Brasil Fechado para balanço

Rogério Silva é diretor de jornalismo da TV Paranaíba afiliada Record TV em Minas Gerais (Brasil) e da Rádio Educadora FM. É também professor de jornalismo da Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação - ESAMC.

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O Brasil está, por assim dizer, num momento nebuloso. Faltam pouco mais de 3 meses para as eleições presidenciais e há uma apatia generalizada em relação ao tema. Uma eleição extemporânea no estado do Tocantins, em junho, apresentou um retrato prévio disso: 49% dos eleitores não compareceram ou votaram em branco. Metade do estado deu de ombros para o pleito.

Agora estamos na anestesia da Copa do Mundo para voltarmos à normalidade, quem sabe, em agosto. Nenhuma decisão importante é tomada pelo mercado antes do desfecho eleitoral. O dólar passeia na praia dos 4 reais e já começamos a sentir na brisa o azedume de uma alta de juros pela frente.

No fim de maio, os caminhoneiros estacionaram suas máquinas no acostamento das estradas e nos fizeram constatar que, realmente, eles conseguem parar o país. O combustível não chegou ao posto, o botijão de gás não chegou ao “disk entrega do seu Zé” e só isso bastou para deixar as cidades desertas por até 10 dias. O governo cedeu, baixou o preço do óleo diesel e deu mais uma demonstração de sua fragilidade. Deixou portas abertas para que outras categorias façam o mesmo para reivindicar qualquer coisa, como por exemplo a intervenção do Estado em preços públicos.

A Confederação Nacional da Indústria se manifestou: “Novas paralisações, neste momento, são inaceitáveis. Cada um precisa assumir a sua parte de responsabilidade para superar essa situação. A prioridade deve ser o reabastecimento imediato e aceleração da discussão sobre os problemas estruturais do país”, declarou a CNI em nota.

Duas palavrinhas que nos atormentaram no passado foram ressuscitadas – tabelamento e congelamento. O governo “congelou” o preço do diesel por 60 dias e “tabelou” os fretes.
Ora, antes do Plano Real, em 2004, a “Nova República” de José Sarney nos presenteou com uma inflação de 83% ao mês, fruto de preços represados e fiscalização austera sobre remarcações de etiquetas nos supermercados. O remédio que não funcionou há 30 anos acaba de ser usado de novo. Uma temeridade.

Enquanto o mundo não souber pra que lado o Brasil vai depois das urnas de outubro, nada acontece. O país está fechado para balanço.
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Rogério Silva é diretor de jornalismo da TV Paranaíba afiliada Record TV em Minas Gerais (Brasil) e da Rádio Educadora FM. É também professor de jornalismo da Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação – ESAMC.