Daniel. O cantor brasileiro conta como está vivendo o “novo normal”

Leia a entrevista que o cantor concedeu à Brazilian Wave Canada, onde ele fala sobre o “novo normal”, sobre a vontade que tem de morar no exterior com a família, sobre a experiência que teve de cantar com os meninos canadenses “The Melisizwe Brothers” no Brasil e muito mais.

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Cantor Daniel. (Foto: arquivo pessoal)

O coronavírus pegou todo mundo de surpresa e estabeleceu um “novo normal” para anônimos e celebridades. E não foi diferente para o cantor Daniel, 52 anos.

Acostumado com a correria do dia a dia, Daniel diz que logo no início a pandemia trouxe algumas mudanças para a sua rotina e da sua família, mas também possibilitou um tempo maior para ele curtir a esposa Aline de Pádua, 39 anos, com quem é casado há dez anos, e para ficar perto das filhas Lara, de 10 anos e Luiza, de 9.

A família do cantor, sempre muito unida, agora vive um momento diferente, ou seja, de distanciamento entre os mais jovens e os mais idosos. Daniel conta que só vê de longe os pais e os sogros, pois acredita que isso é essencial para garantir a saúde de todos. Mas, ele afirma que é muito difícil sentir a falta do abraço e do carinho dos familiares.

O cantor diz ainda que esse período está sendo também uma época de reflexão, um tempo para que ele possa evoluir e se tornar um ser humano melhor. Ele acredita também que as pessoas sairão modificadas ao final dessa experiência.

Profissionalmente, Daniel aderiu à moda das lives durante essa fase, pois acredita que a nova forma de apresentação, mesmo que virtual, faz com que ele possa estar perto do seu público e também ajudar aos mais necessitados por meio de arrecadações e doações. Segundo o cantor, essa nova maneira de interagir com os fãs deve continuar após a pandemia, ou seja, quando tudo voltar ao normal.

Confira a seguir a entrevista que o cantor concedeu à Brazilian Wave Canada, onde ele fala sobre o “novo normal”, sobre a vontade que tem de morar no exterior com a família, sobre a experiência que teve de cantar com os meninos canadenses “The Melisizwe Brothers” no Brasil e muito mais.

1-Brazilian Wave – Como você está enfrentando esse “novo normal” que surgiu devido à pandemia ocasionada pelo coronavírus? Como essa nova realidade mudou a sua vida?

Daniel – Eu tenho ficado em casa com minha esposa e as minhas filhas, e isso tem sido muito bom. Nós fazemos atividades juntos, praticamos exercícios físicos, assistimos a filmes, escutamos música e partilhamos muitos momentos. Eu estou feliz em ter essa oportunidade. Às vezes, com a correria do dia a dia, nós acabamos não nos encontrando tanto quanto gostaríamos, mas agora estamos aproveitando bastante. No início foi mais delicado, teve uma adaptação das rotinas escolares das meninas, minhas e da Aline, o que eu acho natural, mas é muito bom ter esse tempo com elas. Eu tenho refletido muito, é necessário evoluir, ser melhor de alguma forma depois que tudo isso passar.

2- Brazilian Wave – Como está a sua rotina de trabalho durante esse período? As gravações de programas ainda estão suspensas?

Daniel – Eu tenho feito algumas lives. A tecnologia tem nos proporcionado essa forma de matar um pouco da saudade do meu público, de levar alegria e esperança para quem precisa. O legal também é que, nesse momento tão difícil, nós aproveitamos a oportunidade das transmissões ao vivo para ajudar a quem precisa com arrecadações e doações. Acredito que, se temos um dom e condições de ajudar, devemos empregar isso da melhor forma possível. Nós estamos sempre tomando todos os cuidados recomendados pelos órgãos de saúde. Eu fiz pouquíssimas gravações presenciais, foram entrevistas pontuais aproveitando o tempo e o deslocamento. Tenho evitado muito as movimentações e, as que fiz, foram somente para compromissos muito específicos e importantes.

Daniel – Foto: Vandinho Tellis

3-Brazilian Wave A sua família é muito unida, tanto você, como a sua esposa e filhas estão sempre com os seus pais. Vocês estiveram distanciados durante todo esse período? Como está sendo essa fase para todos?

Daniel – Graças a Deus nós somos muito unidos. A Aline, eu e as meninas tivemos, e ainda temos, muito cuidado com os meus pais e com os meus sogros. Em função das recomendações, nós estamos mantendo a distância deles por amor e para garantir a saúde de todos. Um dos meus irmãos inspira cuidados mais especiais e isso também nos deixa ainda mais cautelosos. Nós moramos perto e eu vejo, sempre que possível, eles de longe. A saudade do abraço e do carinho são muito difíceis de lidar. Eu acredito que esse seja um dos grandes desafios propostos: o distanciamento de quem amamos, a falta da proximidade física mesmo. Mas, é fundamental pensar que isso é para um bem maior e que devemos fazer a nossa parte, torcendo para que seja possível voltar a encontrá-los bem de pertinho em breve.

