Antônio Adolfo

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Uma história musical.

O talentoso compositor carioca, com mais de 400 músicas gravadas em sua brilhante carreira, acabou de lançar seu último CD “Chora, Baião”, uma mistura dos ritmos brasileiros do samba, choro e baião com o Jazz, revelando um albúm que é um deleite àqueles que cultuam a música brasileira em geral. Com composições próprias , de Chico Buarque e Guinga, o disco já subiu onze pontos na parada da Jazz Week (categoria World Music) desde seu lançamento, indo para o quarto lugar.

Wave conversou exclusivamente com Antonio Adolfo, que mora na Flórida desde 2007, aonde leciona na sua escola experimental de música brasileira, a Antonio Adolfo School Of Music. Uma entrevista que nos faz voltar à época de ouro da Bossa Nova e a querer descobrir e ouvir as inovações musicais que o grande músico e mestre nos conta.

Você acabou de lançar um novo CD, Chora, Baião, que reúne três dos gêneros musicais mais populares do Brasil, o samba, o choro e o baião. Como ficou essa mistura?
AA: Ficou excelente, como qualquer boa mistura brasileira. Nossa música é a mais rica do mundo e não poderia deixar de ser assim. Além dos estilos citados, tentei fazer uma ponte com o Jazz, que é um estilo onde se improvisa. E acho que esses estilos, bem como os compositores homenageados, devem ser mais difundidos entre os que praticam o Jazz e os que cultuam a música brasileira em geral.

O álbum foca em composições dos geniais Chico Buarque e Guinga, dois de seus contemporâneos cariocas. Conte-nos um pouco dessa escolha de repertório.
AA: Escolhi dois grandes compositores da música brasileira que, como falei, merecem ser mais divulgados entre os músicos e público que cultiva e cultua a música brasileira onde a improvisação desempenha papel muito importante. Foi difícil a escolha do repertório, pois tanto Guinga quanto Chico têm um repertório muito grande e variado. Parti do princípio do equilíbrio entre suas lindas canções e o que poderia ter arranjos musicais que se enquadrassem bem nessa minha idéia de fazer uma ponte entre o trabalho deles e o Jazz. Sempre gosto de dar ênfase à melodia, mesmo nos improvisos. E realmente improvisar melodicamente sobre melodias e harmonias sofisticadas é um desafio.

Como assim, improvisar?
AA: Para quem é músico, dá pra saber que improvisar sobre as harmonias desses geniais compositores brasileiros é como entrar em um terreno “perigoso”, pois há “armadilhas” musicais, que fogem dos clichês com os quais se habituou a música brasileira, desde a Bossa Nova, com sua influência advinda do Jazz.

E suas composições, trazem inovações musicais?
AA: Minhas composições incluídas no disco serviram para ajudar a fazer essa ponte. Uma delas, Chorosa Blues, foi composta depois de já ter escolhido o repertório e elaborado os arranjos do disco. É totalmente inspirada nas músicas que gravei dos dois autores. Chicote, que já havia composto e gravado no LP feito em casa, foi adaptada com novo arranjo para o disco e apresenta afinidades com certas músicas de Guinga.

E a música Chora, Baião?
AA: Chora Baião, que é também título do disco, eu havia composto há dois anos e estava na “fila de espera” pra entrar no disco. Acho que teve sua vez e a sua grande chance nesse trabalho, seja pelo fraseado ou harmonia, que misturam elementos do Choro e, principalmente do Baião.

Sua filha, a vocalista Carol Saboya, participa do CD?
AA: Sim, ela participa cantando a linda Você, Você, única parceria dos dois (musica de Guinga, letra de Chico) e também faz vocalizes em A Ostra e o Vento, bela canção de Chico. Acho que a participação dela deu um toque especial ao disco. Além da interpretação, quebra de maneira delicada o clima predominantemente instrumental do disco. Sempre gosto de misturar instrumental com música cantada.

