Mississauga – Entrevista com Cleiton de Castro Marques, presidente da BIOLAB Farmacêutica

Translation by Julie Berridge

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A BIOLAB Farmacêutica, um dos maiores laboratórios do Brasil, inaugurou em outubro passado um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Mississauga, na região metropolitana de Toronto. Para a sua primeira unidade no exterior, a BIOLAB investiu 56 milhões de dólares canadenses (cerca de 140 milhões de reais) e ainda recebeu do governo de Ontário 2,8 milhões de dólares canadenses para pesquisa e desenvolvimento.

A cerimônia de inauguração da empresa brasileira contou com a presença, entre inúmeros convidados canadenses e brasileiros, do Ministro das Finanças de Ontário, Charles Souza, da prefeita de Mississauga, Bonnie Crombie e da cônsul-geral do Brasil em Toronto, Embaixadora Ana Lélia Benincá Beltrame.

Na oportunidade, o presidente da BIOLAB, Cleiton de Castro Marques, que também preside o Sindicato da Indústria Farmacêutica, concedeu uma entrevista exclusiva à Brazilian Wave.

Wave – Como o senhor vê o mercado internacional para um setor tão altamente regulado e competitivo como o de medicamentos inovadores?

Marques – A inovação faz parte do setor industrial farmacêutico. As altas exigências regulatórias fazem parte deste ambiente e são importantes para oferecer não só medicamentos de qualidade, mas acima de tudo segurança.

Wave – Quais os principais motivos que levaram a BIOLAB a escolher o Canadá?

Marques – Antes de chegarmos ao Canadá, tivemos contato com outros países com tradição em P&D, estivemos nos EUA, Suíça e Bélgica. Estávamos decididos a ir para New Jersey, quando nos foi apresentado o programa canadense. A receptividade ao nosso projeto e o empenho das autoridades foram sem dúvida o grande diferencial. Primeiramente pela equipe da Embaixada que nos deu um grande suporte e na sequência pelas autoridades locais. O ambiente inovador que encontramos nas visitas que fizemos nos deixaram muito motivados. É importante destacar também o aporte financeiro que nos foi concedido.

Wave – Quais os planos da BIOLAB no Canadá?

Marques – No primeiro momento vamos trabalhar só com o P&D, mas na sequência planejamos instalar uma unidade produtiva, para fabricarmos os produtos desenvolvidos para o mercado canadense e também visando atender a outros mercados altamente regulados.

 Wave – Quantos profissionais serão contratados para a unidade de Mississauga? Há previsão de contratar profissionais brasileiros residentes no Canadá?

Marques – Ao final do primeiro ano deveremos ter em torno de 60 profissionais, por ser um trabalho extremamente especializado este número deve chegar ao máximo de 80 profissionais. Já temos alguns brasileiros contratados, mas o principal é a qualificação profissional. Utilizaremos também como plataforma de treinamento e qualificação para nossos pesquisadores do Brasil .

Wave – Quais os principais projetos a serem desenvolvidos pelo Centro no Canadá?

Marques – Vamos trabalhar no primeiro momento com formulações e na sequência vamos replicar tecnologias que conhecemos (Nanotecnologia, orodispersíveis, etc.) adequando estes produtos para mercados regulados e também para inovações radicais, utilizando a estrutura de Toronto para fazermos os estudos clínicos.

Wave – Além de atuar na Comunidade Britânica, quais os outros mercados a serem conquistados pela BIOLAB do Canadá?

Marques – Os mercados da América do Norte e da Europa serão a sequência natural.