Prof. Carlos Lucena

No nosso bate papo ele nos revelou um pouco do mundo acadêmico canadense visto por um olhar brasileiro.

Professor Carlos Lucena

Nosso entrevistado, o professor carioca da PUC Rio, Carlos Lucena, é um importante membro da comunidade acadêmica brasileira e, desde 1979, visita regularmente o Canadá como professor adjunto da Universidade de Waterloo, em Ontário.

O Professor Carlos Lucena fez seus estudos de graduação na PUC – Rio entre 1962 e 1965 nas áreas de Economia e Matemática. Mais tarde, obteve o grau de mestrado na Universidade de Waterloo no Canadá, e o doutorado pela Universidade da Califórnia em Los Angeles, a UCLA. Prof. Lucena foi o fundador do primeiro departamento de informática do país, em 1968, na PUC Rio.

Vencedor de inúmeros títulos e prêmios nacionais e internacionais nas áreas científicas e tecnológicas, Lucena adotou a cidade de Waterloo como seu segundo lar e sempre durante os três primeiros meses do ano, podemos encontrá-lo no campus daquela universidade.

Conte-nos um pouco desse “casamento” com a universidade canadense.
Lucena – Quando fiz o meu mestrado em Waterloo, o School of Computer Science estava iniciando suas atividades. Fiz grandes amizades, em particular com o meu colega Don Cowan, de quem fui o primeiro orientado. Depois, enquanto fazia meu doutorado na UCLA tive a oportunidade de recomendar alguns dos meus colegas de doutorado para Waterloo. Eles são hoje, como o Don, professores eméritos em Waterloo. Em 1979, cinco anos depois do meu doutorado, vim para cá com a família (mulher e quatro filhos) em um sabático da PUC – Rio. A partir deste ano passei a ser Visiting Adjunct Professor de Waterloo e a visitar a universidade todos os anos no período de inverno canadense (nosso summer break na PUC-Rio).

A Universidade de Waterloo é berço da companhia RIM, Research in Motion, criadora do Black Berry, que foi fundada por um aluno da universidade na época. O senhor acredita que pelo fato de Waterloo receber milhões de dólares da RIM, destinados à pesquisas, a universidade se destaca no mundo acadêmico e em pesquisas de ponta?
Lucena – A Universidade de Waterloo é já faz muito tempo, a primeira no ranking das universidades canadenses. A RIM é o principal caso de sucesso de um egresso da universidade, mas o parque tecnológico da universidade está cheio de empresas que são spin-offs muito bem sucedidas. O número de contratos de pesquisa provenientes de recursos governamentais é também impressionante.

Um paralelo entre as duas universidades.
Lucena A PUC – Rio está entre as cinco primeiras universidades do país. É certamente a melhor universidade privada brasileira e recebe muitos recursos do governo e do meio empresarial para pesquisa e desenvolvimento. Em termos relativos, ela recebe o maior aporte de recursos para pesquisa da Petrobras dentre todas as universidades do país. Waterloo tem mais recursos materiais. No entanto nossos corpos docente e discente da PUC – Rio são tão bons quanto os de Waterloo.

Como é morar três meses por ano no inverno, em Waterloo?
Lucena – O inverno não me incomoda. Conduz a uma atitude introspectiva que é fundamental para quem vive de fazer pesquisa. É preciso encarar o frio com naturalidade. Não sei o que é pior: o frio de Waterloo no inverno ou o calor do Rio no verão.

Uma mensagem para nossos jovens brasileiros que vivem no Canadá.
Lucena – Vocês fizeram uma boa escolha de país. É mais fácil conviver com a diversidade aqui do que em muitas outras partes do mundo. Em geral, o estudo e o trabalho dedicado são reconhecidos pela sociedade aqui.

Advertisement