Entrevista com Christian e Ana Carolina: Por que fizemos a série de podcast Ontário não é só Toronto?

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Leia abaixo a transcrição do áudio/poscast de introdução de:
Ontário não é só Toronto

Christian: Olá, eu sou Christian Pedersen. Seja bem vindo ao episódio número zero do Ontário não é só Toronto

Christian: Comigo, via Zoom, está a Ana Carolina Botelho. Olá, Ana!

Ana: Olá, eu sou a Ana Carolina Botelho. Falo aqui de Belo Horizonte e, no momento, tenho a companhia de três agradáveis e queridas cadelinhas pets, que me acompanham nestes tempos de pandemia, aqui no Brasil.

Christian: pois é. São esses tempos de pandemia, onde tudo é normal e tudo é diferente ao mesmo tempo. Você com as cachorrinhas aí e eu aqui em Toronto, em casa, torcendo para os vizinhos não fazerem barulho ou nada que venha da rua.

Ana: Muito bom. Que delícia! E essas nossas ideias de podcasts então, Christian?

Christian: Primeiro eu vou explicar o que é um podcast. Podcast é como um programa de rádio… mas não é. Em vez de ter uma hora certa para ir ao ar, você houve quando e como quiser. Ao invés de sintonizar em uma estação de rádio, você acha na internet e de graça, na maioria dos casos. Você pode ouvir um podcast através de um site, em uma plataforma de música ou até em um aplicativo só de podcasts, no celular. Então, você vai ouvindo no trânsito, no ônibus, em casa. Você também pode baixar o episódio no seu celular ou no computador e ouvir ou guardar pra você, se você quiser.

No caso da Brazilian Wave, nós temos a série Como é no Canadá, que fala sobre como funcionam as coisas por aqui. Temos, também, a série de entrevistas Wave on the Go com artistas, músicos, atores, personalidades e tudo o que for interessante. E agora, essa nova série que é a Ontário não é só Toronto. Aliás, você pode ouvir o nosso podcast em várias plataformas e também aqui no site da Wave: www.brazilianwave.org. E, no nosso caso, como somos da Brazilian Wave, o nosso podcast, essa série, é sobre a província de Ontário, que é onde a revista está e onde a maioria da equipe mora. A ideia é falar das cidades da província que não são Toronto. Toronto é a capital de Ontário e geralmente, as pessoas imigram para cá ou vem estudar, pensando nas cidades maiores. Como Toronto em Ontário, temos Montreal, em Quebeque, Vancouver, na Columbia Britânica…então, a gente achou que seria interessante mostrar as cidades do interior de Ontário, que podem ser boas opções para imigrar, estudar e ter uma nova vida.

Ana: Quando eu fui ao Canadá, foi muito interessante, foi uma viagem rápida. Mas no meu retorno, vários brasileiros amigos ‒ou amigos de amigos‒ me perguntavam como era em Toronto, o que eu tinha conhecido de outras regiões do Canadá. Então, foi uma série que, para mim, foi muito agradável de desenvolver e muito estimulante. Porque, não só eu fui aprendendo nas entrevistas, nas conversas com pessoas que já moram há tantos anos no Canadá, como eu pude, também, dar retorno para brasileiros, para conhecidos que me perguntam, pelo fato de eu trabalhar junto à equipe da Brazilian Wave, como é morar no Canadá. Então, eu espero sinceramente, que esse nosso empenho, essa nossa gostosura do desenvolvimento da série, consiga passar para os nossos espectadores, para os nossos leitores do portal e para quem está escutando os podcasts, a riqueza que a gente quis aqui apresentar nos temas, nos tipos de entrevistados, nas profissões..com pessoas mais jovens, pessoas mais velhas… lá pra cima o norte da província de Ontário ou mais perto de Toronto. Então eu, sinceramente, faço essa abertura com muito carinho. A gente está oferecendo um produto de qualidade tanto no Canadá quanto no Brasil. E para outros que acessem as nossas entrevistas e bate-papos.

Christian: Com certeza! Porque o importante é mostrar que existe vida fora de Toronto. Toronto, logicamente, é uma cidade grande, uma cidade agitada, dinâmica, cheia de coisas. Mas, no interior também existem oportunidades que a pessoa pode ter. Às vezes, se sai até melhor por lá, do que em Toronto, por exemplo. A qualidade de vida é mais tranquila, há maiores oportunidades de emprego e até na parte de saúde, talvez seja menos procurada que na cidade maior. Então, conversando com esses brasileiros, a gente pode entender um pouco, como é morar em outras cidades, que não Toronto.

