Intempéries no Albergue

por Marta Almeida

Júlia é uma capixaba elétrica, que adora viajar e conhecer outros países. Para ela, os albergues foram um verdadeiro achado! Mas conhecer outras culturas pela opção mais barata teve um custo extra para ela, e um deles foi enfrentar o mau humor de um atendente do albergue ainda sem dominar o inglês… acompanhem o relato:
Acordei atrasada. Peguei uma maçã pra comer enquanto andava. Mas antes, parei na recepção do albergue para pagar por mais algumas noites. Paulo era o funcionário da manhã. Terminei de mastigar. Expliquei o que queria. Paulo atendeu minha solicitação e estava com olhos fixos no computador. Enquanto isso, peguei a maçã novamente para morder. Ele me encarou. Com um ar totalmente rude, me deu duas opções: come ali no canto e me espera terminar ou volta depois. Larguei a fruta e pedi pra continuar o serviço. Por favor. Ainda eram 8h da manhã. Já enfurecida, mordi a maçã e continuei as andanças turísticas. Fiquei o dia inteiro com essa bendita história na cabeça. Ao voltar pro albergue… Minha chave não funcionava. Retornei à recepção. Checaram minha identidade, cartão de crédito; demoraram algum tempo para concluir o que tinha ocorrido. Paulo ficou tão desconcertado com a minha maçã, que errou tudo. O gerente fez questão de me acompanhar até o quarto para ver se minha mala ainda estava lá. Tudo certo. Obviamente, contei sobre o drama da maçã. Reclamei. Em outra língua. O que é um pouco mais difícil e me deixou vermelha como um dia de sol sem protetor. Dez minutos depois, me dei conta que algumas coisas não estavam aonde deveriam. Reclamei novamente. Mais alguns minutos… Bateram na porta do quarto. Era o gerente. Pediu mais desculpas, além do meu cartão de crédito. Devolveu a quantia referente a uma diária. Mas isso pouco importava, na verdade nessas horas, dinheiro realmente é só papel. Reclamar de gente grossa não tem fronteira. Amanhã vou na recepção novamente. Dessa vez, descascarei uma tangerina. Paulo vai adorar!

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