A escolha por uma vida em Port Coquitlam, na Colúmbia Britânica

“A gente gosta muito daqui e não pretende sair. A qualidade de vida que conquistamos, como ter tempo para nossas filhas e segurança para todos nós, é algo que não tem preço"

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Angela Berlinck e Emerson Faria com as filhas Helena e Izabella

Quando chegaram ao Canadá, Angela Berlinck e o marido, Emerson Faria, foram morar no centro de Vancouver. Mas a vontade de comprar um apartamento que comportasse a família, que queriam iniciar, os fez procurar outros locais próximos e mais acessíveis financeiramente. Foi aí que acharam o lar que queriam em Port Coquitlam, há 30 quilômetros de sua vizinha mais conhecida. “Nos encontramos por aqui, pois há várias opções de lazer e de serviços, com um custo de vida mais em conta. Além disso, continuamos fazendo quase tudo a pé, que foi um hábito que adquirimos ao viver em uma área tão central de Vancouver”, diz Angela.

A mudança de país aconteceu em 2011, quando tanto Angela quanto Emerson vieram como estudantes de inglês, matriculados em um curso de um ano, em uma escola de idiomas. “Na época sabíamos que tínhamos o direito de aplicar para visto de trabalho, depois desse período”, conta ela. A decisão foi tomada pela busca de mais segurança e qualidade de vida para a família que queriam iniciar.

Depois de buscarem informações sobre imigração para diferentes países, viram que o Canadá era o que oferecia mais oportunidades e que a Columbia Britânica parecia ser uma excelente opção, pelo clima ameno e pela riqueza natural. Já em terras canadenses, eles se casaram e começaram a planejar os próximos passos profissionais e pessoais.

No Brasil, Emerson era professor de educação física na rede pública na cidade de Sumaré, no interior de São Paulo. Ele deixou a docência para trás em busca de novas oportunidades profissionais no novo país. Já Angela teve que dar uma pausa em uma carreira de dez anos em advocacia no Brasil, o que não foi fácil, visto que o diploma brasileiro não é válido para ela poder advogar no novo país. “Amo minha área de atuação e não queria abrir mão dela de uma vez, apesar de saber que ao sair do Brasil, eu teria um caminho a percorrer, até conseguir me recolocar no mercado”, conta. Graças a muita parceria entre os dois, eles conseguiram traçar um percurso de sucesso para alcançarem seus objetivos.

Estudo, planejamento e adaptação

“O maior desafio para mim era encontrar emprego na minha área”, conta a brasileira. Após o fim do ano de estudos de inglês, Emerson começou a trabalhar em uma padaria local enquanto ela se dedicava a um curso relacionado ao campo legal no Douglas College. “Essas aulas não me qualificam para atuar como advogada no Canadá, já que teria de fazer parte dos estudos superiores aqui, para complementar minha formação brasileira. Mas já era uma certificação canadense, que me abriria portas para o ramo do direito em BC”, conta. A teoria Angela já tinha, assim como uma vasta experiência no Brasil. Mas era preciso também ter alguma passagem profissional canadense, mesmo que fosse em um emprego sem relação nenhuma com a advocacia. Foi então que ela começou a trabalhar em uma escola de inglês.

Depois de se formar, em 2015, conseguiu a vaga relacionada ao direito no mesmo ano. “Enviei meu currículo para um escritório de advocacia em Burnaby e passei na entrevista. Lá, eu trabalhava no campo que estava acostumada antes de vir para o Canadá, que era atuar no campo legal relacionado a negócios. Ainda quero fazer os estudos necessários para me tornar advogada aqui também. Sei que é uma questão de tempo, uma vez que consegui me manter profissionalmente na minha área”, conta Angela.

Já um pouco mais estabilizada, Angela engravidou e mudou-se para Port Coquitlam, onde a filha Helena nasceu, hoje com 4 anos. Depois de ter crescido na carreira dentro do escritório, engravidou da segunda filha, Izabella, com 2 anos atualmente. Foi aí que a parceria com Emerson se mostrou ainda mais forte. Emerson queria voltar a estudar para, enfim, fazer uma transição de carreira. Então, pensava em largar o emprego na padaria.

Ainda de licença, Angela encontrou uma vaga interessante em um escritório de advocacia a cinco minutos da nova casa. Ela se candidatou e passou no emprego. Como Izabella estava com quatro meses, aplicaram para a licença parental e Emerson passou a ficar em casa com a filha o restante do ano, conciliando com o curso de Immigration no Ashton College. Hoje, ele é consultor de imigração e Angela já cresceu no novo emprego, comprovando que é possível dar muito certo profissionalmente ao imigrar.

Como é Port Coquitlam

Centro comunitário em Port Coquitlam, na Colúmbia Britânica

Port Coquitlam fica perto de outras duas cidades: Pitt Meadows e Coquitlam. Junto com as vilas de Anmore e Belcarra, elas formam uma charmosa região conhecida como Tri-Cities, cercada de natureza. Lá não são permitidas construções maiores do que 4 andares – ao menos em grande parte do município. Com um centrinho histórico e muitas opções de serviços e lazer, Port Coquitlam torna-se uma alternativa mais barata a Vancouver, tanto em termos de moradia, quanto relacionados a outros gastos. “Mesmo os preços por aqui ainda sendo relativamente altos, já faz bastante diferença ao que estávamos acostumados em Downtown. Além disso, aqui do lado existe um centro comunitário, em que há piscina, espaços esportivos e atividades gratuitas. Há parquinhos diversos para as crianças, parques com espaços para piquenique e é possível fazer muita coisa a pé”, diz Angela.

No verão, o rio Coquitlam é uma das principais atrações, onde dá para descer com uma boia pela correnteza leve. O lago Sasamat, localizado na área de Belcarra, também vale a visita, com trilhas e uma infraestrutura para passar o dia com a família e amigos. Natureza e locais para admirá-la não faltam ao redor. Grande parte do comércio se concentra em bolsões com grandes áreas de estacionamento. Apesar de não ter estação de metrô, é possível chegar de ônibus até a mais próxima, em Coquitlam, em poucos minutos. “Não sinto falta de nada em relação à cidade grande, a não ser dos amigos que fizemos lá. Como é um lugar menor, acabamos conhecendo bastante gente, mas não há muitos brasileiros por aqui. Acredito que nas outras duas cidades próximas existam mais”, afirma a advogada.

Já quando se trata do Brasil, a família faz falta. Para matar as saudades de casa, Angela fala que costuma preparar um cardápio bem brasileiro, com arroz e feijão sempre. Apesar disso, ela está convicta de que seu lar é mesmo Port Coquitlam. Hoje eles têm a residência permanente (PR) e já deram entrada ao pedido de cidadania, para o qual fizemos a prova em dezembro. “A gente gosta muito daqui e não pretende sair. A qualidade de vida que conquistamos, com tempo para nossas filhas e segurança para todos nós é algo que não tem preço.

Acredito que ter vindo consciente das dificuldades fez com que o percurso até chegar onde estamos fosse mais tranquilo”, reflete a brasileira, que ainda quer conseguir o diploma para exercer a advocacia no Canadá. “Meu marido me incentiva muito, e nós conseguimos ver nosso desenvolvimento aqui ao nos apoiarmos um no outro. Mesmo sendo difícil no começo, eu acabei me encontrando na área em que já atuava e ele se reinventando para algo que gosta”, finaliza Angela.


Para saber mais sobre Port Coquitlam, visite o site oficial da cidade: https://www.portcoquitlam.ca