Toronto – Brasil no HotDocs: uma lição de história

Por Arthur Vianna

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Petra Costa na apresentação do “The Edge of Democracy” pelo HotDocs 2019

Pelo segundo ano consecutivo, a história recente do Brasil ocupa as telas do maior festival de documentário das Américas, o Canadian International Documentary Festival. De 25 de abril a 6 de maio, mais de 200 documentários de diversos países disputam a preferência de milhares de espectadores.

Como em 2018, o Brasil participa do festival com 3 filmes. Entre eles, o destaque do público e da crítica especializada vai para o documentário “The Edge of Democracy”, da jovem e competente cineasta brasileira, e mineira de Belo Horizonte, Petra Costa.

Se no ano passado, o documentário “O Processo”, de Maria Augusta Ramos, revelou os bastidores do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o longa dirigido por Petra Costa avança e trata também da prisão do presidente Lula e da eleição do Bolsonaro.

Para a cineasta, o “The Edge of Democracy” é uma jornada pessoal na política enquanto eu via o meu país, o Brasil, cair em desordem, assim como muitas outras democracias ao redor o mundo.

Com apenas 35 anos, Petra Costa garantiu a presença de seus filmes nos principais festivais do mundo e seus dois últimos filmes, “Elena” e “O Olmo e a Gaivota”, foram premiados em diversas ocasiões.

Para realizar o “The Edge of Democracy”, Petra Costa conseguiu financiamento no exterior, recebendo o apoio do Tribeca Film Institute e do Sundance Festival, além de conquistar a distribuição de seu filme pela Netflix Originals.

Segundo o antropólogo Lévi-Strauss, o historiador deve manter um olhar distanciado ao descrever um acontecimento. Mas o filme de Petra Costa consegue oferecer uma foto, nítida e atual, capaz de ajudar as pessoas a entenderem o que está acontecendo com o nosso país.