Entrevista com Roberto de Farias: Timmins, Ontário

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Transcrição da entrevista, em áudio, com Roberto de Farias: Timmins, Ontário

Olá. Eu sou Christian Pedersen. Seja bem-vindo a mais um episódio do “Ontário não é só Toronto”. Neste episódio, conversaremos com o Roberto de Farias que mora lá em cima, na cidade de Timmins. Timmins é a segunda maior cidade do país, em área, e fica a mais ou menos 684 km ao norte da capital de Ontário, que é Toronto. E, falando do Roberto, ele é um jovem empreendedor autor de dois livros, que mora na cidade há mais de sete anos, junto com seu parceiro, que é canadense. Então, neste episódio queremos saber: por que o Roberto foi morar em Timmins?

Ontário não é só Toronto, o podcast da Brazilian Wave.
Escute o áudio/podcast desta entrevista com Roberto de Farias

Christian: Olá Roberto, tudo bom?

Roberto: Olá, tudo bem, e você?

Christian: Tudo ótimo! Obrigado por participar do nosso podcast.

Roberto: Eu que agradeço pela oportunidade.

Christian: Até para quem mora aqui em Toronto, Timmins é um lugar curioso e que pouca gente conhece. Roberto, por que você escolheu o Canadá?

Roberto: Tudo começou em 2008, mais ou menos. Eu trabalhava no Banco do Brasil, em São Paulo, e decidi montar um bistrô de comida chinesa, na zona sul de São Paulo. Eu e meu parceiro acabamos adquirindo esse espaço e realizamos o nosso sonho de empreendedores, no Brasil. Em menos de um ano, nós fomos assaltados à mão armada, três vezes. Aí, por conta dos assaltos (foram muito violentos!) eu acabei ficando muito nervoso, desenvolvendo um problema na pele. Eu falei: não, não dá mais!. E acabei decidindo sair do Brasil. A minha intenção era não ir para o Canadá: era ir para qualquer lugar! Aí deu certo. O Canadá era mais próximo e eu já falava inglês. Para mim, a intenção era estar o mais próximo, o mais acessível possível do Brasil e aí eu vim para o Canadá. A minha chegada ao Canadá foi por Quebec. Eu cheguei a Montreal (morei dois anos em Montreal) e, de lá, nesses dois anos, eu fiquei estudando: o que é que eu vou fazer aqui no Canadá?. Porque quando a gente chega aqui, a nossa vida recomeça, né? É como se você nascesse de novo. E aí eu não sabia o que eu ia fazer. Eu tinha como formação, no Brasil, apenas o estudo como esteticista em cosmetologia no Senac de São Paulo (que não é reconhecido no Canadá). Então, era recomeçar, literalmente, duas vezes: profissionalmente, também. Aí eu falei: não posso voltar para a escola para recomeçar a esteticista. Até porque aqui no Canadá, esteticista não tem nada a ver com esteticista do Brasil. Lá, a gente faz drenagem linfática, massagem modeladora. Aqui não! Aqui é unha e cabelo. O que não tem nada a ver. Aqui é cabeleireiro, uma coisa de beleza mesmo. Eu fiquei nesses dois anos estudando as possibilidades de me desenvolver no Canadá.

Christian: Impressionante a diferença. Do restaurante chinês na zona sul de São Paulo e acaba indo para [Quebec]….

Roberto: Pois é. Sai do banco, vai para o restaurante. Sai das finanças, vai para o restaurante. Formado em estética, em cosmetologia, e vai estudar mineralogia no norte de Quebec.

Christian: Você já falava francês?

Roberto: Eu já falava francês. Porque quando eu fiz o processo de imigração para o Canadá, eu recebi uma carta. Eu achei, na minha cabeça, que no Canadá todo mundo falava inglês. Então, para mim, estava ótimo! Aí eu apliquei para Montreal (porque Montreal é a cidade mais linda do Canadá! Então, eu queria morar lá!). Quando eu recebi a carta de convocação, na carta dizia que eu precisava ter, pelo menos, o intermediário de francês. Aí eu fiquei desesperado, né? Fui fazer curso de francês!

Christian: A gente acha que Montreal é meio radical. Mas, o interior é mais radical ainda com francês….

Roberto: Olha, eu vou ser bem honesto com você. Quando eu recebi a carta de convocação, assim… deu uma certa paz no meu coração. E aí, para mim, o francês não era um problema. Porque eu queria tanto vir para o Canadá, que aquilo para mim, era minha motivação. Então, eu contratei uma professora de francês (da França mesmo) que dava aulas em São Paulo. Nós fazíamos aula 5 vezes por semana, 3 horas por dia, todos os dias. A partir daquele dia, eu só assistia a filmes em francês, só escutava músicas em francês. Então, eu fiz uma imersão em francês mesmo, sabe? Quando eu cheguei aqui, a minha única dificuldade foi a de me adaptar ao sotaque francês do Quebec. Porque eu aprendi o francês da França. Inclusive, até hoje, quando eu falo, o pessoal acha que eu sou francês…, da França!. Quando alguém me insulta perguntando se eu sou francês, (porque dá para ver na cara deles que eles estão insultando, né?) eu até recebo como um elogio. Mas, para mim, eu vou ser sincero, não foi tão difícil assim, não. Foi só difícil no começo, para eu me adaptar ao sotaque deles mesmo. Mas, depois que eu me adaptei, pronto! Inclusive, eu fui estudar no Norte em Rouyn-Noranda (que é bem ao norte de Quebec, mais na altura de Timmins mesmo, só que do lado de Quebec), onde o sotaque é bem. Então, você tem que se acostumar, não tem o que fazer.

