Opinião – O vazio da identidade política brasileira

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por Profº Vitor Romero

De 1889 à 2014, 125 anos de república e apenas cinco presidentes eleitos que iniciaram e terminaram o mandato no período correto. Em termos de democracia, somos um feto. Somos a 7ª maior economia do mundo, temos inúmeros recursos minerais e naturais, mas o que realmente falta é alguém em quem o povo acredita. Atualmente, no Brasil, inúmeros casos de corrupção ativa, desvios de dinheiro e impunidade política, geraram certo sentimento na população… O de votar no “menos pior” como dizemos por aqui e não em quem realmente se acredita. A questão é: falta um exemplo, um guia, uma esperança.
Somos taxados como um dos povos mais felizes do mundo, mas a felicidades por aqui se dá pelo ímpeto populacional e não pela qualidade de vida. O que se espera então de um novo presidente? Pesquisas apontam que….nada! Absolutamente nada. Nosso “direito” ao voto nos obriga a votar; nosso sistema pluripartidário nos oferece inúmeros candidatos que servem apenas para diluir os votos totais e eleger os mesmos partidos que há 20 anos disputam o poder. E como se esperado, os dois partidos disputaram mais de 78% dos votos e a candidata e atual presidente levou a melhor, não porque realmente é melhor, mas porque atingiu áreas onde a população carece de políticas assistencialistas e o grau de desenvolvimento é menor. Se foi boa para uns, foi ruim para outros, mas como um país que passa por uma crise de representatividade política, os brasileiros torcem para que nesse novo mandato não só reformas sociais, mas reformas na estrutura política aconteçam, que haja transparência fiscal e que o dinheiro público seja devidamente empregado.
Vivemos por aqui “matando um leão por dia”; cargas tributárias altíssimas, serviços públicos deficientes, falta de saneamento ambiental, empresários que são sugados por altos tributos e burocracias que atrasam o desenvolvimento do país. E mesmo com todos os percalços, acreditamos em um futuro onde nossas crianças possam crescer não só sonhando, mas realizando. Então nos resta a torcer para que nossa atual e futura presidente seja, não o político que os brasileiros estão acostumados, mas aquele que surpreende por novas ações e ética. Que sejamos gigantes como a nossa própria natureza, que o social tenha mais valor que o futebol, que nossas escolas sejam mais importantes que o Carnaval. Que o Brasil represente todos os brasileiros!

(*) Profº Vitor Romero:
Geógrafo – Universidade Estácio/ Liceu Contemporâneo