Eliane Elias

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Uma estrela brasileira do jazz.

Nomeada inúmeras vezes pelo mais importante prêmio no mundo da música, o GRAMMY Awards, e com mais de 20 discos e prêmios em sua fantástica carreira, Eliane Elias mistura elementos da Bossa Nova, do jazz, da música clássica e do pop, fazendo uma música cuja sonoridade ultrapassa uma definição de estilo, agradando ao ouvinte mais exigente. Pianista, cantora e compositora, Elias começou sua carreira muito jovem, com apenas 17 anos, tocando com os ícones da Bossa Nova, Vinícius de Moraes, Tom Jobim e Toquinho.

A brasileira, residente desde 1981 em Nova York, foi uma das atrações do Toronto Jazz Festival neste verão e lançou recentemente seu novo albúm, Light My Fire, com a participação especial de Gilberto Gil, do aclamado trombeteiro americano Randy Brecker e de sua filha, a também cantora e compositora Amanda Brecker, que canta com Elias e Gil.

Wave entrevistou a talentosa cantora e conferiu o porque dela ter sido chamada pela revista Jazziz como “A citizen of the world” (uma cidadã do mundo) e “an artist beyond category” (uma artista além da classificação).

Você começou sua carreira ainda criança, como pianista clássica. Como surgiu a paixão pela música?
Elias – Comecei minha carreira bem jovem. Minha mãe era pianista clássica, tinha uma coleção de discos de jazz e, desde os dez anos de idade, eu já estava apaixonada pelo jazz, a ponto de estar fazendo transcrições de grandes pianistas e desenvolvendo uma linguagem jazzística. Aos treze eu fui estudar no Zimbo Trio, uma das melhores escolas de música do Brasil e, aos quinze anos comecei a lecionar nesta mesma escola. Dava aulas de piano, improvisação e outros instrumentos.

Dos 17 aos 20 anos, você trabalhou com o maravilhoso poeta e compositor Vinícius de Moraes, com Toquinho e Antônio Carlos Jobim, como isso influenciou sua carreira?
Elias – Comecei a trabalhar com Vinícius de Moraes e Toquinho aos 17 anos, tive a oportunidade de estar com eles em momentos de criação. Conheci então Tom Jobim e foi fantástico, porque fiquei exposta, “bebendo na fonte”, que seria a expressão para dizer que eu estava lá, com os originais, os que criaram essa linguagem musical, a Bossa Nova. Eu estava perto deles, eu vivi essa música de uma forma diferente das pessoas da minha idade.

O que é Bossa Nova para Eliane Elias?
Elias – Bossa Nova é uma coisa muito forte em mim. Cresci estudando Bossa Nova, tive a oportunidade de trabalhar com os criadores e dou continuidade à essa linguagem musical. É parte do meu DNA, parte de quem eu sou.

Você vive em Nova York desde 1981, o que a levou sair do Brasil?
Elias – Desde muito jovenzinha eu já dizia que queria ir para Nova York. Eu já era apaixonada pelo jazz. Os discos que eu tinha diziam que foram gravados em NY, então achei que aquele era o lugar. Então me preparei musicalmente e só fui quando achei que era a hora certa, que estava preparada para uma carreira internacional e para ser recebida no meio jazzístico, que sempre foi predominatemente americano, negro e masculino. Era 1981.

Como começou sua carreira internacional?
Elias – Começou com Vinícius e Toquinho, quando viajamos pela América do Sul, fazendo temporadas. Minha carreira solo começou quando fui para Nova York e comecei a trabalhar com o grupo Steps Ahead , com grandes nomes do jazz. Logo em seguida, fui contratada pela gravadora Blue Note, uma companhia de discos que sempre foi o grande selo do jazz. Lá fiquei por muitos anos e gravei mais de 15 discos.

Você é dona de uma sonoridade singular, que mistura diversos aspectos musicais, fazendo uma música que agrada aos mais distintos gostos. Qual o estilo que mais se aproxima do seu coração?
Elias – Difícil dizer. O que eu amo é música boa, eu amo a harmonia, o ritmo, adoro o jazz, gosto do aspecto da improvisação do jazz, da criatividade e da liberdade. A música brasileira é singular em termos rítmicos, melódicos; é uma música romântica e sensual. Todos esses lados musicais são lados que me tocam, lados que cresci junto, aspectos que me tocam o coração.

Conte-nos um pouco sobre seu novo albúm, “Light My Fire”.
Elias – “Light my Fire” é um disco muito especial, no qual eu tinha a intenção de levar aspectos da música brasileira que fosse além da Bossa Nova; outros ritmos, outros elementos da nossa música. No disco tem três duetos com Gilberto Gil, composições minhas e também músicas que são icônicas, como a balada romântica de Stevie Wonder, “My Cherie Amour” e o clássico jazz do saxofonista Paul Desmond, “Take Five”, feitas intencionalmente com um aspecto cool, com sensualidade, com elementos da Bossa Nova e ritmos brasileiros. Fiquei muito satisfeita com o resultado.

Qual a sensação de cantar com a sua filha?
Elias – A sensação de cantar com a minha filha é maravilhosa. Aliás, estar com ela é maravilhoso, ela é uma grande artista, tem muito talento, uma voz linda. Eu fiquei muito feliz dela ter participado do CD e especialmente feliz pelo fato dela estar fazendo a vida musical dela, seguindo um caminho totalmente diferente do meu. Ela é uma compositora, canta muito bonito e está em seu terceiro disco, fazendo turnês na Ásia e Brasil.

Wave é uma revista bilíngue, voltada para a comunidade brasileira que mora no Canadá. Gostaria de dar uma mensagem para aqueles que vivem fora do Brasil?
Elias Eu espero que esse meu novo disco, Light My Fire, leve momentos de alegria, momentos de matar a saudade, que vocês se sintam em casa, no nosso Brasil, com a nossa música, nossa língua. Espero que curtam bastante o CD.

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Eliane Elias Official Website