Mario Silva

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Um amigo do Brasil no Parlamento Canadense.

Por Paula Mazulquim

Quando o governo canadense deportou os trabalhadores Portugueses da construção civil em 2006 ele defendeu seus direitos. No Parlamento, mantém a luta para pressionar o governo a resolver o problema com os trabalhadores ilegais. Iniciativas comunitárias incluindo direitos de imigração, requisição de verba para AIDS e para o ensino do Inglês como segundo idioma estão entre os projetos de Mario Silva. Como chefe da Associação Canadá-Brasil no Parlamento, o representante Liberal tem trabalhado bem próximo à comunidade brasileira em Toronto. Ele foi o responsável pelo pedido de hasteamento da bandeira brasileira na prefeitura de Toronto celebrando o dia da Independência do Brasil no último 7 de setembro.

 Embora a comunidade brasileira em Toronto não seja tão grande quanto a Portuguesa, você sempre foi considerado um incentivador e “amigo” dos brasileiros. Como você se envolveu com eles?
Mario Silva – Eu sempre fui um amigo desta comunidade, especialmente porque cada vez mais os meus eleitores são brasileiros. Há muitos brasileiros morando e trabalhando em Davenport. Como representante deles no Parlamento (MP) é meu dever estar envolvido com a comunidade brasileira, assim eu posso entender as necessidades dos Brasileiro-Canadenses e posso representá-los melhor. Como chefe da Associação Parlamentar Canadá-Brasil, eu também trabalhei no Parlamento para que ambos os países possam sedimentar ligações tanto na política quando nos negócios em diversas áreas.

 Durante o último 7 de setembro você hasteou, juntamente com o Cônsul Geral do Brasil em Toronto, Embaixador Américo Fontanelle, a bandeira brasileira em frente à prefeitura de Toronto celebrando o dia da Independência do Brasil. Foi sua a idéia?
Mario Silva – Foi minha iniciativa. Hastear as bandeiras de vários países em comemoração ao seus respectivos dias nacionais é uma tradição na prefeitura. O pedido para hastear a bandeira brasileira nunca havia sido feito, então eu pensei ser uma importante iniciativa começar esta tradição para marcar a crescente presença e dinamismo da comunidade brasileira em Toronto.

Você enxerga os imigrantes brasileiros como sendo seus potenciais eleitores? Você acredita em voto étnico?
Mario Silva – Não vejo uma comunidade em particular me apoiando mais que outra. Davenport é uma região muito diversificada de Toronto. Há muitos portugueses e italianos, mas também há milhares de hispânicos, vietinamitas, indianos, jamaicanos, paquistaneses, bangladeshes. Mais brasileiros estão chamando Davenport de casa também. Não é possível focar em uma comunidade devido à esta diversidade. Muitos moradores canadenses de Davenport também apoiam o meu trabalho e o meu partido, enquanto que algumas etnias apoiam outros partidos. Eleitores brasileiros se identificam mais comigo por conta das afinidades linguísticas e culturais, mas eu trabalho para representar todas as comunidades de Davenport, incluindo a brasileira.

 Você acaba de vencer outro mandato por Davenport (em outubro de 2008) e vive nesta comunidade há 30 anos. De que maneira você diria que isso o ajudou com o resultado?
Mario Silva – Vivo em Davenport desde que cheguei no Canadá. Cresci, fui para a escola e continuo a viver aqui. Conheço a comunidade muito bem. Tenho visto suas mudanças com o passar dos anos e entendo as necessidades da comunidade. O povo de Davenport conhece o meu trabalho e respeita os meus esforços, tanto enquanto eu estive na Prefeitura e agora como seu representante no Parlamento, para melhor representar o interesse deles e melhorar as coisas em Davenport.