Ana: Até porque, na série, a gente ganha compreensão de que a realidade do Canadá é muito diferente da realidade do Brasil. Quando a gente fala de uma cidade com menor número de habitantes, no Brasil a gente pensa em uma situação de menos oportunidades. Mas, no Canadá, os serviços, os empregos, o dinamismo econômico, eles se refletem em vários padrões de cidade. E uma coisa muito bacana também…..por exemplo, eu fiquei em Kanata, ali um subúrbio de Ottawa. Quando eu fui buscar por informações da cidade, eram informações muito padronizadas, muito repetitivas, que às vezes eu ficava com dúvida, as julgava até mesmo superficiais porque ficavam tão repetitivas e banalizadas, que eu me perguntava: “será que quem mora lá em Kanata enxerga desse jeito a cidade?”. Então esse olhar das experiências, onde a gente traz a cidade a partir da experiência de um morador, de uma pessoa que já mora lá há algum tempinho, é que eu acho muito bacana. E é algo que a gente não encontra com facilidade na internet, por exemplo.

Christian: Principalmente, quando a experiência vem de um outro brasileiro. Porque tem um pouco de conexão entre todo mundo, né? Nós temos coisas em comum. Até para mim que já estou aqui há quase 20 anos, foi interessante ouvir histórias e experiências de cidades, outas visões. Bem enriquecedor, inclusive.

Ana: Exatamente. Tem pessoas que vieram quando a migração não era um movimento forte no mundo e muito menos, dentro das relações Brasil-Canadá. E têm pessoas que vieram mais recentemente, com estratégias de estudar e acabaram ficando… ou outras que já se planejaram desde o Brasil, para chegarem com uma coisa mais estabelecida. Então, a abordagem é muito bacana porque tem, primeiro, a questão geográfica: Ontário não é só Toronto. Atenção brasileiros, atenção mundo…vai muito além de Toronto. Mas, para eu que não conheço nada ou que conheço pouco, o que isso quer dizer? Eu tenho família… tem escola e será que vale a pena? O transporte é fácil, é caro? O inverno?… então, são muitas questões subjetivas que a gente lê em muitos lugares, mas, vêm naquele padrão: clima, custo de vida, quanto custa o aluguel…e não é exatamente uma narrativa de uma experiência. E isso, acho que é o diferencial desses podcasts. Porque não é aquela institucionalidade, por exemplo, da central de migração canadense, das agências que apoiam a migração. São experiências de brasileiros que poderão até vir a ser futuros contatos e citações de associações de grupos de brasileiros que sugerem, dentro de uma mesma cultura, como é morar no Canadá: um Canadá que não é só Toronto.

Christian: E cada experiência é relativa também. Não quer dizer que a experiência dela vai ser igual para uma outra pessoa. Pode ser que uma pessoa não tenha tido a mesma boa experiência nestes lugares. A intenção, mesmo, é mostrar que, realmente, você pode ter uma vida legal, pode ter uma experiência interessante, vai ter um caminho, vai ter um norte, talvez.

Ana: Tem cerca de um mês, uma pessoa me procurou por Watsapp, sabendo desse trabalho da revista, e perguntando assim: “mas, vai sair em vídeo ou em podcasts?” Eu digo: “nós vamos lançar em podcasts porque é mais leve”. Nós, no Brasil, temos uma situação de conexão, de qualidade de internet: dependendo do ambiente onde você está, você tem mais acesso ou menos acesso ao sinal. Então, achei bacana porque era um jovem de uns 26 anos e ele disse: “eu estou achando ótimo porque enquanto eu estiver no metrô eu posso ir escutando a série de vocês”. E achei uma graça porque foi iniciativa dele me procurar para vir me perguntar e manifestou, justamente, essa adequação do formato da mídia. E eu acho gostoso, nós somos de um período, onde, também o rádio era muito importante. Então, a vivacidade da voz, ela é muito diferente de uma vivacidade voz-imagem. Então, as experiências ‒eu não sei se você teve a mesma percepção que eu‒, mas a gente sente a emoção até da pessoa! A gente não vê a emoção. A gente sente a emoção da pessoa quando narra os momentos melhores de realização ou até mesmo, as dificuldades de todo o processo que galgou para chegar lá…que hoje tem uma empresa…porque, Christian, olha só, eu estava pensando aqui… dentro desses nossos 10 entrevistados ‒ quem sabe até uma série que poderá vir a se expandir‒, nós pegamos o campo das artes, por exemplo: entrevistamos uma profissional da música, que também trabalha com a educação de crianças, justamente, nessa parte musical e a gente entrevistou um profissional que já escreveu dois livros. Nós trabalhamos, também, no campo, por exemplo, dos negócios: muita gente empreendedora que chegou e batalhou pra caramba e hoje está satisfeito e conta com orgulho, das suas conquistas.

Christian: Tem gente que acabou de chegar, que está há dois anos, que ainda está trabalhando, pegando emprego em lojas, se instruindo, estudando para conseguir chegar em um lugar diferente.

