O Brasil de 2018

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Por Rogério Silva

O país que viveu 20 anos de chumbo entre 1964 e 1984, durante o Regime Militar, vai votar para presidente no próximo dia 5 de outubro. Já foram 6 civis no cargo máximo do Executivo nacional pós ditadura e o cenário para os próximos 4 anos é bem incerto. Ao menos 3 candidatos tem reais chances de vitória e nenhum deles é de Direita. Esta é a segunda eleição consecutiva para presidente do Brasil em que a Direita está alijada do processo. O esvaziamento do discurso e a falta de sucessores de figuras políticas históricas talvez sejam a razão dessa ausência.
O Partido dos Trabalhadores, que tem como ícone o ex-metalúrgico que chegou à Presidência da República, Luís Inácio Lula da Silva, adota práticas assistencialistas e aprisiona uma fatia considerável de recém-saídos da miséria. São os contemplados com o Bolsa-Família, programa de distribuição de renda para quem tem receita per-capta inferior a 100 reais, algo em torno de 50 dólares por mês. A candidata do PT é a atual presidente, que busca a reeleição, Dilma Rousseff. Mas sem o carisma de seu antecessor, pode interromper a sequência de mandatos do partido no poder. Dilma não convence o mercado, é tecnicista e, pior que isso, é de relação difícil com sua própria equipe, o que a faz ter desafetos dentro da base aliada.
Os tucanos do PSDB, autores do Plano Real que trouxe estabilidade à economia com o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, querem novamente o comando da Nação e apostam no mineiro Aécio Neves. De tradição política, é neto de Tancredo, o presidente emblemático da Nova República, que morreu antes de tomar posse. Aécio patina nas pesquisas e leva a pecha de representar as elites intelectuais. Terá dificuldades para chegar ao segundo turno. Mas é tido como um excelente gestor. Talvez ainda não seja a vez dele.
Herdeira de uma candidatura não planejada, Marina Silva, a ambientalista conhecida mundialmente, foi sacada pelo Partido Socialista após a morte trágica de Eduardo Campos, no dia 13 de agosto deste ano. Em campanha, Campos foi vítima da queda de seu avião, com mais 6 pessoas da equipe. Marina é uma grande incógnita. Ninguém questiona sua honestidade, mas ela seria capaz de imprimir uma administração eficiente a um país com tantas desigualdades e problemas históricos de infraestrutura e planejamento? O PSB não é a sua casa. Tentou criar uma nova proposta com o surgimento da Rede, um partido que não ficou pronto a tempo. Aninhou-se com Campos e tem ideais bem distintos de seus pares atuais.
As cartas estão postas à mesa e as promessas, por mais otimistas, não clareiam o cenário próximo. O Brasil de 2018 ninguém sabe, hoje, como será.

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(*) Rogério Silva tem 43 anos, é jornalista e administrador de empresas. Professor universitário da Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação (ESAMC), tem MBA em Gestão Executiva e Empreendedora, com extensão em liderança. Desde 2007 dirige as áreas de infraestrutura midiática e jornalismo da Rádio Educadora Jovem Pan e TV Paranaíba/Record, em Uberlândia, Minas Gerais, Brasil.