Colhendo os louros do sucesso.
Por Ana Paula Moratori
Nascido no Rio de Janeiro, filho de portugueses, e criado no Canadá., Louis Louro Jr é destaque em Toronto com suas jóias de design premiado. Mas o talentoso profissional não pára por aí. Louis Louro Jr. está agora prestes a dar mais um importante passo na sua carreira de sucesso com a abertura de um museu de jóias, o Tenda do Louro Jewelry Museum.
Como surgiu seu interesse por jóias?
Louis Louro Jr.: Meu interesse pela área é antigo. Fiz faculdade de Geologia na York University e mestrado no Canadian Jewelery Institute, além de vários outros cursos, todos voltados para a área de jóias e de designer de jóias.
Mas a sua família tinha já tradição na área?
Louis Louro Jr.: Na verdade, a trajetória de joalheiro começou com meu avó paterno, em Portugal. Meus avós eram uma mistura de joalheiros e ferreiros, que proviam inclusive ferramentas e armas para o governo português da época. Mas eu costumo dizer que o meu interesse pela área é algo de sangue, mas também coincidência, porque quando soube da história dos meus avós, eu já estava ligado à área. Essa descoberta aconteceu quando a minha família foi a Portugal comemorar o aniversário de 50 anos do meu avô. Foi quando ele me mostrou todo o material que guardava, e a partir daí meu interesse ficou ainda mais aguçado.
Como foi a abertura da sua joalheira?
Louis Louro Jr.: A joalheria foi aberta há mais ou menos 22 anos, quando eu tinha apenas 20 anos. Eu queria muito trabalhar como designer e foi a partir da joalheira que tudo começou. Hoje a Louro Jewelery emprega 11 funcionários, entre vendedores, designers, engenheiros e polidores e 90% das jóias vendidas e expostas na loja são fabricadas e desenhadas por mim e pela minha equipe.
Qual foi a peça que impulsionou seu sucesso?
Louis Louro Jr.: O ano de 1992 foi um ano muito forte em matéria de ser conhecido por profissionais da área porque participei de várias competições e ganhei quase todas. A primeira delas me levou a desenhar e produzir um anel inspirado na arquitetura greco-romana, da qual sou grande fã. Esse anel foi o vencedor do concurso Canadian Jewelers.
Que outros prêmios o senhor conquistou?
Louis Louro Jr.: Depois do Canadian Jewelers, participei do Buyers Choice of the World, People’s Choice e Best of the Best. E, naquela altura, o julgamento destes concursos ainda era feito por membros da própria industria, ou seja, por pessoas que sabiam exatamente o que estavam avaliando. Então, foi mesmo uma grande recompensa.
O senhor está com projetos de abrir um museu. Como surgiu essa idéia?
Louis Louro Jr.: Na verdade, eu já possuía um pequeno mostruário, que ocupava apenas uma sala da minha joalheira e que servia mais para entreter os meus clientes enquanto eles esperavam. Mas a idéia foi crescendo e a minha paixão pelo assunto me impulsionou a levar essa coleção mais a sério. Decidi fazer disso um prédio inteiro com toda a história das jóias. A minha busca por material já vem de mais de 15 anos e com certeza houve uma grande influência por parte da história do meu avó. Inclusive o nome do Museu, Tenda do Louro, será em homenagem a ele.
De onde provém a verba para a construção do museu?
Louis Louro Jr.: O museu está sendo criado com fundos próprios. Por enquanto não há nenhum apoio do governo. A idéia é criar uma entidade sem fins lucrativos, com os recursos para manutenção provavelmente vindo de patrocinadores e da promoção de eventos, como mostras de artistas canadenses e internacionais. E devemos inaugurar o museu ainda antes do outono.
O que o visitante poderá ver nesse espaço?
Louis Louro Jr.: Estou tomando muito cuidado para não fazer desse espaço um lugar de auto-promoção. Meu principal objetivo será educar e também promover profissionais da área. Isso trará a credibilidade que qualquer entidade precisa. No museu, as pessoas poderão ver os diferentes conceitos de jóias através das civilizações. Teremos uma seção permanente de minerais, uma área seguindo a ordem cronológica, divisões da história das jóias por continentes e países, além de uma biblioteca com mais de 1.500 livros sobre o assunto.
Qual é hoje o papel do Brasil como produtor e exportador de pedras?
Louis Louro Jr.: O Brasil é sem dúvida um dos maiores quando o assunto é a produção de pedras e minerais dentro de suas fronteiras. A grande tragédia é que essas pedras são enviadas ainda brutas para outros países como a Índia, por exemplo. Esses países finalizam as pedras e depois as vendem a preços muito mais altos. Não sei se isso é falta de investimento nas relações do Brasil-Canadá nessa área. Mas com certeza há uma grande falha nesse contato. Você realmente não vê companhias brasileiras aqui.
Que conselhos o senhor daria para quem está começando a carreira de designer de jóias?
Louis Louro Jr.: Quando você começa a trabalhar como designer de jóias, quer logo abrir seu próprio negócio.. Acontece que o esforço para se ter sucesso em um negócio como esse é imensamente maior do que o empenhado quando se revende em massa. Porque essa é a mentalidade da maioria dos mercados. As pessoas que vêm à minha loja são pessoas que sabem o que querem, que procuram o diferencial, o especial, o eterno. E para ganhar a credibilidade dessas pessoas é preciso tempo, prática e experiência, coisas que você só adquire trabalhando com outros profissionais. Persistência é fundamental.




























