Clube da Esquina e tantos outros artistas espetaculares que temos no Brasil…

Sou uma artista que veio da MPB, adoro a música percussiva feita na Bahia, mas também gosto de muitas outras coisas.

O que você tem escutado atualmente? Qual seu cantor ou cantora e/ou banda preferida?
DM – Sou naturalmente curiosa (risos). Gosto de ouvir um pouco de tudo e gosto de novidades. Agora, estou ouvindo Marina de La Riva, The Bird and the Bee, Jorge Drexler, Janelle Monae, Belle and Sebastian…

Você é considerada na mídia norte americana a Carmem Miranda do século 21, qual sua definição no momento atual?
DM – Carmen é uma referência para mim. Em 2009 foi celebrado o centenário dessa artista que é importantíssima para o Brasil e para o mundo e resolvi homenageá-la em “Canibália”. Gravei “Tico- Tico no Fubá” e “O que é que a baiana tem”. Nessa última, graças à tecnologia e à colaboração da família de Carmen, foi possível colocá-la cantando comigo.

Sou uma artista que gosta de criar, sou aberta, me interesso por muita coisa…

Mas, respondendo a sua pergunta, na verdade não me preocupo em me definir… Sou uma artista que gosta de criar, sou aberta, me interesso por muita coisa… A dança me levou para os palcos e me tornei uma cantora. Me envolvo na definição do cenário dos meus shows porque amo artes plásticas e cenografia; entendo de luz e participo da criação; decido, sempre, sobre os figurinos, o meu, da banda e dos bailarinos… Amo estar no palco e me interesso por tudo.

Como consegue tanto fôlego para dançar e cantar durante seus shows? Como se prepara fisicamente?
DM – Sou bailarina desde criança, então, essa consciência de corpo, de performance e boa alimentação faz parte de minha vida desde muito novinha. Sempre pratiquei exercícios físicos e procuro ter uma alimentação equilibrada, sem radicalismo. Preciso de energia e condicionamento para cumprir a minha rotina.

Você faz diversos trabalhos sociais, atuando como presidente do Instituto Sol da Liberdade, embaixadora do Unicef e da Fundação Ayrton Senna. Tem alguma história que te emocionou muito e te fez “ver” a vida por uma outra perspectiva?
DM – Minha mãe é assistente social e cresci vendo sua luta e seu interesse pelas questões sociais brasileiras. Então, tenho essa consciência desde criança. O fato de ser artista me ajudou a atuar mais diretamente em diversas questões. Hoje, tenho meu Instituto. – Instituto Sol da Liberdade – e viajo pelo Brasil com a Caravana da música, que é um projeto realizado por mim, ESPN e UNICEF. Há 16 anos, sou Embaixadora do Unicef e represento também o Instituto Ayrton Senna. Trabalho principalmente em campanhas de interesse público como um instrumento de divulgação de temáticas sociais.

Sempre me emociono! O Brasil ainda é um país com problemas sociais graves. Todas as vezes que visito alguma cidade, instituição, orfanatos e ouço os depoimentos de crianças e adolescentes sobre suas vidas, suas histórias de superação… É sempre uma grande lição de vida.

Você é filha de português e super popular em Portugal. A que atribui tanto sucesso naquele país? Portugal é sua segunda “casa”?
DM – A música brasileira é muito rica e plural e o público português, provavelmente por nossa história e pelo idioma, conhece muito da nossa diversidade. Eles compreendem e apreciam minha arte desde o início de minha carreira. Me sinto em casa todas as vezes que vou a Portugal. Amo aquele país!

Já teve oportunidade de fazer turismo no Canadá? Tem algum lugar preferido?
DM – Já fui ao Canadá algumas vezes e fiquei encantada com o país. É lindo! Dessa vez, irei a Toronto e acho que Montreal e quero passear mais pelas cidades…

O Carnaval 2012 coincide com a comemoração do centenário de Jorge Amado, o que os foliões podem esperar do próximo carnaval da Bahia?
DM – Já havia anunciado que faria uma homenagem ao centenário de nascimento de Jorge Amado no próximo carnaval, quando soube que o tema do carnaval da cidade também será esse grande mestre da literatura. Fiquei muito feliz! Será uma grande festa! Jorge merece todo nosso respeito e admiração. Sua obra contribuiu para que os cenários da Bahia fossem conhecidos por milhões de leitores do Brasil e do mundo. Sinto muito orgulho em ser sua conterrânea. Tenho atualizado e estudado a obra de Jorge para construir minhas apresentações no Carnaval. Já estou com muitas idéias, mas ainda não posso falar (risos).

Uma mensagem para seus fãs brasileiros e portugueses do Canadá.
DM – Gostaria muito que os brasileiros, portugueses, canadenses e todos os apaixonados pela arte e pela música brasileira estivessem comigo no show “Canibália”, que vou apresentar no Canadá. A música é uma linguagem universal e a arte nos une. Vamos cantar, dançar e nos divertir muito, reafirmando nossas afinidades. Espero vocês!