Café Zezin – Uma jornada de sabores e transformações em Montreal

De acadêmico de logística a barista: a história de como Pedro Furtado colocou o Québec no mapa dos campeonatos de café

Fachada do Café Zezin (Foto: arquivo pessoal)
Daniele e Pedro, donos do Café Zezin (Foto: arquivo pessoal)

Em Montreal, uma cidade vibrante pela sua efervescência cultural e amor por inovações gastronômicas, o Café Zezin tem cativado corações e paladares de uma clientela variada, incluindo tanto locais quanto membros das diversas comunidades, além da brasileira.
Criado por Pedro Furtado e sua esposa Daniele em 2017, o Café Zezin não é apenas um espaço acolhedor que oferece delícias como pastel, coxinha, pão de queijo e sopas saborosas, mas também um ponto de encontro para quem aprecia sobremesas irresistíveis como bolos, churros e tortas, tudo em um ambiente sereno e com preços acessíveis.

Por trás do balcão, a jornada única de Pedro adiciona um elemento diferente ao cardápio: da vida acadêmica a barista e empreendedor.

A excelência do Café Zezin é destacada pelas conquistas de Pedro nos campeonatos de cafés preparados com Aeropress, uma técnica que mescla os princípios da prensa francesa com a filtragem de papel. Seu sucesso não apenas elevou o renome do estabelecimento, mas também o consagrou como um orgulho local ao se tornar o primeiro representante de Québec a vencer uma competição nacional de café em qualquer modalidade.

E nada disso estava no horizonte apenas alguns anos antes. A chegada de Pedro ao Canadá em 2010, para realizar um doutorado na Escola Politécnica de Montreal, egresso da da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi sua primeira experiência internacional. Até a abertura do Café, em 2017, Pedro não bebia café e não tinha experiência empresarial. Aos 38 anos, ele era totalmente dedicado ao mundo acadêmico.
Foi sua esposa, Daniele, quem deu a ideia de criar inicialmente uma loja de bolos, que se transformou logo num café. A necessidade de superar o abandono do barco pelo barista contratado, logo no início do Café Zezin, o introduziu ao intrigante mundo do café. Com a mesma precisão e meticulosidade que aplicava às suas pesquisas, Pedro se dedicou à arte de preparar café, despertando uma paixão até então desconhecida.

Hoje, o Café Zezin tornou-se um emblema da multiculturalidade da cidade. Pedro e Daniele adaptam as receitas brasileiras ao paladar local, criando uma fusão de sabores que celebra a diversidade cultural de Montreal.

Para Pedro, que passou da preferência pelo chá mate gelado, para enfrentar o calor carioca, às bebidas quentes para enfrentar o frio canadense, a vida é uma série de mudanças aparentemente aleatórias que, olhadas de perto, seguem a lógica de reinvenção e adaptação.

Pedro e seu filho Mike, um brasileirinho québécoise

Entrevista com Pedro Furtado

WAVE: Qual foi o ponto de partida para a criação do Café Zezin?

PEDRO FURTADO: O Café Zezin foi inaugurado em 2017, a partir da experiência da Daniele que é formada no curso de culinária no Institut de tourisme et d’hôtellerie du Québec (ITHQ). Aqui no Canadá, ela decidiu explorar mais essa habilidade e fez um curso na área de culinária. Minha contribuição inicial foi mais na administração e no atendimento, com o foco dela voltado para a cozinha. Ficamos sem barista no segundo dia de funcionamento do café e eu tive de assumir essa função.

WAVE: De onde surgiu o nome para o café, quem é o “Zezin”?

PEDRO FURTADO: O nome Zezin vem de Zezinho, que era o apelido do meu pai quando criança. Escolhemos porque remete ao Brasil e soa bem em francês (zezan). A ideia era que o nome refletisse a fusão cultural que queríamos trazer para o Québec, mesclando nossas raízes brasileiras com a nova realidade canadense.

WAVE: Por que você escolheu se especializar na Aeropress?

PEDRO FURTADO: A escolha pela Aeropress veio da combinação entre precisão e a possibilidade de experimentação que esse método oferece. Ele permite explorar diferentes sabores e métodos de preparo, cada barista produz um resultado que é único.

Pedro, ao ganhar o título québécoise em 2022

WAVE: Como você começou a participar de competições de café, como tem sido essa experiência?

PEDRO FURTADO: Entrar nas competições foi uma maneira de testar minhas habilidades e me envolver mais com a comunidade de café. Em 2019, fui vice-campeão nacional de Aeropress. Em 2021, fui o primeiro representante de Québec a vencer o campeonato nacional. E, no ano seguinte, ganhei o campeonato da província e em 2023 fiquei em quarto lugar no campeonato nacional. É uma experiência intensa, onde enfrentamos dezenas de baristas das mais diversas origens e experiências.

WAVE: Qual a visão de vocês com o café Zezin?

PEDRO FURTADO: A nossa intenção nunca foi evocar saudosismo, mas sim incorporar o melhor de nossa cultura à nova realidade que escolhemos, acolhendo a mudança. A nossa raiz brasileira ecoa essa mistura da culinária brasileira, québécois e canadense.

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