Vitória: a capital da província de BC

De tamanho médio, a cidade conta com ajuda a imigrantes para se inserirem na comunidade

Clima ameno, lugares históricos e muita natureza. Essas são algumas das características de Vitória, capital da Colúmbia Britânica, que atrai desde pessoas em busca de qualidade de vida na aposentadoria até estudantes que chegam para frequentar uma das instituições de ensino superior locais. Porém, para além disso tudo, a cidade conta com ajudas para imigrantes e refugiados que fazem com que a inserção na comunidade local seja um pouco mais fácil. Esse foi o destino escolhido pela brasileira Rosângela Polli e por seu marido Adriano, que chegaram em há 2 anos com a filha Gabrielle. “Posso dizer que ainda estou me adaptando, já que quando nos mudamos já estávamos em pandemia decorrente da covid-19, com restrição de circulação e interação, mas recebi auxílio para melhorar meu inglês, consegui emprego e já fiz amigos por aqui”, conta ela.

Situada ao sul da Ilha de Vancouver, ela está a cerca de uma hora e meia de balsa de distância da cidade mais conhecida da província, mas tem uma das maiores densidades populacionais do Canadá. Quem anda pelas ruas já percebe que a história do país está presente em diversos lugares: nos prédios icônicos –como o do Parlamento –, nas lojas de antiguidades, nos brechós, nos sebos e na Chinatown local, que é a segunda mais antiga da América do Norte, perdendo em longevidade apenas para a de São Francisco, nos Estados Unidos. Por sua importância histórica, a cidade abriga o Royal Museum of BC, onde é possível aprender sobre a Colúmbia Britânica desde os seus povos originários até os dias atuais. A cidade também é um cenário comum de filmes e chama atenção pela beleza dos parques e jardins.

Acolhimento a imigrantes e refugiados

Rosângela e sua família em Vitória, BC (Foto – arquivo pessoal)

A razão para que Rosângela se mudasse com a família para o Canadá foi a transferência de seu marido para um escritório da empresa em que ele trabalha localizado na cidade. Na área de tecnologia da informação, a organização optou por montar uma equipe no Canadá para atender o mercado americano e foi a responsável por ajudar no processo de vistos de trabalho para o casal. “Confesso que nunca tinha pensado em morar aqui, mas quando surgiu a oportunidade achei que seria ótimo para que eu finalmente conseguisse melhorar meu nível de inglês, que era básico, e também que poderia ser uma experiência boa para minha filha, com 7 anos na época. Em três meses já estávamos por aqui”, diz a brasileira. Gerente de Recursos Humanos no Brasil, Rosângela imigrou com um visto aberto de trabalho, que a possibilitou procurar empregos em diversas áreas.

Já em Vitória, Rosângela começou a procurar um lugar em que poderia aprender a língua gratuitamente. Foi pesquisando na internet que ela descobriu o Victoria Immigrant and Refugee Centre (VIRCS), que é um centro com serviços voltados a ajudar imigrantes e refugiados a se adaptarem ao novo país. “O lugar é maravilhoso. Posso dizer que a língua era minha maior dificuldade no começo e foi lá que aprendi tudo que sei. Lembro de, logo quando cheguei, comprar um monte de produtos errados no mercado por não entender o que estava escrito na embalagem. Minha filha Gabrielle também usufrui do lugar. Uma vez por semana, ela tem ajuda de um professor que dá aulas de reforço dos conteúdos escolares que ela tem dificuldade, além de outras atividades mais lúdicas, como música e brincadeiras. Tudo de graça”, explica a brasileira, que ainda elenca outras propostas do centro, como programas para crianças que incluem arte e apoio pedagógico, suporte em processos de imigração e também para recolocação profissional.

