🎧 Artista brasileiro de renome internacional, Dinho Bento, escolhe capital do Canadá como novo lar

Conteúdo original produzido com o apoio do programa Local Journalism Initiative, do Governo do Canadá. (Creative Commons — reprodução permitida com a devida atribuição de fonte e autoria.)

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A Wave Lê Para Você: Dinho Bento escolhe capital do canadá como novo lar. Dinho tem murais expostos em três continentes, em países como Áustria, Hungria, Itália, Croácia, Espanha, Portugal, Inglaterra, França e Bósnia, além de Canadá.

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Reconhecido por murais que dialogam com questões ambientais e sociais em diferentes partes do mundo, o artista mineiro Dinho Bento encontrou em Ottawa, capital canadense, seu novo lar.

Natural de Mariana (MG), cidade histórica cercada pela arte barroca e marcada pela mineração, ele cresceu entre contrastes que moldaram sua sensibilidade estética e crítica. 

“Desde cedo, essas influências moldaram minha sensibilidade artística. Ao mesmo tempo, testemunhar os impactos ambientais causados pela atividade mineradora na região despertou em mim um profundo interesse pela relação entre o ser humano e a natureza”, conta o artista.

Mural de Dinho em Calgary, Canadá

Arte como protesto e ponte cultural

Com trabalhos realizados em 15 países e três continentes, Dinho tem na arte urbana uma forma de diálogo direto com as comunidades. “A arte pública permite um intercâmbio cultural genuíno, onde cada conversa, cada troca, pode influenciar a obra em tempo real”, afirma. Em cada cidade, o artista carrega um traço brasileiro — e deixa uma marca de reflexão sobre temas universais.

Entre suas obras mais emblemáticas está o mural “Verde-Lama”, criado em 2016, durante o Festival Concreto, em Fortaleza. A pintura foi uma crítica à tragédia ambiental provocada pelo rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, no ano anterior. No ano seguinte, levou o mesmo tema para Portugal, onde criou o mural “Quando o Rio Era Doce”, em homenagem às comunidades indígenas e ribeirinhas impactadas pelo desastre. “Foi um episódio que considero um dos mais devastadores da história recente do Brasil”, recorda.

Mural em Sault St. Marie, cidade em Ontário, Canadá
Mural feito por Dinho em Portugal

Do Brasil ao mundo

O percurso internacional de Dinho é repleto de histórias curiosas. Em 2018, ele foi convidado a pintar um mural na Biblioteca Nacional da Geórgia, na capital Tbilisi. Mas o início do trabalho foi adiado por falta de uma autorização que dependia da assinatura do primeiro-ministro. “Eles me propuseram fazer um tour pelo país enquanto aguardávamos a assinatura. Acabou que fiquei quase um mês na Geórgia para esse projeto”, lembra, rindo.

Mais recentemente, em agosto deste ano, Dinho finalizou um mural em Sudbury (Ontário), onde o contato com o público local foi marcante. “Os moradores me traziam café, bolo e até cerveja. Um dia, uma amiga de infância, da minha cidade natal, apareceu por lá — não nos víamos havia 20 anos. Foi emocionante me reconectar de forma tão inesperada.”

Em Calgary (Alberta), o artista completou em oito dias um mural de 170 metros quadrados, sobre uma parede de tijolinhos aparentes. “Foram jornadas de 10 a 12 horas por dia. Enfrentei até um dia inteiro de chuva, mas tudo correu bem no final. O mais gratificante foi ver a reação das pessoas — os organizadores, os vizinhos e até brasileiros que moram na cidade passaram por lá para conversar e tirar fotos.”

Nova fase em Ottawa

Dinho mudou-se para Ottawa há cerca de três anos, acompanhando a esposa, que recebeu uma proposta de trabalho na cidade. A capital canadense acabou conquistando o artista pela combinação de tranquilidade e vitalidade cultural. “Aqui encontro a possibilidade de andar de bicicleta, caminhar por trilhas e estar em contato direto com a natureza, mas também de frequentar museus, festivais e eventos culturais. Essa dualidade é muito inspiradora para minha prática artística.”

Desde que chegou ao Canadá, ele participou de festivais e exposições coletivas em várias cidades e vem ampliando sua presença internacional. Embora ainda não tenha realizado um mural de grande escala em Ottawa, o artista participa de iniciativas locais e acredita que em breve surgirá a oportunidade. “Tenho vontade de contribuir com um mural significativo para a paisagem urbana da cidade que hoje chamo de lar.”

Mural de Dinho Bento, com o artista trabalhando em sua obra

A força da arte brasileira

Dinho Bento faz parte de uma geração que projeta o Brasil no cenário mundial da arte urbana. Para ele, nomes como Osgêmeos e Eduardo Kobra abriram caminhos, mas o país segue se destacando pela diversidade e potência criativa de novos artistas. “O que mais me impressiona é a força que continua emergindo de diferentes regiões. Há uma geração inteira de artistas talentosos, com identidade própria e profunda conexão com questões sociais, culturais e ambientais.”

Essas trocas, diz ele, são o que mantém sua arte viva. “É inspirador ver como o Brasil continua sendo um celeiro de criatividade, com vozes plurais que dialogam com o mundo por meio da arte. Fico feliz em fazer parte dessa rede e contribuir com uma produção que carrega o DNA brasileiro — marcado pela expressividade, pela resistência e pela capacidade de transformar o espaço público em plataforma de diálogo e reflexão.”

Mural de Dinho Bento em Fortaleza, CE, Brasil

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