4-Brazilian Wave -Você acha que esse tempo de reclusão está servindo para trazer reflexão às pessoas e fazer com que elas repensem conceitos e atitudes, e se tornem pessoas melhores?

Daniel – Eu acredito que esse tempo está trazendo muitas reflexões profundas, sem dúvidas, pois não consigo pensar que as pessoas não irão sofrer modificações. Eu quero acreditar que todos irão aproveitar desse momento e de tudo o que estão passando para evoluir e serem pessoas melhores no futuro. Nós devemos aproveitar esse tempo para refletirmos e para sermos as nossas melhores versões. Eu não me lembro de ter passado por nada semelhante ao longo da minha vida e as minhas filhas, que são muito jovens ainda, estão vivendo isso agora. O mundo todo está sentindo isso junto. Então, eu só posso acreditar na mudança, na retomada de alguns sentimentos e valores que podem ter ficado pelo caminho, como mais tolerância, mais empatia e mais humanidade.

5-Brazilian Wave – Você está fazendo algumas lives durante esse período em que estamos isolados. O que você achou dessa experiência? Você acha que esse tipo de comunicação com o público veio para ficar?

Daniel – Eu acho que a tecnologia tem nos propiciado muitas coisas boas, pois nós conseguimos ficar um pouco mais perto, mesmo que virtualmente, de quem está longe fisicamente. E isso é maravilhoso! As lives são uma alternativa muito boa, pois eu posso levar alegria e esperança ao público por meio da música. Portanto, eu me sinto realmente um instrumento nesse sentido, tenho esse privilégio. É difícil prever como será, mas eu acredito que deva seguir, pois é troca com o público e esse elo deve ser sempre fortalecido.

6-Brazilian Wave -Você teve uma excelente participação no programa “The Voice Brasil”, na qual o público gostou muito de te ver como jurado durante as três primeiras edições. Você gostaria de apresentar um outro programa com um formato parecido, ou mesmo um programa de outro estilo? Já surgiram convites?

Daniel – Eu amei participar do projeto, pois ele acrescentou muito na minha vida, me trouxe uma bagagem muito especial e uma experiência incrível. Foi a partir dele que eu tive a ideia de realizar o projeto de 30 anos de carreira, que é o DVD 30 anos. É um formato musical que conta a história da minha vida como um todo. No futuro eu pretendo fazer algo nesse sentido. Eu tenho recebido alguns convites para apresentar programa, mas nada está concreto ainda. Não está descartada essa possibilidade para, quem sabe, eu fazer um programa transmitido da minha própria cidade. Com todas essas incertezas que estamos vivendo, nós não podemos prever o amanhã, mas tudo pode acontecer. Com as lives acontecendo, a questão virtual fica mais presente ainda na vida de todo mundo. Então, por que não, né? Já que eu gosto tanto e me fascino tanto também por esse universo. Na minha cidade tem o Cine São José, que eu reformulei, e é um local que eu sempre tive muita vontade de realizar festivais de música novamente. É algo que acontecia muito no passado, inclusive eu comecei nos festivais. Quem sabe não surge a oportunidade de ter um festival de forma virtual, mas que se transforme em um programa?

7-Brazilian Wave – Você é casado há dez anos com a bailarina Aline de Pádua, com quem tem duas filhas, a Lara e a Luiza. As suas filhas vêm mostrando ter muito talento para a música. Você acredita que elas devem seguir a carreira musical? Você gostaria que elas tivessem a sua profissão?

Daniel – Eu acredito que todo desejo de pai e de mãe é que os filhos sejam felizes e o meu não é diferente. Eu quero a realização delas na profissão que escolherem, na vida. Mas, elas demonstram, sim, muita aptidão artística. São expressivas, gostam de muitas coisas, me apresentam muitas novidades musicais, cantam comigo em algumas oportunidades. Se elas quiserem ir pelo segmento da música, eu vou apoiar e dar o suporte sempre que elas pedirem e precisarem. Independentemente de serem cantoras ou não, eu desejo que a música faça parte da vida delas, porque a música é mágica, é curadora, é transformadora, faz bem à alma e ao coração.

Aline de Pádua, Lara, Daniel e Luiza – Foto: Produção Daniel

8- Brazilian Wave – Quais são as suas impressões sobre o Canadá? Você já visitou o país norte-americano? Quais os artistas canadenses que você conhece e admira?

