Opinião – Agruras abaixo da linha do Equador

Por Rogério Silva*

O Brasil pode se vangloriar de não ser vítima de tsunami e terrorismo. E só! O país subiu 3 posições no ranking mundial de corrupção, divulgado ao fim de 2014 pela organização Transparência Internacional e ocupa agora o 69º lugar no índice de Percepção da Corrupção.
Pesou muito a pauta de escândalos nacionais do ano passado, ecoada pela imprensa da Europa e dos Estados Unidos. O principal deles na maior empresa do país, a Petrobras. Donos e diretores de empreiteiras coniventes com o esquema bilionário de desvio de verbas da petrolífera amargam uma temporada atrás das grades, o que nos dá uma leve sensação de que as coisas estão mudando. Mas até agora nenhum político está preso.
A expressão do momento é a “delação premiada”, que puxa o novelo de lã e joga todo tipo de sujeira no ventilador. O primeiro a aderir foi o doleiro Alberto Youssef, operador responsável pelos pagamentos ilegais em espécie. Logo depois veio o ex-diretor de abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, imbuído do mesmo espírito. O instrumento da delação permite conceder benefícios a quem traz à tona a verdade. Nós, brasileiros e seres humanos mortais, passamos a tomar conhecimento de montantes que jamais imaginaríamos ser capazes de existir. O Mensalão, até então maior operação de corrupção conhecida no Brasil, com casos sentenciados, revelou subornos frequentes na ordem de 50 mil reais por parlamentar envolvido. O chamado “Petrolão” estima movimento financeiro criminoso que pode beirar a cifra dos 20 bilhões.
Como o Palácio do Planalto vivia até então como Alice, no País das Maravilhas, a gastança em 2014 correu solta a fim de assegurar a reeleição da presidente Dilma Rousseff e a permanência do PT no poder. Os planos deram certo até a página 9. A fatura chegou e a conta é salgada: PIB medíocre, volta da inflação, consumidor endividado e consequentemente inadimplente, recessão técnica declarada e falta de perspectivas de mudança de cenário.
Atribuem a Joaquim Levy, novo ministro da fazenda originário do mercado, a tarefa árdua de arrumar as finanças e retomar o rumo, como se fosse possível depender de uma pessoa só para isso. O povo espera engajamento e sabe que vai amargar a parte mais difícil, com subida de impostos e juros e maior contribuição ao Estado.
2015 não começou bem em terras tropicais, abaixo da Linha do Equador.

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(*) jornalista, administrador e professor universitário. Especialista em gestão executiva e empreendedora

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