Ana: Exatamente. Que está em uma etapa ainda iniciante. Achei superinteressante, que a gente pegou o universo espiritual, religioso. A gente conseguiu entrevistar uma pessoa que falou, desde a sua percepção, de toda a sua trajetória, de décadas, no Canadá. Mas, com uma visão: que integra realização profissional com o lado espiritual, dentro de outra cultura, dentro de outro universo. Então, eu, sinceramente, desejo, tá… eu deixo aqui o meu recado: que o nosso esforço como equipe e a nossa qualidade de trabalho possam contribuir para você que quer sair (do Brasil) ou que está no Canadá e também, para aqueles que mesmo não tendo essa vontade, vão se distrair ‒porque são experiências de vida muito ricas. Eu acho que não se resume ao universo Brasil-Canadá, mas se trata também de pessoas, caminhos de pessoas, caminhos de vida, histórias de vida.

Christian: Sim. Porque as histórias servem para outros lugares, também. A pessoa que vai para outras províncias do Canadá, outros países, também pode ter o mesmo tipo de…porque, na verdade, acho a impressão que eu tive de tudo é que a imigração é muito parecida até! Pode ter muitos motivos diferentes, mas, no fim, essas experiências têm muitas coisas em comum. Essas coisas em comum é que vão ajudar a quem imigrar para outro lugar, assim: ”ó, de repente eu vou ter que passar por isso, vou ter que sentir essa sensação, essa experiência …porque vai ser mais ou menos assim”.

Ana: Exatamente! Até porque, as dificuldades de quem sai de um país como o Brasil se assemelham também às dificuldades de pessoas que estão em outros países em uma situação, também, de pressão social…ou, às vezes, em uma iniciativa, em uma decisão muito própria de cada um… ou, às vezes, mesmo com uma pressão… por exemplo, alguns de nossos entrevistados comentaram sobre a década de 80, que foi muito difícil no Brasil, economicamente falando e como oportunidade. Já, tem uma turma mais jovem que vive as dificuldades e vão vivê-las, também, um pouquinho para frente, acentuadas pela pandemia. Quais serão as decisões de pessoas que pensam em vir para o Canadá? Elas vão aproveitar um momento novo de abertura do governo canadense ou elas vão esperar a consolidação de uma vacina, de situações assim? Então, as experiências em diferentes idades, em diferentes momentos, em diferentes geografias e localidades, elas estão falando da gente mesmo, né? No fundo, cada um tem um vínculo com situações de grandes mudanças. Uma imigração é uma situação de grandes mudanças, de grandes decisões.

Christian: É quase um renascimento, em muitos casos. Então, acho que a série tem essa coisa interessante, que é mostrar como é que as pessoas renasceram ou foram para um outro estágio na vida delas. Como elas passaram por isso, como elas lidaram e como é a vida delas nesses lugares…que, na maioria dos casos, não foram escolhas deles..a vida que os levou para eles ficarem nesses lugares.

Ana: E com muitos exemplos de trajetórias, né? Assim, a pessoa foi chegando em diferentes lugares: então, morou em um lugar primeiro, depois foi para outro, pela oportunidade de aprender inglês, pela oportunidade de trabalhar ou necessidade de um emprego. Então, as oportunidades ‒ e isso a gente até tinha comentado, né Christian? Eu e você, em outra reunião nossa, ‒… assim, as pessoas exaltam muito essa necessidade de perseverança. Perseverança com os sonhos, perseverança com as transformações. Porque não é fácil, mas têm muitas coisas boas. Então, eu acho que a experiência traz esses indicativos, um pouquinho do caminho da pessoa: como é que ela fez? E ainda tem o desafio do idioma: como cada um superou o seu idioma? Já chegou lá sabendo falar inglês ou teve que aprender? E hoje sabe falar inglês ou ainda não sabe? Têm muitas histórias que se apoiam nisso.

Christian: Falando em lugares, vamos comentar um pouco sobre uma das cidades que a gente passou a conhecer melhor. Por exemplo, temos St. Catharines, que é uma cidade na região de Niágara.

Ana: É uma cidade que tem um tamanho bom, que está se destacando por investimentos no turismo e atraindo moradores. Porque sabe que é uma diferenciação de presente e de futuro, você trabalhar com pessoas de vários lugares e com uma mão de obra capacitada, nas atividades necessárias. Eu achei a entrevista de Welland bem interessante…e depois nós recebemos, também, as palavras do Prefeito, que situam a cidade e colocam as intenções e o horizonte de desenvolvimento da cidade. O que eu achei muito bacana. Porque é uma postura muito profissional de gestão, de atração e de dizer: “olha a gente está aqui e é isso que a gente tem a oferecer. Mas, a gente também tem demandas para do tipo de desenvolvimento que a gente quer”.

Christian: nós, também, passamos por Sudburry, Kanata, na região de Ottawa, também Timmins, que fica lá no norte de Ontário e algumas outras mais, certo Ana?

Ana: e esteja conosco. A equipe Wave está trabalhando duro para oferecer informações, não somente de podcasts, mas de outros tipos, também.

Christian: a gente aproveita para convidar você a nos seguir nas redes sociais. Estamos no Facebook, no Instagram, no Twitter e temos este site.

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