Cibelle

35

O despertar de uma radiante alma elétrica.

A paulistana Cibelle agrada platéias no mundo todo com sua poderosa mistura de instrumentos musicais e sons do cotidiano.

Por Roberta Wiseman

Versão em Português por Paula Mazulquim

Em plena ascensão, a estrela brasileira Cibelle está dando o que falar com seu já característico estilo musical. A paulistana de 30 anos, radicada em Londres desde 2003, adiciona um toque extra de bossa a todo o experimentalismo de Bjork e reforça seus próprios poemas com a beleza sonora do “pop” e da música eletrônica que ganham forma por meio dos mais diversos tipos de instrumentos.

Quando harpas, violões e sua própria voz suave não são suficientes, ela não se intimida em abrir mão de utensílios mais ecléticos para tirar o som como: colheres, xícaras, cubos de açúcar, isqueiros e chaves de carro. Durante uma recente apresentação em Londres, Cibelle convidou a platéia a juntar-se a ela chacoalhando bijuterias e moedas. Tudo para criar uma impressionante composição de brilho com um som delicado, quase celestial.

O senso musical apurado da jovem estrela “pop” veio à tona quando a mesma tinha apenas 5 anos de idade. A pequena se impressionou quando, acompanhada de sua mãe no meio do caminho para a escola, ouviu belos sons que vinham de um conservatório musical. Não demorou muito para que ela começasse a estudar violão. Seu incansável gosto pelo novo a inspirou a aprender piano, percussão e canto antes mesmo de perceber que a rígida rotina de um conservatório musical não era apropriada para ela.

Embora Cibelle tenha treinado vôlei e feito teatro durante a adolescência constantemente se via envolvida com música. Sua carreira teve início em “jam sessions” na efervescente cena musical de São Paulo. Em um destes encontros Cibelle conheceu o DJ Suba. Expatriado da Sérvia, DJ Suba foi quem primeiro reconheceu o talento musical de Cibelle. Ambos trabalharam juntos no álbum “São Paulo Confessions”, lançado em 2000.

Suba morreu tragicamente em um incêndio antes que ele pudesse produzir o álbum de Cibelle. Esta perdera não somente um amigo, mas também um mestre. Entretanto, a perda acontecera pouco antes do momento que ela mesma já estava pronta para produzir seu próprio álbum. Felizmente ela o fez. Cibelle apareceu, em 2003, no Álbum “Natural” de Celso Fonseca e, no mesmo ano, lançou seu próprio álbum “Cibelle” pelo selo Six Degrees/Ziriguiboom. O EP “About a Girl” veio logo depois e, em 2006, veio o segundo álbum “The Shine of Dried Electric Leaves”.

Cibelle aprecia a colaboração quando faz música. Ela divide sua casa – em Dalston, no leste de Londres – com um grupo de artistas plásticos e músicos que não raro são vistos subindo ao palco com Cibelle. Seu mais recente trabalho traz duetos com Seu Jorge, Spleen and Devendra Banhart.

Carregado de um senso de humor despretensioso, o vídeo para “London, London” traz Devendra Banhart e Cibelle usando vestido ao estilo Vitoriano e dançando em torno do famoso mercado Ridley Road que fica próximo à residência de Cibelle. O álbum também traz um belo cover de “Green Grass” de Tom Waits, além de músicas de própria autoria em Inglês e em Português.

O que vem por aí para Cibelle? O futuro é cheio de possibilidades.

Seus CDs “Cibelle”, “About a Girl” e “The Shine of Dried Electric Leaves” estão em todas as boas lojas do ramo no Canadá. Para saber mais sobre Cibelle, acesse sua página no MySpace.