Superprodução Escrava Mãe estreia na Record TV Americas

102
No ar desde o dia 3 de setembro, a novela conta com o ator português Pedro Carvalho como protagonista. A novela é exibida de segunda a sexta, às 7pm.

Algumas histórias são tão marcantes que atravessam gerações. É o caso de ‘A Escrava Isaura’, uma obra de Bernardo Guimarães. A vida da escrava de pele clara que foi perseguida pelo obcecado senhor Leôncio tornou-se numa das tramas brasileiras mais conhecidas de sempre. Mas todas as histórias têm um princípio. E nada teria acontecido sem as personagens e enredo de ‘Escrava Mãe’, uma novela de Gustavo Reiz, inspirada no clássico literário.

A história começa em 1789, em Angola, principal mercado abastecedor de escravos para as plantações brasileiras de cana-de-açúcar. É de lá que são trazidos num navio negreiro os africanos Kamau (Marcelo Batista) e Luena (Nayara Justino). Quando chegam ao Brasil, eles conseguem fugir e recomeçam a vida em liberdade.

Quando uma nova vida se anuncia, Luena fica frustrada ao notar a pele mais clara da filha: aquela criança é fruto da violência que sofreu durante a travessia do oceano. E os mesmos homens que invadiram a tribo em África, comandados pelo vilão Osório (Jayme Periard), regressam para buscar a ‘mercadoria’ perdida.

Luena morre ao dar à luz, mas consegue entregar a bebé a Sapião (Sidney Santiago), que foge desesperadamente enquanto Kamau é preso, prometendo um dia voltar pela criança, que gostava como se de sua filha se tratasse. Sapião é acolhido na fazenda açucareira Engenho do Sol e a menina, que ganha o nome de Juliana, será criada com Teresa (Roberta Gualda) e Maria Isabel (Thais Fersoza), filhas do coronel Custódio (Antônio Petrin) e de dona Beatrice Avelar (Bete Coelho).

Ao 18 anos, Juliana (Gabriela Moreyra) fica a saber a verdade sobre o seu passado e fica completamente perdida e revoltada, jurando que jamais deixará um homem branco tocá-la. Até que num momento de desespero conhece o jovem português Miguel (Pedro Carvalho), um viajante à procura de trabalho na Vila de São Salvador.

Em 1808, quando a corte portuguesa se transferiu para o Brasil, a Vila de São Salvador vivia um momento próspero, sendo bastante beneficiada pelo desempenho da cultura da cana-de-açúcar, que atraía bastante gente para a região, à procura de melhores condições de vida. Mas o que Miguel procura são respostas para um grande mistério que envolve a morte de seus pais.

Ele será o grande amor da vida de Juliana, mas também despertará o interesse de Maria Isabel, a filha do coronel Custódio, que nunca se conformou com o tratamento diferenciado que a escrava recebe. Contando com a fiel mucama Esméria (Lidy Lisboa), Maria Isabel não medirá esforços para prejudicar Juliana.

Como se não bastasse a perseguição da sinhá, Juliana também enfrentará um obstáculo muito poderoso, o Comendador Almeida (Fernando Pavão). Ao casar com Teresa através de um arranjo financeiro, Almeida torna-se no novo senhor da Engenho do Sol e reacende uma rivalidade histórica com a família do coronel Quintiliano Gomes (Luiz Guilherme), dono da fazenda Doces Campos. Guilherme (Roger Gobeth), filho deste poderoso senhor, correspondia-se às escondidas com Teresa, que também o amava. O casamento de Teresa e Almeida marcará assim o reinício de uma guerra entre as famílias mais poderosas da região e uma fase terrível na vida de Juliana, pois o novo senhor ficará obcecado por ela.
Juntos, Juliana e Miguel viverão uma intensa história de amor, enfrentando inimigos poderosos e obstáculos aparentemente intransponíveis, como o preconceito de uma época que vive à sombra da escravatura.

Além da trama central, ‘Escrava Mãe’ conta com outras histórias de amor, aventura, suspense e comédia. A pensão Jardineira, gerida por Rosalinda (Luiza Tomé), é o ponto de encontro dos homens do lugar. Por causa disso, um assunto recorrente na Vila é a histórica rivalidade entre Rosalinda e dona Urraca de Almeida ( Jussara Freire), mãe do comendador Almeida. D. Urraca sempre se achou a defensora da tradição e dos bons costumes, criticando abertamente o comportamento da inimiga e das suas ‘florzinhas’, Dália (Manuela Duarte), Petúnia (Robertha Portella) e Violeta (Débora Gomes), que vivem na taverna. A guerra entre as duas geralmente é aplacada pelo capitão Loreto (Junno Andrade), responsável por manter a ordem na colónia.

Num período em que a circulação de informações e novas ideias podiam representar uma ameaça à Coroa, quem também se torna um problema para o capitão é o professor Átila (Léo Rosa). Determinado a criar um jornal na Vila e a espalhar as suas ideias abolicionistas, o escritor desperta o interesse de muitos jovens, como o da sinházinha Filipa (Milena Toscano), filha do coronel Quintiliano Gomes. Não satisfeita com a realidade dos escravos e das mulheres daquele tempo, ela lutará pela igualdade, decidindo descobrir um mistério que ronda a morte da sua mãe.

Com um minucioso trabalho de pesquisa, a vida dos escravos na época colonial é retratada nesta novela ressaltando-se a trajetória dos homens e mulheres que contribuíram para a construção do Brasil. A herança cultural, os sonhos, os medos, os anseios por liberdade, o ódio contra a domínio e os dois lados do processo de exploração são alguns dos temas abordados ao longo de toda a trama.

Além de entreter e emocionar, ‘Escrava Mãe’ é uma novela que traz à tona assuntos importantes sobre a construção do povo brasileiro, mostrando que as relações bonitas e verdadeiras também podem surgir nos momentos mais turbulentos. E as histórias que atravessam o tempo, como o amor de Juliana e Miguel pela filha Isaura, merecem ser contadas desde o princípio.