Cansei de Ser Sexy

0
13

Grupo canta em inglês e conquista mercado internacional. O som sexy de São Paulo!  Seis amigos brasileiros se juntaram com o compromisso exclusivo de se divertirem e o resultado foi um sucesso internacional jamais visto no mundo da música pop brasileira.

Por Roberta Wiseman

Em uma época em que as novas bandas parecem não ser mais que meros produtos de marketing e em que elas surgem aos montes apenas com a intenção explícita de fazer dinheiro, um grupo brasileiro prova que o espírito irreverente, criativo e independente do movimento punk ainda pode ser encontrado na música pop. O CSS – que é sigla para a sentença-título “Cansei de Ser Sexy” — é composto por cinco meninas e um rapaz que se reuniram pura e simplesmente pelo prazer de fazer música.

O CSS canta só em inglês. E, em termos musicais, eles soam como uma mistura de grunge com o rock independente britânico, com uma saravaida de referências da cultura popular contemporânea pipocando aqui e ali (o nome da banda, por exemplo, vem de uma frase que teria sido dita pela cantora Beyoncé). Além disso, eles trabalham com melodias animadas e pegajosas que, aliás, parecem vir da confessa paixão do grupo por velhos hits pop de qualidade duvidosa.

Já em termos de história, a turma se reuniu em 2003, quando Iracema Trevisan, agora baixista do CSS, decidiu deixar a banda em que tocava porque andava cansada daquele esforço que seus companheiros faziam para serem “músicos sérios”. Iracema – ou simplesmente, Ira – queria apenas curtir sem maiores pressões. Por isso, abandonou o antigo grupo e reuniu cinco amigos para que, juntos, eles caíssem na gandaia e fizessem música.

Foi assim que Adriano Cintra virou baterista, e também vocalista e compositor. Ana Rezende passou a tocar teclado, guitarra e gaita. Luiza Sá começou a se dividir entre guitarra e teclado, enquanto Carolina Parra enveredou pelos vocais, bateria e também guitarra. Ah, e, por último, temos Lovefoxxx, que não só é a cantora oficial como também manda ver na composição do repertório do sexteto.

http://youtu.be/IYGrSWeidpU

Os seis amigos e estudantes da USP se conheciam do mundinho artístico alternativo de São Paulo, onde eram mais famosos pelo pique da farra do que pelo empenho em construir uma carreira sólida. Aliás, só mesmo Ira e Adriano têm formação musical. O rapaz, inclusive, tocava antes era guitarra, mas dentro do espírito antiprofissional do grupo, ele não pensou duas vezes e foi se virar na bateria. E há quem aposte que esta falta de conhecimento musical tenha, na verdade, contribuído na criação do som do CSS, que é mesmo inovador e único.

Do antiprofissional para o internacional

No comecinho da vida do grupo, a falta de profissionalismo significava que havia menos pressão no sentido de ser uma grande banda. Assim, os seis amigos puderam relaxar e aproveitar bastante. E para se ter uma idéia de como eram as coisas, basta saber que os primeiros “shows” do CSS eram compostos de uma única música, de um minuto de duração, e que era tocada duas vezes. Fora isso, eles também tinham uma noite só deles em um clube paulistano, onde escolhiam a dedo as piores e mais tolas músicas que eles conheciam para, assim, entreter a platéia crescente.

Pois parece que esse pique divertido e quase irresponsável deles era mesmo contagioso, e por isso não demorou muito e eles foram convidados a tocar para mais de 5.000 pessoas no mesmo palco que o consagrado grupo alemão Kraftwerk, durante o Festival TIM. A experiência mudou a postura deles. O grupo decidiu levar o negócio todo mais a sério, aprimorar o domínio dos instrumentos e também a qualidade das composições.

Mas a popularidade do CSS deve-se mesmo é à Internet, com o blog e a página deles no MySpace fazendo a ponte entre o som da banda e os fãs. No começo, o nome da banda se espalhou com o download em peso das músicas deles rolando direto e reto no website da Trama Virtual. Mas chegou uma hora em que a imprensa mais tradicional começou a prestar atenção a esses seis brasileiros. O respeitado jornal londrino The Guardian, por exemplo, publicou matéria assinada por Peter Culshaw que, depois de vê-los em ação, disse que o CSS “pode ser a maior banda de todos os tempos já surgida na América do Sul”.

Em 2005, o CSS finalmente assinou contrato com a gravadora brasileira Trama Virtual e lançou seu primeiro álbum, que incluía um CD extra em branco para que as pessoas pudessem pirateá-lo à vontade. No ano seguinte, eles deram um passo ainda maior: assinaram com a gravadora Sub Pop (a mesma do Nirvana), e assim chegaram de uma vez por todas ao mercado internacional. Já neste ano de 2007, o CSS fez turnê pelos EUA e Canadá, depois seguiu para a Europa, onde participou, dentre outras coisas, do famoso Festival de Glastonbury na Inglaterra, tocando para milhares de fãs, e com direito à transmissão pela TV.

Uma pitada de Canadá

Uma importante característica do CSS é seu amor e ligação à cultura pop. No Brasil, eles entraram na trilha sonora de Big Brother, assim como na versão sul-americana de The Simple Life (com a música “Meeting Paris Hilton”). Eles também estão presentes na versão britânica de Beth, a Feia. Já o single internacional da banda, “Let’s Make Love and Listen to Death From Above”, faz referência à já extinta banda canadense Death From Above 1979. O grupo era o predileto da cantora Lovefoxxx que, aliás, escreveu essa música na esperança de que os canadenses pesquisassem o nome deles no Google e, assim, descobrissem a existência do CSS. Esta música ficou em sexto lugar entre as melhores músicas de 2006 segundo um ranking da importante revista britânica de música, a NME.

Para ouvir o som do CSS: myspace.com/canseidesersexy