Rubens Barrichello

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Brasileiro correu nas ruas de Toronto e ainda conversou com a Wave.

Por Sacha Vaz

Foto: Marcelo Coimbra

Após 19 anos correndo pela Fórmula 1, com 11 vitórias e o recorde de 322 corridas disputadas, Barrichello, 40, ingressou na IndyCar a convite do amigo e também piloto Tony Kanaan, agora colega de equipe na KV Racing.

Nascido no mesmo bairro que o famoso circuito de Interlagos em São Paulo, ele iniciou sua carreira ainda muito jovem correndo em karts na pista de Interlagos. Ainda menino, Rubinho costumava se penetrar às escondidas para assistir as corridas.

Pela primeira vez correndo em Toronto, Barrichello disse que estava nervoso pelo desafio, apesar de tantos anos de carreira correndo na F1 e colecionar ótimos resultados no circuito de Mônaco, que é também um circuito de rua.

Apesar de ter sido sua primeira visita à cidade, o piloto já veio ao Canadá inúmeras vezes para disputar o Grande Prêmio do Canadá na F1 em Montreal.

Acompanhado pela esposa Silvana e seus dois filhos, Barrichello visitou a CN Tower com a família e também jantou no restaurante italiano Sotto Sotto, em Annex, um bairro no centro de Toronto.

No sábado, dia 7, um dia antes da corrida, a equipe da Wave estava no pit stop da KV Racing, enquanto Rubinho corria no treino classificatório e conversou com Silvana, que estava ao lado dos filhos: “Hoje eu planejava visitar Niagara Falls, mas meus filhos não querem sair do lado do pai, querem ficar aqui e vê-lo treinar de perto,” contou ela.

Corinthiano roxo, Rubinho celebrou o título do Corinthians na Libertadores com um adesivo do time paulista estampado em seu carro na Honda Indy Toronto.

A pista da IndyCar em Toronto fica localizada ao redor do Exhibition Place, um dos maiores espaços de evento do Canadá, à beira do lago Ontário. Mesmo obtendo o 11o lugar na 26a edição do evento, Barrichello fez uma boa corrida chegando a ficar na quinta posição quando faltava apenas cinco voltas para acabar a corrida.

Kanaan ficou muito próximo do pódio, manteve o segundo lugar por muito tempo, mas acabou terminando a corrida na quarta posição. Outro brasileiro que se destacou foi Helio Castroneves, que terminou em sexto lugar. Mas foi o americano Ryan Hunter-Reay do time da DHL/Sun Drop Citrus Soda que venceu o circuito de rua em Toronto, no dia 8 de Julho.

Em entrevista para a Wave, Barrichello contou sobre sua transição da F1 para IndyCar, a diferença entre os carros e ainda voltou ao passado para falar sobre quem foi Ayrton Senna em sua vida.

Como você compara a corrida na F1 e na IndyCar?
Barrichello – São bem diferentes. Na F1, a estratégia de corrida é tão importante quanto na IndyCar, mas aqui é de extrema importância entender as regras. A IndyCar é muito mais complexa que a F1, você tem que saber o momento certo de economizar combustível ou não e saber o significado das bandeiras. Às vezes, você acaba pagando mico por ser novato, mas eu estou me divertindo muito!

Dirigir um carro de Fórmula Indy é bem diferente de dirigir um carro de F1. Eu ainda estou lutando pra me acostumar com o carro, que tem motor de turbo e com o fato que não tem direção hidráulica e aquecedor para os pneus. Além disso, os pit stops são bem mais estreitos e eu ainda estou levando mais tempo que devia nas paradas. Para mim, tudo isso é um novo desafio.

“Eu ainda sinto frio na barriga antes da corrida, se um dia eu não sentir mais isso, então saberei que não amo mais essa profissão e que devo ir pra casa”

 Quais dicas o Tony Kanaan lhe deu quando começou a correr na IndyCar?
Barrichello – Kanaan é como um irmão pra mim… somos amigos de longa data. Ele me deu as dicas básicas logo no início, mas a cada corrida, ele me passa dicas específicas sobre as pistas, tipo “tome cuidado com essa curva, você deve evitar isso ou aquilo…”. Então, ele tem me ajudado muito nesse sentido.

