Um ano no escuro

Um ano após a trágica noite em que perdeu a visão, o cearense José Neto está, a cada dia, superando os desafios da nova vida e dando – além de um exemplo de vida – a volta por cima.

Por José Neto

A batalha de Neto, por ele mesmo.

Nesse emocionante relato, o esperançoso e positivo jovem diz com sua próprias palavras como tem se adaptado à cegueira e quais suas perspectivas pro futuro.

“Um ano de escuridão total. Hoje, analisando, posso dizer que foram os mais dificeis e longos meses da minha vida. Do dia para a noite tive que reaprender quase tudo – coisas simples como ler, escrever, me locomover, me vestir e tantas outras. Como em todo aprendizado, me deparei com muitos desafios, decepções, tombos e pancadas. Mas acredito no ditado que diz: “Quando uma porta se fecha, outras se abrem”. Sei que estou crescendo moralmente, desenvolvendo qualidades como paciência, compreensão, tolerância, confiança e perseverança.

Alguns fatores foram essenciais para eu conseguir manter minha saúde psicológica. A tecnologia, por exemplo, que me permitiu continuar fazendo o que fazia no dia a dia – como navegar na internet, ver e-mails e até ler livros – sem dúvida foi um deles. Mais importante ainda foi a música, meu principal hobby: esqueço todos os problemas quando toco bateria, baixo, guitarra ou violão que, hoje, tenho como amigo inseparável.

Em resumo, diria que estou me adaptando bem, aceitando a situação que me foi imposta. Conheci pessoas maravilhosas, que não mediram esforços para ajudar a mim e a minha família. Devo muito à comunidade canadense e principalmente à brasileira de Calgary. Sou grato a todos por terem me feito ultrapassar os vários obstáculos que tive pelo caminho. Agradeço a Deus por ter me dado a oportunidade de continuar essa caminhada sem nutrir mágoas ou rancores. Hoje, ao lado das pessoas que amo e com os recursos que tenho, posso replanejar minha vida como qualquer pessoa normal.

Passado um ano daquela noite, ainda me dedico muito para me adaptar à cegueira. Olho sempre o lado positivo das coisas e busco viver o dia de hoje, não me projetando muito a um futuro distante. Após o acidente, tive que retardar alguns sonhos e outros tiveram que ser apagados. Tudo ainda é recente, ainda estou numa fase de reprogramação, mas algumas certezas para um futuro próximo eu já tenho. Quero retomar meus estudos na universidade de Administração em Comércio Exterior, tocar alguns projetos musicais e continuar treinando para, quem sabe um dia, competir como para-ciclista. Também espero logo ser aceito como residente permanente do Canadá e, assim, eu e minha noiva Roberta Porto podermos viver e montar nossa familia nesse país que tanto nos acolheu e tanto mudou nossas vidas.”

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