Um dia como outro qualquer

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Talvez um pouco mais frio. Fiquei parada por alguns segundos decidindo o que usar. Um antigo cashmere azul marinho combinava com o céu claro de inverno, sem nuvens no horizonte.

O café já inundava a pequena cozinha, repleta de lembranças por todos os lados. Escolhi cuidadosamente uma caneca azul e branca comprada em Londres há muitos e muitos anos. Arrumei a bandeja vermelha com um prato de torradas e queijo branco, andando até o sofá da sala. Uma brisa gostosa veio visitar meu rosto, me fazendo companhia enquanto comia.

As mãos já não tão firmes seguravam a primeira torrada do dia. Não estava com fome mas precisava dela como quem precisa de apoio. Caiu bem e o café forte ajudou no despertar da alma e do apetite.

O livro que começara na véspera estava me esperando. As louças do jantar também. Levantei com certa dificuldade, a qual já sabia driblar, e resolvi colocar a casa em ordem.

Nesse processo, passo as mãos em histórias inesquecíveis. Um prato pintado por uma grande amiga, um copo levado de um bistrô em Paris, talheres comprados com um grande amor e o guardanapo sabe-se lá de onde… a memória afetiva é mais presente, detalhes as vezes escapam.

Volto ao livro depois de regar a bromélia e as espadas de São Jorge. Uma dá cor e as outras proteção contra alguma coisa que já não me recordo. Mas acredito que funcionaram, pois ainda estou por aqui.

Procuro meus óculos que trarão as palavras para perto e me aconchego no sofá. Começo a viajar com tranquilidade pelas imagens que vão se tornando velhas conhecidas em minha mente cansada. Adormeço.

Abro os olhos desconfiada e percebo que andei sonhando. A velhice de fato ainda está longe, mas me pareceu serena. Corro para checar as mensagens no celular, calço o tênis e desço pra caminhar antes do sol baixar.

Tenho tempo, eu acho. Mas como saber? Vivendo, só vivendo!

Um prato pintado por uma grande amiga. (Foto: Celina Penteado)
Memórias – Ruas de Paris. (Foto: Celina Penteado)
Tenho tempo, eu acho. Mas como saber? Vivendo, só vivendo! (Foto: Celina Penteado)

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6 COMENTÁRIOS

  1. Gostei do que li. Também gosto de escrever cronicas sobre acontecimentos vividos no passado. Essa semana publiquei a primeira foto relativa ao texto. Fiquei feliz de ver que uma coisa que fiz instintivamente, é uma prática de profissionais da escrita como você. Saúde!

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