Christian: Como foi sair de São Paulo e parar em Montreal? Daí, de repente, foi estudar mineração lá no norte de Quebec, que, até para Montreal, é um fim de mundo também…

Roberto: Na verdade, sair de São Paulo e chegar a Montreal, para mim, já foi um choque de realidade muito grande. Porque eu vivi em São Paulo por 5 anos. E, nesses 5 anos, eu vi muitas coisas que me despertaram um desejo de nunca mais querer ficar em São Paulo. Eu queria me mudar para o interior. Eu queria mudar para qualquer lugar, menos São Paulo! Mas, eu acho que é mais por conta de trauma mesmo. Porque São Paulo é uma cidade muito legal. É uma cidade que tem muitas coisas para se fazer. Mas eu acabei ficando traumatizado, então eu queria sumir de lá! Quando eu cheguei a Montreal, é que a gente vê uma outra extremidade da coisa, que é uma cidade desenvolvida também: tem vida noturna, tem vida por 24 horas, tem tudo para se fazer a semana toda e é segura. Então, você já fica bem mais à vontade e, com o tempo, você já não quer mais sair dali. Quando eu cheguei a Rouyn-Noranda foi outro impacto de realidade! Porque Rouyn-Noranda é uma cidade de 40 mil habitantes. São, predominantemente, quebequois, que vivem lá e lá não tem nada para fazer. É uma comunidade bem comunitária mesmo. Todo mundo conhece todo mundo e todo mundo é amigo de todo mundo. Mas, não mais do que isso. Para mim, foi outro choque de realidade. E, no final das contas, eu acabei não me formando em mineralogia. Eu descobri lá, a psicologia. Eu trabalho como terapeuta já há alguns anos.

Christian: Coisa doida né? Se for pensar…

Roberto: Pois é, uma loucura! Eu acabei estudando um pouquinho de psicologia e filosofia hoje, é o que está agregando mais valor ao meu trabalho. Eu percebo muito as coisas. Então, eu fiquei prestando atenção em tudo. Eu percebia, nos dois anos que eu estava em Montreal, que todo mundo que chegava não abria mão de Montreal. Tinha que ser Montreal Só queria ficar lá. Eu cheguei a Montreal falando três idiomas. E aí, eu percebi que pessoas que falavam três, quatro, cinco, seis idiomas estavam trabalhando e ganhando um salário-mínimo. E disputando empregos para ganharem salário-mínimo. E essas pessoas tinham potencial de trabalhar em empregos muito melhores (em salários e em condições), desde que não fosse em Montreal. Eu pensei: quer saber de uma coisa… quando eu estava fazendo um curso de pré-vestibular no Brasil, eu tive um professor de geografia, que sempre falava assim: “não importa aonde você vai morar, desde que você esteja trabalhando no que você quer e ganhando dinheiro. Onde você mora é o que menos importa: porque você pega um avião e vai passear. Porque você tem dinheiro para isso que se chama: qualidade de vida”. E aquilo entrou no meu coração. Hoje eu vivo, justamente, dentro dessa filosofia. Eu moro em Timmins e em Timmins não tem absolutamente nada para se fazer! Mas, quando eu quero, eu pego um avião e vou para Toronto, vou para São Paulo, vou para Florianópolis… eu vou para onde eu quero, porque hoje eu faço o que eu quero e moro onde eu quero morar.

Christian: Eu acho que muito tem a ver. Não é sobre onde você vive, mas como você vive….

Roberto: Porque o inferno e o paraíso acompanham a gente para onde a gente vai. A gente tem que resolver eles dentro de nós, para então, depois, eles refletirem para fora.

Christian: Você sentiu algum preconceito em Montreal ou em Rouyn-Noranda?

Roberto: Em Montreal, não. Nunca senti preconceito nenhum. Em Rouyn-Noranda, também não. Mas Rouyn-Noranda é um lugar assim… como todo mundo conhece todo mundo, você se sente analisado o tempo todo. Inclusive, uma vez eu estava indo para faculdade, de manhãzinha (estava fazendo -60 ⁰C), e um carro parou e [uma mulher] falou: “Roberto vem aqui! “Eu vou te levar para faculdade”. Eu olhei e eu não conhecia a mulher. E a mulher sabia o meu nome! Então, você percebe que todo mundo sabe tudo. Ela sabia que eu era brasileiro. Ela sabia que eu tinha chegado de São Paulo. Então, eu até fiquei com um pouco de receio, porque… como pode alguém que eu nem sei quem é, não sei o nome da mulher, e ela sabia tudo da minha vida? Mas isso porque eles são assim, bem comunidade pequena. Comunitário mesmo o negócio, sabe? Porém em Timmins…

Christian: Porque Timmins, geograficamente, é bem parecido, a princípio [com Rouyn-Noranda], a distância e ambas vivem de mineração, basicamente, né. Mas, pelo jeito, são bem diferentes.

