Impeachment para Dilma

por Rogério Silva

Foto Crédito: Forbes.com

O fantasma de Fernando Collor de Mello ronda o Palácio do Planalto. Único presidente brasileiro arrancado do poder por força de impeachment, fato ocorrido 23 anos atrás, ele é hoje um senador da República da base aliada do Governo Dilma Rousseff. Como no clássico comercial da Vodka Orloff, ele talvez fite a presidente tentando balbuciar: “A senhora sou eu amanhã”.
Analistas debatem até que ponto é factível tratar desse delicado tema. Nos bastidores, espera-se que alguém no Congresso risque o primeiro palito à fogueira. Paulinho da Força, líder do Solidariedade, inclinou-se a pronunciar a palavra impeachment no uso da Tribuna, em tom oficial, com vistas a solicitar abertura do processo. Foi aconselhado a esperar que a crise aumente. A oposição, que tem nome e sobrenome – Aécio Neves – adota cautela, mesmo tendo em mãos um parecer de Ives Gandra Martins, nome de peso no meio jurídico, que argumenta haver sustentação para tanto.
O Brasil está parado politicamente, sem características tradicionais de um governo renovado pelo voto. Ainda estamos no quarto mês de um novo mandato, mas Dilma Rousseff e seu staff têm cheiro de comida velha, que sobrou da semana passada na geladeira.
O jornalista e sociólogo Demétrio Magnoli usou, recentemente, seu espaço semanal na Folha de São Paulo, maior e mais lido jornal no país, para uma abordagem bastante lúcida. Segundo ele, o impeachment pode enfraquecer o Brasil do ponto de vista de nação democrática. É perigoso recorrer novamente a esse instrumento. “Dilma vai passar, cedo ou tarde. Ela não vale o preço da redução do Brasil a um Paraguai”, defende o articulista referindo-se ao país vizinho que abreviou o mandato de seu presidente.
Impeachment não rima com golpe, muito menos com golpismo. Mas é difícil avaliar que percepção o mundo terá do Brasil numa eventual aplicação dessa medida: A grandeza da força do povo nas ruas ou a pequenez paraguaia.

*Rogério Silva é jornalista e administrador de empresas. É professor titular da Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação em Uberlândia, Minas Gerais.

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