Existem sociedades como esta em diversas cidades do Canadá e eles são uma excelente forma de apoio para integração na comunidade local. Eles contam com financiamento do governo para prover serviços voltados às necessidades dos novos imigrantes, como aulas de inglês e consultorias diversas, que vão desde ajudar a desenvolver um currículo adequado até oferecer cursos de capacitação específicos para a inserção no mercado de trabalho. Alguns exemplos desse tipo de instituição em BC são: o Immigrant and Multicultural Services Society (IMSS), em Prince George, o Kamloops Immigrant Services (KIS), na cidade de Kamloops, e o Immigrant Services Society of BC (ISSBC), em Vancouver e Surrey (veja mais opções no site do Governo Federal).

Com o avanço na proficiência da língua, Rosângela conseguiu um emprego como coordenadora de serviços ao cliente em uma empresa de beleza local. Ela também fez amigos canadenses e de outras nacionalidades. Gabrielle se adaptou à escola e segue no Ensino Fundamental. “Digo que a minha filha foi a mais guerreira de todos nós neste processo de mudança para o Canadá, pois, apenas com 9 anos de idade, teve de desenvolver outra língua, entrar numa rotina nova e em uma cultura diferente”, afirma a mãe orgulhosa. A própria escola – que é parte da Educação pública oferecida no país – oferece suporte para imigrantes, como o inglês como segunda língua (ESL).

Adaptações

Além da questão da língua, a brasileira diz que teve de se adequar ao ritmo da cidade, que é um tanto diferente do que ela estava acostumada em Jundiaí, onde vivia no Brasil. “Vitória tem clima de cidade de interior, em que o comércio fecha cedo. Isso ainda é estranho para mim. Além disso, tive de aprender a andar de transporte público, já que ainda não dirijo aqui. No começo foi difícil, pois sempre fui muito independente e acabei me vendo dependendo do meu marido para tudo, já que a língua era um impecilho”, lembra Rosângela. Ela também ressalta a falta de atividades em lugar fechado para crianças como um fator negativo durante o inverno.

Para a coordenadora, porém, as belezas naturais são uma excelente recompensa, além da qualidade de vida e da segurança. “Aqui tem bastante emprego para quem está entrando no mercado de trabalho, mesmo com um inglês intermediário. A possibilidade de conviver com culturas diferentes e ver lugares novos são coisas que fazem valer a pena.” Para quem gosta de andar de bicicleta, ela destaca a facilidade de locomoção com o uso desse tipo de transporte, já que há muitas ciclovias e respeito aos ciclistas. Para quem quer estudar, existem variadas possibilidades, como a University of Victoria, a Royal Roads University e o Camosun College.

Descobrindo as gemas de Vitória e entorno

As restrições impostas pela pandemia da covid-19 acabaram isolando um pouco a família do convívio social. A escola de Gabrielle, por exemplo, contou com um período significativo de aulas virtuais, assim como são as aulas de inglês que Rosângela frequenta no VIRCS até hoje. Porém, ela não foi um impeditivo para que eles pudessem conhecer as belezas de Vitória e região. “Amamos visitar lugares e fazer passeios por aqui, principalmente quando é algo menos conhecido por quem não é local. É o que chamamos de ‘gemas de Vitória’”, conta Rosângela.

Entre as atrações, a brasileira destaca as praias, como a French Beach, a Dallas Beach, a Mystic Beach e a Gonzales Beach, o Bright Angel Park – que é um parque em que é possível nadar no rio Koksilah e passear por trilhas e uma ponte suspensa –, o Kinsol Trestle – um trilho suspenso localizado no Vale de Cowichan, na região de Cowichan, que é uma das estruturas de madeira mais altas do mundo, com 187 metros de comprimento e 44 metros de altura – e a cidade litorânea de Ladysmith. “Na ilha também há diversas vinícolas de cidra e fazendas de alfazema que vale o passeio”, completa Rosângela.

Deslumbrada com as paisagens, a brasileira criou um perfil no Instagram chamado @canada4usvictoria, em que compartilha fotos de suas experiências. “Até já fiz uma amiga francesa, que estava de mudança para cá e queria conhecer melhor a cidade antes de vir”, conta ela. Quem sabe mais pessoas se inspirem a fazer o mesmo.

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