Roberto: A filosofia de Timmins e de Rouyn-Noranda é a mesma: mineração e agroindústria. É isso que funciona aqui para cima. A diferença é que, quando a gente fala que Quebec é praticamente outro país, pode acreditar! É, praticamente, outro país: além de parecer com muito mais como Europa, o comportamento das pessoas é muito mais humanizado digamos assim. Porque o quebequois tem essa coisa de querer fazer com que as pessoas se sintam bem-vindas. Mesmo que eles não gostem do seu partido político, mesmo que eles não gostem… porque tem aquela coisa geográfica. Tem uma cultura geográfica aqui no C (que a gente sabe que existe) entre os quebequois e o restante do Canadá. Porém, aqui, quando a gente passa para Ontário (tem aquela coisa que a gente conhece no Brasil como a cultura norte-americana do individualismo), não é que eles sejam individualistas (ao ponto de eles não se incomodarem com a sua vida e você não é bem-vindo). Não é isso. É que eles são tão individualistas dentro da vida deles. Isso nos dá a impressão de que eles não querem você dentro da vida deles, mas não é bem assim que funciona. Porém, nós não estamos falando de Ontário. Estamos falando de uma cidade localizada em Ontário, que é Timmins. E aqui na cidade de Timmins existe um preconceito gigantesco contra qualquer pessoa que não seja nascida aqui. Têm alguns outros preconceitos que estão atrelados a isso também. Então, se você for canadense e você não for nascido aqui, você também vai sofrer preconceito. Porém, se você for imigrante, o preconceito é muito maior e é descarado. Eles não têm vergonha de falar. Então, às vezes, você sofre preconceito no meio da rua em Timmins.

Christian: Você já passou por isso?

Roberto: A gente passa por situações às vezes. Sabe aquela agressão que não é verbal, mas está lá? Ela existe e aqui isso é muito comum. Hoje, eu já estou acostumado. Mas, só para você ter uma noção, há dois anos, eu convidei a minha mãe para vir me visitar aqui, passar dois meses comigo. Ela não fala nem uma palavra em inglês e a gente foi ao shopping. Ela percebeu que as pessoas estavam falando dela e eu falei: não, mãe, imagina. Não é!. Eu sabia que era, mas… (Mãe, me perdoa, mas foi para o seu bem! rsrsrs). Existe preconceito sim. Porém, a gente não pode só apedrejar a cidade. Porque se fosse só ruim eu não estava aqui, né? A cidade é muito bonita! Em termos de acesso à natureza, aqui é um lugar incrível. A gente tem a aurora boreal aqui, muitas vezes por ano. É um lugar legal para se ver a aurora boreal. E não é tão ao norte assim! É ao norte, mas não é tão ao norte assim, então é aceitável! Então assim, é um lugar muito bom para passear, para fazer turismo e para ganhar dinheiro. Inclusive, têm muitos imigrantes que vêm para cá, só por conta do trabalho. Se você quiser fazer o seu pé-de-meia no Canadá, venha pra cá. Você, com certeza, vai ser bem recebido. Porque falta gente aqui. E vai ajudar você a ganhar dinheiro. Porque a gente percebe isso aqui. Inclusive, nas farmácias, tem uma rotação muito grande de farmacêuticos. Porque não têm aqui na cidade e tem que vir de fora. E o pessoal que vem de fora, vem de Toronto! Justamente, porque compensa vir para cá. Não para se mudar para cá: eles continuam morando em Toronto e vêm e voltam o tempo todo (tão grande é a possibilidade, aqui, de se lucrar com o trabalho). As minas estão em expansão o tempo todo. Acabaram de abrir mais duas minas. Abriram, oficialmente, então vão começar a contratar nos próximos meses. O trabalho é uma coisa que não para nunca. Então para quem quer vir fazer um pé-de-meia, sejam muito bem-vindos. Mas venham com a certeza de que tem o seu lado positivo e tem o seu lado negativo. A gente sabe que vai enfrentar uns probleminhas, antes de chegar lá.

Christian: Você tem um fator a mais nessa história. Porque, assim como eu, você também é gay. Então, é um é uma mais essa história, né? Então, como é que é? É brasileiro, é gay, é tudo mais. Como é que faz?

