Crônica – Nem sempre é divertido

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A coluna Nem Te Conto é um espaço da Wave Magazine para nos deliciarmos com situações hilárias que acontecem com imigrantes brasileiros no Canadá. Esta é proposta desde o início: situações reais, nomes e características fictícias, afinal ninguém precisa ser exposto. Quando contamos algo que aconteceu com um mineiro, na realidade, com absoluta certeza não se trata de alguém nascido em Minas Gerais e se for uma mulher a personagem, provavelmente foi com um homem que o “mico” aconteceu.

Colocados os pingos nos “is”, hoje vamos falar sobre uma situação que não foi nada divertida mas que deixou o capixaba Júlio (ou Júlia?) impressionado com a eficiência dos serviços de emergência do Canadá e a preocupação e solidariedade dos canadenses com uma pessoa em situação de risco. Ele saiu de casa apressado, tinha aula no centro da cidade e de TTC levava quase uma hora para chegar. O inverno estava sendo um dos mais rigorosos com montanhas de neve acumuladas. O dia ensolarado, todos sabem, são sempre os mais gelados.

Júlio ainda não estava muito acostumado com aquele vento que queimava as orelhas e esperava impaciente o sinal abrir para atravessar a rua. Quando o sinal abriu, passos largos para chegar logo ao ponto e o ônibus já estava chegando. Mal percebeu a presença de uma idosa do outro lado da rua, completamente desnorteada, só depois que passou por ela viu o andador caído no chão. Olhou para a velhinha e ela estava com o rosto coberto de sangue. Tinha acabado de escorregar na neve.

Duas canadenses que atravessaram a rua com ele perceberam a situação e foram socorrer a senhora, Júlio também voltou para tentar ajudar. A área era de portugueses, provavelmente a idosa nem falava inglês. Foi exatamente o que ele previu, a vovó açoreana estava aflita e Júlio ajudou a identificá-la e acalmá-la. As canadenses ligaram para a emergência, o ônibus parou para abrigar a senhora ferida do frio e em cinco minutos os bombeiros chegaram com todo o aparato necessário para prestar o socorro. Júlio sentiu-se meio culpado de ter que sair correndo para não perder a aula e comentou com uma das canadenses:

– Acredito que ela está em boas mãos agora né?
– Nas melhores mãos possíveis! Disse orgulhosa a canadense, com a segurança de que o atendimento à idosa seria realmente perfeito.