Acreditar, afinal, vale a pena?

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Crônica de Nilson Lattari: Acreditar, afinal, vale a pena? (Photo by Catalin Pop on Unsplash)

No mundo de hoje, com tantas informações atravessando nosso consciente, vindas de jornais, através das redes sociais, dos livros que nós lemos, daquilo que ouvimos das pessoas, das contradições nos pensamentos, das diversidades de pontos de vistas, cabe a pergunta: Devemos continuar a acreditar? E, se acreditamos, acreditamos no quê, ou em quem?

Acreditar, muitas vezes, é um ato de fé. Acreditar é dar crédito a alguém ou alguma coisa, a uma pessoa ou a uma entidade. Colocar nossas fichas em um projeto, seja o nosso ou o de alguém, que venha de encontro aos nossos desejos de um mundo melhor, para todos, ou para nós.

É muito difícil acreditar, e, ao mesmo tempo, é muito fácil entregar para um ente, fora de nós, nossas esperanças, nossas crenças. O futuro nos reserva o imponderável, a incerteza, e somente o credo nos leva adiante, do contrário existe o descrédito, a desconstrução do futuro, e lembrar do passado com romantismo, como forma de fuga.

Podemos perguntar se devemos acreditar, ou podemos, também, perguntar por que acreditamos, ou por que essa necessidade de se acreditar. Podemos, também, viver cada dia por vez, sem nos preocupar com o futuro, vivendo do crédito do dia a dia.

Acreditar é dar um crédito, ou obter um crédito, como se entrássemos em uma loja e adquiríssemos um objeto, entramos no futuro, trabalhamos por ele, pra que possamos dá-lo por liquidado e ter a sua posse definitiva.

Por que acreditamos?

Acreditamos porque o nosso presente não é bom, não nos satisfaz. Queremos melhorar, adquirir um presente melhor, no futuro.

Acreditamos e botamos fé em alguma coisa, ou porque ela é factível de acontecer, ou então é, completamente, descabida, e somente acreditando em uma força externa ela possa se realizar.

Com tantas notícias descabidas, descontroladas, causando decepções sobre instituições e pessoas, como acreditar em alguém ou alguma coisa?

A questão, então, poderia ser que colocamos crédito em coisas erradas. Colocamos crédito em situações inverossímeis, ou, então, colocamos crédito em instituições falidas e pessoas idem, ou somos tão desprotegidos e desinformados que é mais confortável crer em outro e entregar nosso destino a ele do que lutar por ele.

Acreditar é sempre importante e necessário. Sem esse crédito no futuro, nosso presente se torna insuportável.

Não há mal que sempre dure ou bem que não se acabe é uma maneira de dizer que nosso acreditar é esperar na beira da estrada que a tormenta passe, quando acreditar é fazer acontecer, dando um rumo em nossas vidas e esquecendo que o outro é que pode nos dar uma direção.

Acreditar é tomar as rédeas da própria vida, mesmo que as perspectivas sejam para um horizonte longínquo ou para a necessidade da primeira hora. Acreditar é fazer uma coisa de cada vez, de acordo com o andor que avança devagar porque todo crédito é de barro, a paciência é que nos faz secá-lo e torná-lo rígido.

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