Roberto: A única parte que eu não sou é negro, né? Aqui em Timmins é assim: se você for negro, você é mal visto; se você for indígena, você é mal visto; se você for imigrante, você é mal visto; se você falar com sotaque, você é mal visto. Então, aqui tem um monte de problemas. Quem vem para cá para ganhar dinheiro, ganha dinheiro. Mas, tem que saber que vai enfrentar esses problemas. Para mim, particularmente, é um pouquinho pior, por conta desse fator, que é a homossexualidade. Eu tenho meu parceiro. Então, para mim não fez tanta diferença, porque eu não preciso ir atrás de uma vida social dentro do cenário gay. Mas, se eu precisasse, eu sofreria, com certeza. Porque aqui, você percebe que as pessoas são tradicionais. Os valores aqui são diferentes, digamos assim: você não pode se vestir um pouco melhor, porque as pessoas vão olhar você; se você falar diferente, eles vão olhar; se você tem um cabelo diferente, eles vão olhar (que é o meu caso, eu tenho cabelo comprido). O pessoal olha bastante… não é tão fácil assim. Mas, não é impossível de sobreviver. Além da cultura nacional, tem a cultura local. Eu conheço outras cidades de Ontário e sei que não são todas assim. Então, nós não podemos localizar o problema como se fosse um problema da província. Porque não é. Aqui na cidade tem 44 mil habitantes e mais de 50% são First Nation….

Christian: Só para explicar, First Nations (ou Primeiras Nações) é um termo utilizado na América do Norte, principalmente, aqui no Canadá, para se referir a etnicidade dos povos indígenas localizados no atual território do país, bem como seus descendentes.

Roberto: A outra quase metade da população está aqui, está só por conta do trabalho. Porque tem muitas minas. Eu não tenho vida social aqui. Então, o que eu fiz? Eu me afundei no trabalho. Eu desenvolvi o meu negócio e acabei me afundando no trabalho. Eu trabalho o tempo todo, então, não me afetou tanto.

Christian: Como você ficaria aí, se não fosse o seu parceiro? Será que seria muito mais difícil ou você nem estaria aí a essa altura, se não fosse isso?

Roberto: Eu não estaria aqui. Quando eu vim para cá [Timmins], eu estava quase me formando no curso de mineralogia. Ele queria que eu viesse para cá, então eu falei para ele: eu só vou se eu conseguir um emprego, dentro da minha área. E aí, ele conseguiu um emprego, antes mesmo de eu me formar. Então, por isso que eu me mudei para cá. E era um emprego muito bom, porque aqui nessa cidade, se ganha muito dinheiro. Então, se você quer ganhar dinheiro, como eu disse, é só vir para cá. Então, eu vim correndo por conta do dinheiro. Mas eu acabei não gostando do trabalho. Porque para quem trabalha na área de mineralogia, as pessoas sabem, não é um trabalho muito pesado para quem estuda. Mas é muito perigoso para a saúde. Porque você está em contato, o tempo todo, com produtos químicos e eu sou uma pessoa muito saudável. Então, quando eu comecei a trabalhar, vi que não era bem o que eu imaginava. Nenhum dinheiro do mundo me faria ficar lá e eu acabei desistindo. E foi a desistência de trabalho que me fez voltar para o meu próprio negócio. Porém, se não fosse o meu parceiro, eu, com certeza, não estaria mais aqui. Porque a cidade em si, como eu não tenho vida social (isso para mim é muito importante e eu tinha isso em Montreal e eu tinha isso em Rouyn-Noranda), com certeza, eu voltaria para Quebec.

Christian: Rouyn-Noranda tem vida social? Mesmo uma cidade pequena?

Roberto: Ah sim! Em Rouyn-Noranda, eu cheguei e em 15 dias eu já estava sendo convidado para tomar café na casa do pessoal. Eles são bem amigáveis!

Christian: Aí você teve que se reciclar… de novo!

Roberto: Quando eu cheguei (que eu desisti daquele emprego), eu comecei a repensar as possibilidades. Porque eu queria fazer com que a minha relação funcionasse, mas eu não queria ficar desempregado. Então, eu comecei a ir a tudo quanto era departamento aqui do governo, para ver cursos, empregos…. e bem na primeira semana eu recebi um e-mail dizendo: vai ter aqui um curso de Desenvolvimento Organizacional e Empresarial. Se você quiser participar para abrir uma empresa, vão ser oferecidas bolsas e você pode se qualificar. Eu fui e gostei. Não me qualifiquei porque tudo o que eles queriam oferecer era voltado para mineralogia, para a agroindústria e coisas que não tenho interesse. Mas, eles me ajudaram a desenvolver a ideia do meu negócio, que é o que eu faço hoje. E aí eu falei: quer saber de uma coisa? Eu vou tentar!. Eu tentei e, graças a Deus, deu certo!

Christian: Começar a vida em outro país é complicado. Ainda mais, na parte de emprego….

