A poesia brasileira em destaque no exterior – Mário Borges

O poeta Mário Borges conta a sua trajetória de sucesso fora do Brasil

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Na imagem Mário Borges promove a poesia brasileira posando ao lado do renomado pianista de destaque no Brasil e no exterior, Arthur Moreira Lima.
Mario Borges, poeta (esquerda) com Arthur Moreira Lima, pianista (direita). Foto: divulgação

A poesia para além das fronteiras brasileiras

Conseguir um espaço e destaque para a poesia no Brasil, não é uma tarefa fácil. Isso porque existem poucos veículos de comunicação que realmente dão a devida importância para essa forma de arte tão preciosa.

Agora, imagine ultrapassar as fronteiras do país e conseguir publicar poemas em jornais e revistas no exterior? Pois foi exatamente isso que o poeta brasileiro Mário Borges, 53 anos, conseguiu fazer. Ou seja, emplacou várias de suas obras em diversos países, principalmente nos Estados Unidos – em Bridgeport, Atlanta, Los Angeles, Nova Iorque e outras cidades.

A sua primeira publicação na mídia internacional aconteceu em 2013. “Café na Poesia saiu no Jornal Brazil Now, de Bridgeport, Connecticut, Estados Unidos. Mas, não foi somente na “terra do Tio Sam” que os textos do brasileiro ficaram em evidência. Em países como a Rússia e o Japão, os poemas de Mário Borges também foram traduzidos para o idioma local e receberam o devido destaque.

Na Alemanha, ele participou do livro “Mulheres Pela Paz”. Contribuiu com uma poesia em homenagem à sua mãe, Hosana Alves Borges, que foi uma das pioneiras do Rádio como locutora.

Aqui no Brasil as suas poesias tiveram destaque nas revistas Divas do Brasil, Ponto de Encontro, Mundo da Fama e Caderno Literário Pragmatha.

A poesia está na família Borges. Mas, os sentimentos e as emoções devem falar ao mundo

Influenciado desde muito cedo pelo pai e alguns tios, todos poetas e alguns músicos, Borges só foi mesmo se dedicar de fato à poesia, após a morte de alguns deles. Foi então, que ele decidiu dar continuidade a esse talento familiar. Passou a anotar os poemas que lhe vinham à mente durante as madrugadas para, posteriormente, divulgá-los.

Ele queria, na verdade, que a sua obra ficasse conhecida pelo mundo. E assim o fez, ao encantar o público brasileiro e estrangeiro com a sua poesia repleta de sentimento e emoção.

Entrevista do poeta Mário Borges à Brazilian Wave Canada

Wave – Como foi o início da sua carreira no mundo da poesia? Que idade você tinha?

Mário Borges – Já aos 10 anos, me interessei por poesias. Meu pai foi autor de vários temas e os meus tios também. Então, eu apreciava a poesia desde criança. Na verdade, eu fui criado em uma família de poetas e músicos. Mas, com o passar do tempo, meus tios faleceram e a poesia começou a sumir do meu ambiente familiar. Então, eu comecei a lembrar daquela época em que a nossa família escrevia poemas. Mas, não tinha divulgação para o mundo. Ficavam somente entre os parentes.

Meus tios faziam livros independentes, que ficavam somente para a família. Então, perto dos 39 anos de idade, eu comecei a lembrar das poesias dos meus tios e do meu pai. Logo passei a compor também e a guardar tudo na gaveta. Eu acordava de madrugada com os versos na cabeça e anotava tudo num papel, que ficava ao lado da minha cama. Daí, eu pensei: “Eu estou fazendo a mesma coisa que os meus familiares fizeram. E eu não quero isso para mim! Eu preciso divulgar tudo isso em jornais, revistas, publicidade e na mídia em geral”. E assim eu fiz.

Wave – Quais foram os poetas que serviram de inspiração para você?

Mário Borges – Em 2010, aos 43 anos, eu tive um impulso para escrever poemas. Na ocasião, eu produzia um por semana.  O poeta que mais me incentivou foi, na verdade, uma poetisa, a Cora Coralina. E os escritores que não são poetas, mas que também me influenciaram e me incentivaram, são Monteiro Lobato e Érico Veríssimo.

Wave – Como você ingressou com a sua poesia nas publicações internacionais? Você encontrou dificuldades?

Mário Borges – Eu tenho um primo que vive nos Estados Unidos na cidade de Bridgeport, em Conecticutt. Inclusive, é cantor de uma Igreja Católica da cidade. Ele contactou a Mara Palmieri, que é a fundadora do Jornal Brazil Now. Assim, em maio de 2013, tive a minha primeira poesia publicada no exterior. O título dela era “Café na Poesia”. E, até hoje, eu continuo escrevendo para este jornal.

Wave – É diferente escrever para o público que está no Brasil, para o que está no exterior?

Mário Borges – Sim, existem brasileiros no exterior que necessitam sentir essa proximidade com a sua terra natal. E a encontram dessa maneira, lendo estes poemas.

No Brasil, a divulgação de poesias ainda é muito restrita, apesar de existirem escritores renomados e de respeito. Porém, nós estamos vivendo um momento onde a poesia não é tão consumida como no exterior. Se bem que, no Brasil, existem diversos grupos de poetas, grandes escritores, vários saraus e encontros de poesia. Mas, ainda é algo restrito.

Esse interesse e abrangência são maiores no exterior. Em países como o Canadá, por exemplo, que a valoriza, a poesia é respeitadíssima. França e Estados Unidos também têm vários eventos culturais. Eu acredito que a poesia tem mais facilidade e dá mais certo em revistas e jornais, do que em um livro, por exemplo. Talvez, porque a revista seja mais independente e não prenda tanto a pessoa quanto um livro.

Wave – Qual o estilo de poesias que você mais se identifica e por quê?

Mário Borges – Um dos estilos que eu me identifico é o cordel, de compromisso de rimas. Pois, busca destacar os fatos e os costumes contemporâneos. Para mim, a poesia é a gente gostar da vida e das pessoas. Quem gosta da vida gosta de poesia.

Wave – Você acha que em um mundo tão norteado pela Internet, pelo “online”, a poesia ainda tem o seu espaço e é apreciada?

Mário Borges – Na minha opinião, a Internet é um instrumento de enorme importância, devido à dimensão desse meio de comunicação. Tanto a Internet quanto a tecnologia foram fundamentais nesse espaço, sim. Realmente, ela dá uma abrangência maior de divulgação, modernidade e atualidade. O meu trabalho, por exemplo, está se expandindo graças a essa tecnologia, pois é um ferramental essencial para os escritores independentes. Ou mesmo, para quem quer divulgar um livro.

Wave – Quais são os seus próximos projetos?

Mário Borges – Eu pretendo produzir um livro, em breve. Já tenho uma proposta para lançar um livro nos Estados Unidos e no Brasil. Estou somente aguardando essa pandemia passar para poder voltar à vida normal, às atividades normais e colocar esse projeto em prática.

Wave – E qual foi a sua poesia de maior destaque na mídia?

Mário Borges – Uma das minhas poesias de maior destaque foi a “Tim Maia”. Eu a fiz a pedido da editora do Jornal Brazil Now, Mara Palmieri, em homenagem ao saudoso cantor. Além de ter saído no Jornal Brazil Now, a poesia também foi publicada no site Janela da Fama.

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Foto poesias de Roberto Solano
Crônicas de Nilson Lattari | Celina Penteado