Fort St. John em BC é um excelente lugar para começar a trajetória no Canadá

Baixo custo de vida e muitas oportunidades de trabalho são os atrativos desta pequena e gelada cidade no nordeste de BC

Imagine morar em um lugar de cerca de 20 mil habitantes ao norte da Colúmbia Britânica, no caminho do Alasca, em que faz frio intenso em mais da metade do ano. O destino parece não ter muito a cara dos brasileiros, mas é nessa pequena cidade, chamada Fort St. John, que vive Luciana Vilela. “Dá para contar nos dedos quantas pessoas do Brasil há por aqui. Acho que o número não chega a dez”, diz ela, que vive lá com Alex, seu marido, e a filha Aline, de 3 anos. “Não dá para dizer que é um lugar agitado e com muitas coisas para se fazer, mas o baixo custo de vida e as oportunidades de trabalho nos possibilitam viver com qualidade e construir um patrimônio por aqui”, explica Luciana.

O destino improvável foi escolhido por influência de uma amiga que se casou com um canadense e foi morar em Fort St. John. “Eu trabalhei em navios de cruzeiro por mais de 12 anos. Foi nesse trabalho que conheci esta minha amiga e o Alex, que é de Honduras. Quando eu e ele decidimos ficar juntos, nenhum de nós queria voltar para nossos respectivos países, então começamos a procurar outro lugar para viver. O Canadá se mostrou mais aberto à imigração e, pesquisando sobre as cidades, as possibilidades de estudo e os preços de moradia, acabamos vendo que Fort St. John era bem atraente nesse sentido, então decidimos ir para junto da minha amiga que já estava por aqui”, relata Luciana.

Para colocar o plano em prática, a brasileira se matriculou em um curso de negócios no college da cidade e deu entrada ao visto de estudante. Já Alex chegou com uma permissão de trabalho. Luciana acredita que alguns fatores ajudaram para que ela e o marido se instalassem e se inserissem rapidamente na comunidade, como os dois serem fluentes em inglês, terem experiências internacionais e já ganharem em dólar. O fato de terem trabalhado a bordo por tantos anos, passando muito tempo longe de suas casas, também facilitou a adaptação.

Sobre a cidade

O pequeno centro da cidade de Fort St John (Foto CC: Jason Woodhead)

Fort St. John é a maior cidade da Columbia Britânica que se encontra na Alaska Highway, a famosa rodovia que dá acesso pelo Canadá ao estado americano. No passado, o lugar havia sido alvo de exploração de ouro e comercialização de peles de animais. Hoje, a região concentra indústrias de petróleo e gás, onde há grande parte das oportunidades de emprego. Também está próxima a áreas agrícolas e de silvicultura, e de uma barragem hidrelétrica em construção no rio Peace.

Por estar situada em uma localização com poucos habitantes e frio extremo, vagas de trabalho em estabelecimentos comerciais e de serviços não faltam – além daquelas mais técnicas, relacionadas às indústrias e construções. “Quando chegamos, em 2016, eu e meu marido encontramos emprego em menos de uma semana. Nos últimos anos, nós vimos restaurantes fecharem por não terem funcionários suficientes para continuarem operando”, conta a brasileira, que hoje atua como gerente de vendas no cinema local. Já Alex faz parte da equipe de pavimentação de ruas e vias de Fort St. John.

A questão financeira, segundo Luciana, é um dos principais atrativos do município. Ela diz que nas profissões em que é possível fazer turnos a mais, se ganha bastante, pois dependendo do horário e do dia os valores pelas horas trabalhadas são duplicados ou até triplicados. Como falta mão de obra, existe grande possibilidade de isso acontecer. Além disso, o aluguel é muito em conta e o preço dos cursos chega a ser metade do valor encontrado em outras cidades da província. “A diferença é brutal! Aqui já conseguimos começar a vida em um patamar mais confortável. Tanto que já demos entrada na nossa casa própria”, conta.

A cidade conta com centros comunitários de lazer, como a piscina pública, algumas grandes lojas e áreas de trilhas na natureza. Porém, a brasileira sente falta de mais entretenimento para a família. Não há muitos locais internos para ir com a filha se divertir durante o inverno e ela diz que para realmente aproveitar as áreas naturais, como lagos e estações de acampamento, é preciso pegar a estrada. Em termos de serviços básicos, ela ressalta a qualidade do hospital de Fort St. John, mas diz que em seis anos nunca foi atendida duas vezes pelo mesmo médico de família, pois a rotatividade desse profissional é alta por lá. Luciana também conta que quando precisa ser encaminhada a um especialista, muitas vezes é preciso ir para outras cidades maiores, como Prince George, também em BC, ou Grande Prairie, em Alberta.

Outra questão levantada pela brasileira é que não há quase vagas disponíveis em daycare (a creche canadense) na cidade. “Quando estava grávida de três meses, já coloquei o nome da minha futura filha na lista de espera de todas as unidades de daycare daqui e só consegui uma vaga quando ela já estava com dois anos de idade”, conta. Para poder voltar ao trabalho depois de um ano da licença-maternidade, ela diz que acabou usando o serviço de pessoas que cuidavam de crianças em casa.

Um começo importante

Apesar das limitações por conta do tamanho e localização, Luciana afirma que Fort St. John foi um excelente lugar para começar a trajetória no Canadá, já que oferece oportunidades para ganhar dinheiro e viver confortavelmente desde a chegada, algo que é mais difícil em grandes centros. Não à toa o lugar é um destino de imigração de outras nacionalidades. “Aqui há muitos estudantes indianos, por exemplo, que vêm para cá com a ideia de imigrar”, conta.

Hoje, a brasileira e o marido já receberam o convite para aplicar para a residência permanente (PR) e aguardam a resposta do governo após o envio de toda a documentação necessária. Eles também já deram entrada na casa própria com o dinheiro que conseguiram economizar vivendo em um lugar de baixos custos. Com a estabilidade financeira, aguardam somente o PR para pensar nos próximos passos. “Não sei ainda como vai ser nosso futuro aqui no Canadá, mas Fort St. John foi uma boa porta de entrada”, finaliza Luciana.

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