Roberto: Quando eu cheguei eu fiquei 2 anos, em Montreal e não tinha emprego. Nenhum. Assim, então, se eu fosse escolher um emprego, eu ia, com certeza, ficar desempregado o tempo todo. Então, o que é que eu fazia? A única coisa que eu sabia fazer era massagem. E brasileiro é o que não falta em Montreal! Então, eu comecei a colocar anúncio: esteticista brasileiro chegando a Montreal atende a domicílio. Comprei uma maca, comprei um monte de produtos. Já quando eu cheguei aqui em Timmins, o emprego era bom, o salário era bom. Eu estava ganhando, na época, há 7 anos atrás, no meu primeiro emprego, Can$35 por hora. Era um excelente emprego! E depois de 8 horas de trabalho, dobrava o valor, porque o trabalho era dentro de mina. Então, os valores aqui são realmente muito bons. Nossa, eu adorava fazer hora extra (rsrsrs), mas não era o que eu queria. Estava acabando com a minha saúde. E aí, foi quando eu comecei a repensar tudo: existe dentro de nós, como seres humanos, uma coisa que se chama “a necessidade é a mãe de todas as coisas”. Eu tinha a necessidade de criar “um filho”, naquele momento, que era o que ia me trazer o sustento. Eu sou o tipo de pessoa, que eu tenho que trabalhar dentro daquilo que me traz satisfação e prazer. Senão, eu não consigo trabalhar. Tanto que eu abri mão daquele emprego (maravilhoso por conta do salário), porque eu não estava satisfeito lá. Aí, entra um processo de reconhecimento: você tem que se reconhecer, se conhecer como pessoa, fazer uma análise de si mesmo para entender o que você quer fazer, o que você gosta, até você chegar nesse caminho. Mas eu garanto para qualquer pessoa que estiver chegando aqui, qualquer imigrante que estiver chegando, que nós não vamos chegar ganhando uma mina de ouro. Isso não existe! A gente tem que entender uma coisa: quando a gente chega ao Canadá, é como se você tivesse que dar 10 passos para trás para depois dar 15 para frente. Não dá para chegar já dando passos para frente. Eu tenho uma amiga (de Montreal), que ela é uma grande diretora de uma grande empresa, no Brasil. E ela deixou isso para vir para o C. Quando ela chegou aqui, ela não conseguiu (óbvio), se recolocar no mercado (lá no Brasil ela tinha uma grande posição). Ela foi trabalhar como atendente no supermercado, caixa de supermercado. Ficou por três meses, pediu as contas e já voltou para o Brasil. Hoje, ela voltou a ser diretora, em outra grande empresa no Brasil. Mas, porque eu estou contando isso? Para as pessoas entenderem que há possibilidade de crescimento. Porém, a gente não pode ficar preso naquilo que a gente é. A gente precisa ser desconstruir para se reconstruir, o tempo todo! Se nós não formos capazes de fazer isso, a gente nunca consegue. Hoje, faz dois anos e cinco meses que eu abri as portas, oficialmente, do meu negócio. E a gente conseguiu (com todo esse esforço que eu estou falando de desconstruir e reconstruir) alcançar clientes do mundo todo. Nós estamos em 24 países, atendendo, inclusive, celebridades do Brasil. Coisa que eu nunca imaginei fazer na minha vida! Então, hoje, eu vejo assim: todo esforço vale a pena. Mas, a gente precisa entender que o esforço está lá e tem que passar por ele. Como imigrantes, a gente tem que entender isso, senão a gente não vai conseguir ir para frente, nunca!

Christian: Qual a importância do inglês, principalmente aí na região? Você acha que chegar aí sem falar inglês, dá certo?

Roberto: Não, não dá certo! O inglês, aqui onde eu moro, é extremamente importante! Só para você ter uma noção, quando, como imigrantes, a gente chega ao Canadá… a gente sabe que o Canadá tem uma estrutura para oferecer para os imigrantes cursos de inglês, aonde quer que ele queira se estabelecer no Canadá, certo? Aqui em Timmins não existe isso. Faz 7 anos que eu estou aqui e desde que eu cheguei, eu estou esperando para ser convidado para participar de algum curso. Porque não quero perder o que eu sei. Em casa eu falo mais francês, porque o meu parceiro é bilíngue. Mas, a gente se conheceu em francês e acaba ficando só francês. Agora, faz duas semanas, eu recebi o primeiro convite. Eles vão começar um projeto (não é nem o curso ainda!) para ver se vai dar certo. Porque não tem gente suficiente para começar a falar inglês. Então, eles estão tentando, querendo implementar aqui. As pessoas que chegam aqui, geralmente, já falam inglês. Então, se você vier para cá sem inglês, você vai sofrer. Aqui não dá para fazer nada sem inglês! Até porque, se você não falar o inglês, eles não vão te contratar por conta do preconceito. Porque o preconceito aqui, infelizmente… aqui na cidade que eu moro, ganha-se muito dinheiro, mas o preconceito é muito estruturado. Eles nem percebem! Inclusive, eu falo isso de vez em quando para o meu parceiro, porque ele não percebia que ele também era [preconceituoso]. Ele percebeu por conta de mim. Porque está convivendo agora com um imigrante que está tentando se colocar no mercado de trabalho. Então, a gente percebe que nós, como imigrantes, temos uma força. A gente não sabe nem onde está essa força, mas a gente tem! Eu sei disso porque eu tive que tirar ela de algum lugar. Então, a gente percebe. Eles nem acham que são preconceituosos. Mas o preconceito existe. Então, sem inglês, você não vai conseguir nem emprego para faxinas, com certeza!

