Gal Costa

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Sempre Gal.

Por Josivaldo Rodrigues

Ela é dona de uma voz de cristral, transparente e suave. Maria da Graça Costa Penna Burgos, mais conhecida como Gal Costa, se apresentou pela primeira vez em um palco canadense, em um show único, ao lado do violonista carioca Romero Lobambo no palco do Massey Hall, em Toronto. Um dia antes do espetáculo, a cantora nos concedeu uma entrevista em uma sala reservada do Sheraton Hotel. Gal foi atenciosa, gentil e solícita.

Durante o show que aconteceu no dia seguinte, a baiana mostrou que está cada vez mais em forma, esbanjando talento, carisma, profissionalismo e beleza. A sua voz ecoou pelo Massey Hall de forma mágica.Uma noite sem igual. Gal sempre Gal.

 Qual a diferença de cantar no Brasil e aqui?
Gal – A diferença, é que eu acho que comove muito ver como a música brasileira é amada em outro país e como a música pode ultrapassar a barreira da linguagem. Não precisa necessariamente você entender o que um cantor está cantando para gostar do que está ouvindo. Em Nova Iorque, depois de um show, um americano me disse: “Eu não entendi uma palavra do que você cantou. Mas eu amei!”. A música é isso, tem que se conectar com o que está ouvindo.

http://youtu.be/o6ADChhquXM

 No início do ano você participou de uma turnê pelo Centro-Sul do Brasil como convidada do show da Dionne Warwick. Como foi essa experiência de cantar ao lado de uma grande diva da música americana?
Gal – Foi muito bom. Eu já conhecia a Dionne. Ela foi à minha casa no Brasil e até planejamos um show juntas no Brasil, mas não aconteceu. E aí ela me convidou para participar dessa turnê no Brasil. Eu fui e foi maravilho ter feito, ter estado com ela, ter ensaiado e cantado com ela pelos palcos do Brasil. É uma grande amiga, uma grande cantora.

Você está a cada dia mais renovada. A experiência de ser mãe te ajuda a encontrar a fonte da eterna juventude?
Gal – A música é a minha fonte de juventude. Mas a maternidade é outra, é uma coisa especial, fantástica. Como uma criança pode trazer tanto vigor, rejuvenescimento, energia e beleza para a mãe! Toda mulher tinha que experimentar. Não precisa ser biológico. Quando você ama um filho, é uma coisa inacreditável, um amor que te transforma, que te leva para um plano especial. E a música faz isso também.

 No último CD que você lançou, em 2005, HOJE, 80% das canções são de compositores novos. Você gosta de apostar em novos talentos?
Gal – Eu gosto. Neste CD, eu gravei compositores desconhecidos da grande mídia mas eram compositores que já estavam ali, que já faziam as suas coisas mas não tiveram oportunidade de serem lançados para um público maior. Mas eu não acho que eu tenha a obrigação de lançar ou gravar compositores novos. Eu não. Eu quero cantar o que me der vontade, o que eu gostar naquele momento.

 E esse show que você trouxe para o Canadá, há possibilidade de sair um DVD também?
Gal – Não sei. Esse encontro meu com o Romero Lobambo é um encontro maravilhoso, a gente se apresentou em Nova Iorque mas agora, com o reencontro, surgiu uma nova alegria, uma coisa especial em nosso encontro musical e pessoal. O show é bacana, alegre. Tem o mesmo repertório, mas o jeito que a gente faz é diferente, é renovado. Eu não planejei, não há esse projeto de colocar isso em DVD. Mas tudo pode acontecer.

 Em sua turnê nos Estados Unidos, você declarou: “Nunca tive tanto prazer em cantar. Que platéia!!”. Essa é a primeira vez que você canta aqui conosco no Canadá. Qual espera ser a receptividade do público canadense e dos brasileiros que moram aqui?
Gal – Eu tenho certeza de que será igual a essa frase, de que será um silêncio mortal e uma resposta comovente, porque cantar em teatro é maravilhoso, exige concentração da platéia e do artista, e essa troca de energia é muito especial. O que eu estou fazendo com o Romero é tão verdadeiro que a platéia não tem como não gostar, acaba seduzindo as pessoas.