A primeira impressão

por Marta Almeida

A partir desta edição, vamos compartilhar aqui na Wave algumas experiências vividas por brasileiros no Canadá. Serão situações que relatam alguns percalços do dia a dia de um imigrante com os documentos ou não. A idéia é mostrar que muitas vezes vivemos situações parecidas, algumas divertidas, outras nem tanto, mas enfim será uma produtiva troca de experiências para nos ajudar na difícil adaptação a um novo país, nova cultura, nova língua… toda e qualquer sugestão será sempre bem-vinda! Claro, os nomes serão sempre fictícios, mas as histórias, garanto que são bem reais.
Hoje, nossa personagem é uma corajosa “turista” cheia de segundas intenções ao desembarcar em Toronto…
Do alto, não dava pra ver nada direito. Aos poucos os prédios ficam maiores e a aeromoça chega logo com uma papelada para preencher.
– Coloca aí quanto você está levando em dinheiro. Até o limite do cartão de crédito.
Obediente, Leona não teve dó. Colocou o limite de todos os cartões da família e todo o dinheiro economizado a vida toda. Declarou até os presentes que trazia para mãe, irmãs e sobrinhos.
No desembarque, o agente estranhou o montante e o tamanho da bagagem – Para que tanto dinheiro? Vai ficar quantos dias?
– Catorze! (Era o período exato entre ida e volta da passagem)
Nem adiantou sorrir… o agente de cara amarrada mandou para outra fila. A nova agente, com pinta de Celine Dion, olhou a papelada e a imensa bagagem – Quantos dias?
– Catorze! (O nariz torcido da bonitona é uma linguagem universal). Frio na barriga e sorriso amarelo.
Outro agente abre as malas. É uma pergunta atrás da outra… com inglês de cursinho duas vezes na semana, o suor começou a descer pela testa.
– Tem alguém te esperando que fale inglês?
– Yes!
Escoltada ao saguão, Leona olha desesperada para todos os lados e não localiza ninguém. Foram uns 10 minutos de agonia sob a pressão do agente da imigração.
– Hiiiiiii vão me deportar daqui a pouco – sussurrou nervosa até que viu com alívio o cunhado, já no Canadá há mais de 15 anos. Abraços e conversa nervosa…
– Estava onde homem?! – Minha filha, nem te conto, me deu uma dor de barriga…
– Acho que encrencaram com minha bagagem e a declaração do dinheiro que trouxe.
– No portuguese! – O agente não é nem um pouco simpático – Por que esta bagagem toda e tanto dinheiro para apenas 14 dias?
– Passeios planejados e presentes caros! Só de Bandejas de inox tem umas 10 – traduziu o cunhado.
– De inox ou de ouro? – o cara estava implacável – Mas o cunhado, na esperteza brasileira, habilmente conseguiu convencer o agente e como canadian citizen, se responsabilizou por tudo. Quase uma hora depois de desembarcar, Leona saiu do aeroporto com uma primeira lição: entrar no Canadá como turista com outras intenções não é nada fácil como parecia…

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