Sua brilhante trajetória começou no lendário Beco da Garrafas. Conte-nos um pouco daquela época de ouro da Bossa Nova.
AA: Foi uma época riquíssima na música brasileira. Pode-se até dizer que serviu de escola para muitos. E aí posso incluir-me. Comecei no Beco das Garrafas, em Copacabana, anos 60, e isso é um privilégio. Tinha vindo de uma temporada com Carlos Lyra, no musical Pobre Menina Rica (parceria de Lyra com Vinícius) e “encarei” Leni Andrade e Raul de Souza no Beco. Pra mim (e pra muitos) aquilo era um privilégio. Era uma verdadeira festa. Muitos músicos “da pesada” ficavam ali, reunidos ou tocando. Por ali passaram grandes músicos, nasceram grandes artistas e shows. Enfim, foi uma época de ouro.

Sua mãe era violinista e desde muito jovem você iniciou sua carreira musical. Como é ver isso perpetuado em suas filhas?
AA: Nunca pensei muito nisso, mas é maravilhoso. Pra mim, a música é das coisas mais importante na vida e ver ela vinda de minha mão, passando pra mim e eu passando pra minhas filhas, Carol e Luisa) é demais. Luisa, apesar de não se apresentar, já gravou comigo e leciona canto, na escola que temos no Rio (Centro Musical Antonio Adolfo) e Carol já tem uma certa experiência como cantora profissional. Para mim, uma grande intérprete.

Você criou há 26 anos o conceituado Centro Musical Antonio Adolfo, no Leblon, Rio de Janeiro e conta com centenas de alunos de diferentes faixas etárias. Qual a importância da música na vida de uma criança e adolescente?
AA: Cada vez mais comprova-se que a música só traz benefícios, seja para os que querem te-la como profissão, seja para os que a usam como forma de educação. A música me ajudou muito. Ajudou-me, inclusive, a enfrentar problemas. Tenho certeza que faz bem a muita gente.

Algum projeto futuro?
AA: Estou com uma escola experimental de musica brasileira na Florida, EUA. Pretendo excursionar no próximo ano (Brasil e Exterior) e gravar mais discos … e dar muitas aulas, e estar com a música do meu lado, cada vez mais.

Seu novo CD já está no mercado internacional?
AA: Sim, está em vários países. Nos Estados Unidos e Canadá, está na parada do World Music do site Jazz Week, o mais respeitado site que trata de execução em estações de rádio. O disco está a venda através de meu distribuidor internacional: www.cdbaby.com. Pode ser facilmente encontrado nos principais site de venda e download na Internet (Amazon, ITunes, EMusic, Rhapsody, Napster, etc, etc. No Brasil, está sendo distribuído pelo www.saladesom.com.br

Um recado para o brasileiro que vive no Canadá.
AA: Vou mandar alguns recados: Muita música pra enfrentar o frio!!! (brincadeira….). Espero vê-los em breve. Aproveitem esse país maravilhoso!!! ….Aliás, adoro Quebec City. Conheci também Montreal.

1 COMENTÁRIO

  1. Segue mensagem de Antonio Adolfo:
    “Meu CD, Chora Baião, além de ter ficado por várias semanas entre os 10 mais no World Music da Revista Jazz Week, acaba de receber tres indicacoes: Melhor Disco de Brazilian Jazz de 2011, melhor pianista e melhor Projeto Gráfico (capa Bruno Liberati, Felipe Taborda e Lygia Santiago) em um dos mais importantes sites de Latin Jazz, o Latin Jazz Corner. Ter sido selecionado, já é uma vitória, não só pelos nomes que também foram selecionados, como pelo site em si.
    Ficaria muito feliz com o seu voto. É muitos simples: basta entrar e votar nos discos e músicos que mais gostar. E, ainda, podem sugerir nomes em catogorias que já estão lá. Aqui vai o endereço para votar: http://www.chipboaz.com/blog/best-of-2011/
    Conto com o seu apoio.
    Antonio Adolfo”

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