A Certeza da Dúvida

Coluna: Fernando Henrique Alves Arruda

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Coluna do Fernando Henrique Alves Arruda

Em um mundo globalizado, com a informação polarizada aos quatro cantos, a idolatria a dúvida se torna um deserto de ideias. A dúvida e a certeza constroem uma linha tênue entre a mentira e a verdade. Na sociedade moderna – como nunca se viu, há um enxame de julgados e julgadores; temas com ‘’verdades absolutas’’ e poucas reflexões.

A reflexão de tal fenômeno nos leva ao triste fato de que a filosofia está à beira do abismo. O ego tem sido predominante em rodas de discussões, onde o locutor não tem a intenção do debate; sim do monólogo. Filósofos contemporâneos temem o fim da filosofia, tragédia oriunda do fim dos questionamentos. Onde tudo está sendo respondido e pouco questionado.

O Homem se acomodou a não evoluir, deixando toda a evolução sob os frios ombros da tecnologia. O que causa calafrios não é avanço das inteligências artificiais; e sim, o retrocesso da inteligência humana. Essa inteligência que perde autonomia a cada instante, que não pensa, que deixa de ser humana a cada raiar do dia; fazem as pessoas viverem de certezas.

Há discussões que o avanço da tecnologia acabará com a relações humanas, com tendência a vilanizar os métodos de comunicações e inteligências artificiais. O que deve ser levado em conta, é a relação ferramenta/usuário. Computador ou smartphone não vai à procura de pessoas, a ferramenta opera de acordo com a individualidade de cada usuário. Não levar em conta a ação do Homem, e se colocar como vítima de uma situação em que o controle é humano, é a entrega precoce do livre-arbítrio. O que não pode haver é a transferência de responsabilidades, dominar a ferramenta, haja vista que as redes sociais são um alento ao ego, dando voz a toda e qualquer manifestação.

Quando entramos no mérito das redes sociais, voltamos ao ponto entre certeza e dúvida. A voz que ecoa é a voz da verdade e da intolerância; o que acaba dando espaço as notícias plantadas por diversos interesses. Sabendo o semeador que conseguirá atingir um número amplo de leitores. O anonimato de perfis falsos, aliado a exigência simultânea de notícias, aumenta o fluxo de Fake News; o que faz uma pessoa que traz consigo a certeza, publicar a dúvida.

O muro da invisibilidade desmorona, abrindo um leque democrático; a mobilização perante assuntos variados é vasta. Dando voz ao povo, a liberdade de expressão alcança seu apogeu. O fato a ser analisado é o pensamento crítico antes de cada manifestação, a apuração dos fatos. O usuário não estando apto a ferramenta, tende a sucumbir aos efeitos do ego e de uma posição de aparências. A grande ferramenta contra o fim das discussões humanas e a derrocada das Fake News, sempre será o pensamento crítico e a dúvida. Ainda há tempo para a humanidade tomar conta do que lhe é direito, a vida.

Fernando Henrique Alves Arruda, graduando em Letras – Inglês na Universidade Estácio de Sá (UNESA). Colunista e poeta. Tem em andamento a escrita de um livro em forma de coletânea. Um processo amplo que apresenta reflexões de costumes, e experiências filosóficas das sociedades com o passar do tempo.

Escrever é a melhor forma de se comunicar com o mundo; onde consegue colocar seus medos, pensamentos, angustias e principalmente seus sonhos.