Mas agora Kanaan é seu colega de equipe, também concorrente, como é essa relação?
Barrichello – Eu sou muito competitivo e ele também é (risos). Nos últimos anos, reunimos as nossas famílias e passamos Ano Novo juntos… quando eu corria na F1 e ele aqui na IndyCar, passávamos quase o ano todo sem nos ver, então eu disse pra ele, se passarmos o Reveillón 2013 juntos é porque realmente somos irmãos, já que agora convivemos diariamente. Mas não é fácil não, pois por ser competitivo, você quer fazer o melhor que pode. E quando você tem uma pessoa próxima concorrendo com você, talvez você considere “pegar leve”. Mas eu disse pra ele: “não pegue leve comigo, pois eu não vou pegar leve com você (risos)”. Tony é um ótimo piloto, sem dúvida, ele é um dos melhores na IndyCar.

 Se você pudesse descrever algo que mais o surpreendeu na IndyCar, desde sua estréia, o que seria?
Barrichello – Os circuitos ovais, definitivamente. Após três semanas correndo na IndyCar, tive o desafio de correr nos circuitos ovais e eu acho que foi a melhor coisa que me aconteceu. No primeiro dia, consegui completar apenas 20 voltas, devido a um problema técnico no carro, mas a equipe foi muito boa comigo, eu estava perto de sofrer um acidente, quando me alertaram sobre o carro. Leva um certo tempo pra aprender a lidar com ele. Até quando eu me sento no carro, sinto a diferença. É difícil para novatos, mas eu vejo esse desafio positivamente.

 Como se preparou para sua primeira corrida nas ruas de Toronto? Você assistiu imagens de corridas anteriores?
Barrichello – Sim, sem dúvida! Sou fan de IndyCar, sempre assisti as corridas. Mas para a corrida de Toronto, assisti duas vezes ao vídeo da corrida do ano passado para ver as manobras. Dessa forma, consegui preparar minha mente para o que devia esperar da pista.

“O meu maior desafio na IndyCar são as ondulações nas pistas e eu ainda não estou pilotando 100 por cento do jeito que gostaria”

Você completou 40 anos nesse ano, correu quase metade da sua vida na F1, quando pretende parar de correr?
Barrichello – Minha vida tem sido um desafio muito positivo. Continuo correndo porque sou apaixonado por essa profissão. Minha esposa também me perguntou esses dias se pretendo parar de correr algum dia, então eu disse que talvez com 50 anos de carreira, talvez eu possa parar (risos).

Voltando ao passado, especialmente ao início dos anos 90. Quem foi Ayrton Senna para você?
Barrichello – Senna foi pra mim um ídolo, uma pessoa com quem eu tive um pequeno relacionamento, no sentido de que eu era, aparentemente, o cara que ele via sucesso no futuro. Naquela época, tínhamos uma diferença de idade muito grande e ele era uma pessoa muito privada. Então a gente nunca foi amigo, nunca tive o número do telefone dele ou algo parecido. Mas eu realmente era um fanático por tudo aquilo que o Senna fazia e tive o prazer de correr em uma época que ele esteve nas pistas. Então, 1993 foi um ano muito especial pra mim e como todo brasileiro, eu carrego aquela vibração boa e o sorriso que o Senna tinha.

“Adoro dizer que sou novato, pois faz sentir-me mais jovem (risos)”

 A previsão do tempo para o final de semana da corrida é umidade relativa do ar acima de 50% e chuva. Você é considerado um dos melhores pilotos a ter um ótimo desempenho na chuva, como adquiriu essa habilidade?
Barrichello – O brasileiro é bom de chuva! Ontem mesmo, meu filhos estavam andando de kart em Orlando e começou a chover. Eu disse para eles que não tinha problema, que era assim que aprendia. Quando começa a chover, muita gente volta pra casa, os brasileiros, continuam na pista.

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