
Natural do Rio de Janeiro, Mariana Sodecia desembarcou no Canadá em julho de 2021. Àquela altura, com o mundo ainda vivendo os efeitos da pandemia da covid-19, eram muitos os cuidados necessários e medidas de isolamento adotadas para minimizar a disseminação do vírus e a perda de vidas.
Cerca de um ano após a sua chegada, Mariana, que mora com a família na cidade de London, província de Ontário, engravidou. Por conta de uma condição anatômica rara, a gestação exigiu mais atenção por parte dos médicos que a acompanharam.
“Tive problemas renais devido a um rim pélvico que tenho. Isso me gerou complicações na gravidez. Tive pressão alta a partir da 27ª semana e, consequentemente, iniciei um atendimento com um médico obstetra especializado em gravidez de alto risco”, conta a brasileira, que foi atendida pelo serviço de saúde público do país.
Ela lembra que, no início da gestação, ficou um pouco ansiosa por conta das diferenças no atendimento pré-natal brasileiro e canadense. No entanto, ela se tranquilizou após uma conversa com o seu médico do Brasil. “Agendei uma consulta na época com meu ginecologista e ele me tranquilizou muito com relação ao pré natal daqui. Disse que, inclusive, o Canadá é um dos países referências nesse quesito”.
Segundo ela, diferente do que acontece no seu país de origem, o pré-natal no Canadá é feito mais pelo médico de família, ou midwife, e somente após um determinado período há o encaminhamento para o obstetra, caso a gestante faça essa opção. Outra diferença está na quantidade de ultrassons realizados.
“Aqui, se você tem uma gravidez normal, sem nenhuma intercorrência, são realizados somente dois ultrassons durante toda gravidez, um com 12 semanas e um entre 18 e 22. Nos ultrassons, você normalmente não vê a tela e somente no final a imagem é mostrada, se tudo estiver bem”, conta. Além disso, o marido não acompanha todo o exame. Ele só pode entrar na sala nos últimos cinco minutos, caso esteja tudo bem com o bebê.
Acompanhamento especializado
Pelo quadro de hipertensão e o problema renal, Mariana foi acompanhada por um obstetra especializado em gravidez de alto risco do London Health Science Center. Devido a sua condição de saúde, a quantidade de consultas e o número de ultrassons foram maiores.
O tão aguardado momento do parto, também em função da atenção especial que a gestante requereu, precisou ser antecipado por meio de indução para evitar o desenvolvimento de pré-eclâmpsia. Isso, no entanto, não impediu o encaminhamento inicial do parto normal. Afinal de contas, o Canadá prioriza a realização de partos normais, ao invés de cesarianas.
A indução do parto foi acompanhada de perto pela junta médica e, durante todo o processo, ficou uma enfermeira ao seu lado monitorando a mãe e o bebê. “Tive intercorrências no parto e, após 24 horas, fiz uma cesárea. Na sala da cesariana havia muitos médicos e residentes de diversas áreas. O hospital aqui é um hospital escola”, contou.
Para Mariana, a experiência de ter filho no Canadá e poder contar com o atendimento oferecido pelo Estado foi a melhor possível. Ela comemora o fato de tudo ter corrido bem e diz que, apesar das diferenças em relação ao Brasil, se adaptou aos protocolos canadenses e não tem do que reclamar do atendimento recebido.
“Me senti muito segura durante toda a gestação e, principalmente, a partir do momento em que fui encaminhada para o obstetra de alto risco. O acompanhamento foi super de perto e sempre me foi explicado tudo”, concluiu.
Informações de suporte maternidade: https://www.canada.ca/en/services/benefits/ei/ei-maternity-parental.html












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