Christian: Pelo jeito não tem brasileiro aí. Só tem você?

Roberto: Só tem eu de brasileiro. Tem uma portuguesa e eu de brasileiro. Imigrantes que vêm para ficar e morar são poucos. A maioria vem para estudar, para fazer aqueles estudos COOP: que estuda e trabalha. Mas depois vão embora, não ficam aqui. Então, são poucos os imigrantes. Os imigrantes que estão aqui hoje (que são os brancos que moram aqui) são os imigrantes que chegaram há muitos anos (avós), aí ficaram os filhos, ficaram os netos e acabaram formando a cidade. Eles nem se acham mais imigrantes mais. Eles acham que são canadenses mesmo.

Christian: E o custo de vida? Você falou que tem como ganhar bem aí. Mas como é que? Os apartamentos, as casas, o aluguel é caro?

Roberto: Para você imigrante que está querendo se mudar para Timmins, o custo de vida aqui é caro também. Então, ganha-se muito bem mas gasta-se muito também! Um aluguel de uma casa simples, daquelas bem simplesinhas mesmo, é no mínimo Can$1,000.00. Você não vai pagar menos que isso. Então, se você quiser dividir, (com eletricidade, água e internet) vai pagar em torno de Can$1,300.00 a Can$1,400.00 por mês. Então, quando as pessoas vêm para cá (a maioria das pessoas que vem para cá para estudar e trabalhar), eles alugam junto com outras pessoas, o que acaba facilitando um pouco. O custo do supermercado é um pouco mais caro do que aí no sul. Então, eu percebo que, quando eu vou para Montreal ou para Toronto, eu me sinto até rico! Porque, Nossa Senhora, o preço muda! Inclusive a gasolina. Porque, às vezes, a gasolina está aí a Can$0.90 e aqui está a $1.30 ou Can$1.40. Então, é bem mais caro! Mas, no final das contas, quando você coloca tudo no papel, na ponta do lápis, você ganha muito morando aqui por um tempo: para fazer o seu pé de meia. Rouyn-Noranda, já entra no preço ordinário das coisas. O salário é baixo, o aluguel também é mais barato, o custo de vida lá é mais barato. Mas, também, não tem a mesma quantidade de minas que tem aqui. Lá é uma cidade mineradora para estudo. Aqui onde eu moro é estudo e trabalho! Aqui têm muitas minas e lá não têm.

Christian: E o transporte aí, como é?

Roberto: Uns 90% da população tem carro, aqui na cidade. Mas, tem ônibus. Eu tenho ônibus, inclusive, na porta da minha casa. Funciona bem, mas a cidade também não é tão grande. Assim, 44 mil habitantes é pouco. Parece muito, mas não é. E a cidade, em termos geográficos, ela é muito grande porque tem a parte que não tem ninguém morando, que é a parte verde, que é muito, muito grande. Inclusive, se eu não me engano, é a maior cidade geográfica do Canadá. Nós pagamos os maiores impostos do Canadá, aqui em Timmins. Mas a cidade, ela mesma, o centro da cidade onde as coisas acontecem, é bem pequenininha e não tem muita coisa acontecendo, não. Então assim, vida noturna não existe. Vida social não existe. Bares e cafés não existem. Resumindo, não tem nada para se fazer em Timmins, em termos de vida social. Se você é uma pessoa como eu, que gosta de vida noturna… se pretende morar aqui para ter vida noturna, não vale a pena, não venha! Mas, lembra que eu falei que nós temos um preconceito estruturado aqui? Lembra que eu disse que de 44 mil habitantes, mais da metade da população são aborígenes, são indígenas? Por conta de ter um preconceito estruturado também contra os indígenas, criou-se outro problema social envolvendo drogas e bebidas. Então, Timmins é uma cidade para quem quer ganhar dinheiro. Fazer um pé-de-meia e ir embora. Não é um lugar para você vir e constituir uma família, ter crianças. Eu não teria filhos aqui, por exemplo. De maneira alguma. Porque o problema com drogas é muito grande. Justamente porque se ganha muito dinheiro e não se tem nada para fazer na cidade. Então, a única coisa que eles têm para fazer é beber e usar drogas. Tem alguns bares noturnos que, para eles…, eles consideram como se fossem bares de baladas. Mas, na verdade, é um lugar que se você quer ir para se divertir mesmo, você nem consegue. Você chega, fica 5 minutos e vai embora. Porque você percebe que é um lugar que o pessoal vai, justamente, para beber e usar drogas. Então os problemas sociais que cidade tem, junto com o crescimento econômico, são proporcionais.

Christian: Já que estamos falando em estruturas e aspectos sociais, como é a segurança aí, para você que você passou por três assaltos em São Paulo? Como você vê a segurança em Timmins?