 Davenport possui uma taxa maior do que a média de imigrantes recém chegados e minorias, e índices de renda e educação menores que a média entre os eleitores. Quais são suas plataformas com relação aos problemas enfrentados pelos imigrantes recém chegados?
Mario Silva – A aquisição da cidadania canadense é um importante passo em direção à melhoria da qualidade de vida dos imigrantes. Eu organizei vários postos de atendimento onde nós ajudamos milhares de pessoas com seus processos de cidadania. Também ajudei mais de 3 mil eleitores com problemas frente ao Canada Immigration (orgão regulador da imigração no Canadá). Dei o meu apoio a inúmeras organizações comunitárias em Davenport que ajudam os novos canadenses a melhor se integrar e obter sucesso no país, além de ter obtido o apoio do governo em forma de vagas para estudantes em muitas destas organizações. No Parlamento, eu introduzi muitas propostas pedindo para o governo regularizar a situação dos trabalhadores ilegais.

Você é o primeiro e único Membro do Parlamento do país de origem Portuguesa e colocou a imigração como fator central durante sua campanha, reforçando direitos iguais para os imigrantes, incluindo os ilegais. Você tem um plano para resolver a questão dos imigrantes ilegais?
Mario Silva – Em inúmeras ocasiões eu pedi ao governo que lidasse com a situação dos trabalhadores sem documentação. Regularizar a situação deles não apenas os ajudará a se integrar melhor e obter sucesso no Canadá, como também ajudará nossa economia que sofre de uma crônica falta de mão de obra qualificada. É essencial que criemos uma completa revisão no nosso sistema de imigração. Precisamos colocar em prática novos mecanismos para lidar com o acúmulo de aplicações que se formou e tornar o sistema mais acessível.

Os empregos para os eleitores de Davenport estão basicamnte na indústria da construção civil, em fábricas, no varejo e no setor de serviços. O que aqueles que trabalham na construção e estão em situação irregular podem esperar de você?
Mario Silva – Quando o governo indiscriminadamente deportou trabalhadores portugueses da construção civil, em 2006, eu me posicionei e defendi os direitos daqueles trabalhadores. Ajudei a organizar e participei de demonstrações pedindo a atenção de todos para colocarmos um fim neste tipo de movimento ideológico e ofensivo. Trabalhadores em situação irregular, na construção ou em qualquer outra indústria podem esperar pela minha ajuda ao lidar com seus arquivos de imigração. Também vou continuar a minha luta no Parlamento pedindo que o governo tome conta desta situação. É importante que regularizemos isso, pois só assim milhares de pessoas que estão nesta condição poderão fazer parte de verdade da sociedade canadense e não ficarão à margem dela. É simplesmente uma questão de direitos humanos.

 Davenport foi formada em 1933 e tem sido administrada por Liberais desde 1962. Sendo um candidato do partido Liberal, como acha que a tradição de Davenport eleger liberais o ajudou a vencer seu terceiro mandato?
Mario Silva – Vencer pela terceira vez aqui tem muito pouco a ver com o fato de os Liberais sempre ganharem em Davenport. Os moradores da região conhecem o meu trabalho e o aprovam. Eu sempre trabalhei pela comunidade e o povo de Davenport reconhece isso. Também acho que os novos imigrantes tendem a ter uma ligação mais forte com o ponto de vista do partido liberal, que sempre foi muito aberto aos imigrantes e às comunidades étnicas graças ao ex Primeiro Ministro Pierre Trudeau (Trudeau foi Primeiro Ministro do Canadá de 1968 a 1979 e de 1980 a 1984).

 Você disse uma vez que o plano dos Liberais oferece prosperidade econômica, preocupação ambiental, saúde, créches e cidades mais seguras e mais fortes para todos. Você não acha que é importante priorizar as coisas?
Mario Silva – Cada um destes temas é importante para os canadenses e nós precisamos trabalhar para melhorar em cada área, conforme necessário. O plano Liberal que acabamos de propor durante as eleições (outubro 2008) apresenta uma variedade de mecanismos que criariam uma economia sustentável e ao mesmo tempo o respeito ao meio ambiente. Saúde e creches, por outro lado, são dois tópicos que foram bem melhorados pelos governos Liberais anteriores. Conseguimos formalizar um bom plano nacional de creches com todas as províncias que revolucionaria a questão das creches neste país. Os Democratas (NDP) juntaram-se aos Conservadores para vencer o governo de Paul Martin e literalmente mataram este plano para as famílias canadenses.