Como são frágeis os jovens para o amor

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Crônica de Nilson Lattari: Como são frágeis os jovens para o amor. Foto de Casey Horner, Unsplash

A vida é feita de muitos perigos. Um deles é o amor para os jovens. O primeiro amor, que deveria ser o único, o eterno e o fecho para “felizes para sempre”, é um privilégio, uma fortuna. Mas, jovens não são aqueles de tenra idade, também são aqueles que amam, de verdade, a primeira vez, não importa a idade. São frágeis aqueles que amam, porque são jovens até na primeira vez que abraçam e beijam com intensidade.

Como são frágeis, então, os que têm nos braços o primeiro amor. São como o barqueiro que enfrenta as ondas do mar, sem saber do seu poder, mas, enxergando apenas o seu fascínio. Que veem o brilho do sol na floresta e enxergam o seu encantamento e não os perigos que se escondem nela.

A fragilidade tem a ver com a descoberta. Quando os olhos enxergam o primeiro de tudo, onde tudo é novidade, e a vida, na sua dureza e frialdade, não mostra as garras do infortúnio ou da maldade.

Como somos frágeis porque amamos e somos jovens na primeira oportunidade em que o coração fala mais alto, onde não colocamos a razão sobre o sentimento das coisas, como se entendêssemos tudo e, portanto, somos presunçosos. Ou quando ignoramos a existência da razão sobre o coração e somos valentes, não covardes. Ou quando ignoramos a razão e escolhemos o amor, o sentimento, e observamos apenas a fé cega seguindo o olhar do outro, a voz do outro.

Com o passar do tempo, fazemos um balanço de nós mesmos e relembramos, lá no íntimo, que, talvez, em algum lugar do passado deixamos o amor certo e ponderado passar por nós e não o enlaçamos como o animal selvagem que nos olhava querendo que o domássemos, o amássemos.

Como são frágeis os jovens para o amor diante da eternidade. Alguns o encontram e o desprezam, outros o acalentam e por sorte, por destino ou por uma razão dessas que ninguém entende, conseguem tê-lo para sempre. Alguns irão perdê-lo e serão tristes. Felizes ou não, um dia ele será perdido, para aquele que permanece na vida ou que se vai. Os tristes perderão também a esperança de reencontrá-lo: o amor é paradoxal, sempre vamos perdê-lo, de um ou de outro jeito.

Sorte têm aqueles que o conseguem de primeira, azar de outros que o desprezam e depois se arrependem e, para aqueles que nunca o tiveram, resta apenas saber que sempre é possível que ele aconteça; a floresta e o mar estão aí, basta ter coragem para enfrentá-los.

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