Roberto: Olha, eu achei que a gente não ia falar desse ponto, mas…Timmins não pode ser considerado como uma referência na Província de Ontário. Porque é a cidade mais perigosa de Ontário. Se não me engano é a terceira mais perigosa do Canadá e é a mais perigosa de Ontário. Então assim, quando você vem para cá, como imigrante, você tem que ter na sua cabeça, que você não está vindo para cá para ter uma vida social. Você está vindo para cá para fazer dinheiro, fazer o seu pé-de-meia. Só isso. Porque, justamente, como eu falei, nós temos um preconceito estruturado e esse preconceito estruturado criou problemas sociais na cidade. E a cidade não tem uma estrutura administrativa que vai trabalhar para resolver os problemas. Eles ficam tentando resolver, por exemplo, assim: indígenas que moram na rua, eles vão lá e ajudam a encontrar um shelter (um abrigo). Mas eles não fazem mais do que isso. Não existe um trabalho social para ajudar essas pessoas a se recolocarem no mercado de trabalho. Inclusive, por conta do preconceito estruturado, eles não conseguem arrumar emprego. Então virou um ciclo vicioso, que mantém a cidade do jeito que ela é. Existem muitos problemas de segurança. Infelizmente, quem mora aqui tem que ter carro, justamente para não ter esse problema. Só para você ter uma noção, há três semanas, uma senhora de 80 anos foi assaltada na porta do supermercado e a pessoa que a assaltou, bateu nela (80 anos, pensa nisso!) para tomar a bolsa. Então, não é seguro para, absolutamente, ninguém! Nem para uma pessoa de 80 anos, que muitas vezes, nem anda com dinheiro na carteira. Ela apanhou, se machucou (tadinha, fiquei morrendo de dó!) por conta desse preconceito estruturado. Então assim, não é que existe o problema, existe um problema. Percebe? É um problema generalizado. A segurança aqui é uma coisa que me preocupa.

Christian: Você tem aquela mesma sensação de insegurança que você tinha no Brasil?

Roberto: Não…não tem nem comparação! Embora nós estejamos morando na cidade mais perigosa de Ontário, a gente sabe que qualquer problema, você chama a policia e eles vão vir imediatamente. Existe todo um patrulhamento…o trabalho é feito! É que ele é feito dentro daquilo que é possível. Não tem comparação, é claro! Por exemplo, essa senhora que eu acabei de falar, que foi assaltada, a pessoa que bateu nela estava alcoolizada. Era uma mulher também, que bateu nela para roubá-la, porque achou que ela tinha dinheiro. Mas, aqui no Canadá e aqui na cidade de Timmins (vou falar aqui da cidade), eles vão pensar três a quatro vezes antes de te bater, antes de fazer alguma coisa com você, porque eles sabem que a cadeia existe e o que vai acontecer é que eles vão para a cadeia. Diferente lá de São Paulo, onde eu fui assaltado: eles assaltam, eles batem e se você chamar a policia, eles voltam e te batem de novo. Uma das coisas que me marcou no assalto lá [em São Paulo] foi que o assaltante me disse: “se você chamar a polícia eu vou preso, quando eu sair eu volto e eu sei quem é você”. Aquilo me marcou muito porque foi a primeira vez que eu ouvi aquilo. Eu recomendo sim, que as pessoas venham para cá para conhecer, para passear, para estudar. Tem escola boa aqui para quem quer estudar agro ou mineralogia. Inclusive, enfermagem também. As escolas são boas. Os empregos são bons, o salário é bom. Mas, não venha com a intenção de querer estabelecer uma família aqui, de viver aqui, achando que vai ser um lugar seguro. Porque quando a gente pensa no Canadá, a gente pensa em um dos lugares mais seguros do mundo. Mas Timmins não é uma referência para segurança. É uma referência para se fazer um pé-de-meia, ganhar o seu dinheirinho. Nós, como imigrantes, nós viemos para o Canadá para buscar qualidade de vida. Então, vamos manter o foco. Então, agora, feito o pezinho de meia, não seja ganancioso, não queira ser o Rei Midas. Pegue o seu pezinho de meia e vá para uma cidade mais tranquila, mais calma, onde você pode ter a qualidade de vida que você está buscando. Não se esqueça de que este é o objetivo final, senão você vai morrer buscando.

Christian: Tem outro assunto importante para falar, que é o inverno. Como é? Muito pesado, no geral?

Roberto: Timmins é considerada a cidade mais fria do mundo. Porque lá na Rússia tem uma cidade que faz frio por mais tempo. Mas aqui é onde alcança as menores temperaturas. Faz – 65 ⁰C entre janeiro e fevereiro (que é quando eu viajo para o Brasil).

Christian: Aqui em Toronto, quando se fala – 20⁰C, já assusta metade do povo. Temperatura de -60⁰C, para gente, aqui, é assustador.

Roberto: No ano passado, eu decidi voltar do Brasil, antes da hora (geralmente, eu fico até fevereiro, março). Eu decidi voltar no mês de janeiro. Falei: ah, o pior já passou!. Aí eu vim. Eu cheguei no dia que tava fazendo -67⁰C! Eu nunca tinha sentido uma dor de cabeça como eu senti naquele dia! Porque eu desci do avião e (na hora!) foi como se eu tivesse congelado. Foi a primeira vez na minha vida que eu senti aquilo! Aí eu falei: gente, está tão frio assim?!. Depois, quando eu olhei, vi que estava -67⁰C. Eu me assustei, porque eu nunca tinha pegado essa temperatura. Mas, é normal aqui, por um ou dois dias só. Mas faz! Bate recorde.

Christian: E tem muita neve aí, no geral?

Roberto: Muita neve. Já está nevando faz três semanas e, geralmente, a neve acaba, aqui, no mês de junho.

Christian: É bonito por um lado, mas de certo ponto é deprimente…. três meses, quatro meses depois…. talvez, até o fim de abril, vai ser impossível usar shorts na rua ou camiseta. Vai ser casaco até lá! Isso, aqui [em Toronto]. Então, imagina aí [em Timmins]!

Roberto: Eu acho lindo e, também, eu gosto! Por exemplo, agora tá fazendo -13⁰C e, para mim, está uma delícia. Mas, começou a fazer – 15⁰C, – 18⁰C, – 20⁰C…. eu já começo a me assustar um pouco (que é quando eu começo a fazer minhas malinhas para ir para o Brasil).

Christian: Você comentou que, eventualmente, poderia se mudar para Montreal. E em Ontário, você iria para alguma cidade? Qual seria?

Roberto: Na verdade, estamos cogitando Toronto e Montreal. Eu vou te falar porque nós decidimos por Montreal, até agora: porque Montreal tem uma cultura do “não ocupado”. As pessoas lá (no Quebec em geral) não estão enfiadas no celular, no computador. Elas estão na rua conversando, tomando um vinho, convidam as pessoas para conversar, para ir à casa delas. Coisa que, na província de Ontário, isso, não existe muito. Então assim, mesmo quando estou em Ottawa [que fica na província de Ontário] e vou para Gatineau (que é do lado! Atravessou a ponte ali, de 100 m e você já está na província de Quebec), você vê a diferença cultural. Então, por conta de que eu estou buscando, qualidade de vida associada à vida social (receber amigos e ir à casa de amigos), Quebec, para mim, seria melhor. Por conta dessa opção. Toronto é o lugar onde eu queria ir para poder estar perto da conexão mundial: você pode ir para qualquer lugar do mundo. Se você quiser ir amanhã para França, para Paris, você pode ir. Os voos são mais acessíveis em termos de preço e mais rápidos para você chegar ao seu destino final. Mas, eu prefiro Montreal pela cultura mais abrasileirada, sabe? É mais europeia, uma coisa que a gente está mais acostumado, no Brasil.

Christian: Se o Roberto de 2010, que está chegando a Montreal, perguntasse para você “que conselho você daria para mim?”, o que você diria para esse Roberto lá de trás?

Roberto: Eu falaria para o Roberto a mesma coisa que eu falaria para qualquer imigrante: não se prenda a um lugar geográfico. Essa lição que o meu professor de geografia me deu (e eu nunca mais vou esquecer) serviu para mim assim de uma forma tão… me abriu tantas portas na vida que, hoje, esse conselho eu dou para todo mundo: não se prenda a um lugar geográfico. Encontre dentro de você aquilo que te faz feliz, aquilo que você ama e que faz o teu coração vibrar. Trabalhe em cima disso, com muito amor, porque os teus clientes, o teu patrão, seja quem for que você vai prestar serviço ou trabalhar, as pessoas vão notar o amor ali. E vão valorizar aquilo que você está fazendo. Aquilo vai virar referência e você vai acabar encontrando resultados dentro daquilo que você não imaginou que encontraria. Isso acontece quando a gente para de agradar aos outros, quando a gente para de querer agradar o nosso próprio ego. Porque, muitas vezes, a gente fica preso “naquilo que eu quero, que eu desejo, é isso que eu vou fazer”. E aí você não vê as outras opções, porque o seu ego não permite que você veja. Então, quando você se diminui dentro do seu ego e você cresce como ser, para ver todas as opções que o Canadá tem a oferecer, você percebe que estar em Montreal ou estar em Toronto ou estar em qualquer outro lugar é uma questão de escolha que te faz enxergar o teu potencial, dentro de você mesmo. Porque a partir do momento que você enxerga isso, o resto é só o resto!

Christian: Agora sabemos por que o Roberto foi morar em Timmins e em nome da equipe da Wave agradeço ao Roberto pela entrevista. Vale o esclarecimento de que são opiniões e experiências relatadas pelos nossos convidados. O que não significa que será a mesma coisa para outra pessoa. O importante desses episódios é que as pessoas conheçam um pouco de como é morar e viver nesses lugares. Se você chegou até aqui, agradeço a audiência e até o próximo episódio.