Daniel – Infelizmente eu não tive ainda a oportunidade de conhecer o Canadá, mas adoraria. Eu tenho ótimas impressões do país, pois tenho amigos que vivem aí. Eu tenho uma amiga próxima que trabalha em Toronto e com frequência está aqui no Brasil. Eu também tive a honra de conhecer três meninos canadenses fantásticos, os The Melisizwe Brothers, quando estive em Orlando, e eles se tornaram pessoas próximas para mim. Eu me comunico com eles sempre que possível. Eu tenho ainda outras influências como Michael Bublé e Shania Twain. Já a Celine Dion, que é uma verdadeira professora, é um espelho para mim pela história, pela qualidade musical e por ter uma ligação muito forte comigo por meio de uma canção que eu regravei com o saudoso João Paulo, a “To Love You More”, que é a versão de “Te Amo Cada Vez Mais”. Essa canção me marcou muito e foi o último projeto que eu e João Paulo trabalhamos juntos antes do falecimento do meu querido e saudoso amigo.

9Brazilian Wave- Você já pensou em morar no exterior com a sua família? Se sim, em qual país? Você moraria no Canadá?

Daniel – Nós planejamos, sim, passar um tempo fora até pelas meninas, para que seja possível aperfeiçoarem o inglês, pois pensamos que esse é o momento exato da vida delas para isso. Porém, não há nada concreto ainda, mas pensamos em viver nos Estados Unidos, por exemplo. Nós moraríamos no Canadá também, sem dúvidas. Outros países que temos ligações fortes em função de parentescos é a Espanha, pela da família da Aline, pois a mãe é espanhola, nasceu em Madri, então nós adoramos! Já a minha avó materna veio de Portugal, da Praia de Mira, e lá também seria uma ótima opção. Toda e qualquer transição é difícil na vida da gente, é um grande aprendizado, inclusive essa que estamos vivendo.

10-Brazilian Wave – Há dois anos você lançou uma versão da música “Heal the World” – que é uma composição de Michael Jackson – com os irmãos canadenses The Melisizwe Brothers – Zacary, Marc e Seth. Você conheceu os meninos em Orlando, durante uma das edições do Florida Cup e, depois disso, ambos nunca mais perderam o contato. Como foi essa experiência de cantar com os meninos canadenses no Brasil, durante o Festival da Padroeira? Vocês ficaram amigos?

Daniel – Eles já estiveram no Brasil a convite nosso para gravarmos essa canção, Heal the World, em estúdio, em São Paulo. No dia seguinte cantamos juntos em Aparecida, em uma gravação que se transformou em um DVD, que está disponível nas plataformas digitais e foi uma homenagem a Nossa Senhora Aparecida. Eles se tornaram meus amigos e nós nos falamos por WhatsApp. Recentemente, eu fiquei acompanhando e torcendo por eles em um reality que eles participaram. Eles fazem parte da minha história e nós queremos fazer algumas apresentações no Brasil. Quem sabe isso aconteça em breve? Eles são fantásticos, maravilhosos, uma família incrível!

11- Brazilian Wave – Como está sendo a repercussão da sua nova música “Você não vai me encontrar”? Em quais aspectos está sendo diferente lançar canções durante a pandemia?

Daniel – A repercussão está maravilhosa! A música “Você Não Vai Me Encontrar” foi gravada no Estúdio East West Recording, em Los Angeles. É uma composição de Claudia Brant e Luis Fonsi, com versão de Ronaldo Bastos e Leonel Pereda. Ela ganhou as plataformas de streaming e rádios a partir de março desse ano. Agora, recentemente, lançamos o clipe, que teve direção da Fernanda Bellucci e o cenário magnífico é na vinícola Villa Due SS, na cidade de Casole d’Elsa, na província de Siena, na Toscana, Itália. Na verdade, esse clipe dá sequência a uma série de novidades que eu venho lançando. Eu tenho outras três novas canções: Casava De Novo, Além da Vida e Tudo na Vida Passa. Além disso, os três volumes do projeto Meu Reino Encantado, feito com muito carinho e lançado nos anos 2000, 2003 e 2005, ganharam também as plataformas digitais. Além disso, eu sigo gravando em parcerias e projetos que são verdadeiros presentes na minha vida, como a turnê que farei com o Roupa Nova, em 2021, e que foi confirmada na cidade São Paulo. nos dias 9 e 10 de abril, no Espaço das Américas; também em Pinhais, no Paraná, no dia 24 de abril, na Expotrade; e na cidade do Rio de Janeiro, no dia 23 de outubro, na Jeunesse Arena.

12- Brazilian Wave – Quais são os seus projetos para o segundo semestre de 2020 e para o próximo ano?

Daniel – Um projeto que está em andamento e tivemos que dar uma pausa, em função de toda essa questão que vivemos, é a gravação de um DVD que eu farei com participações especiais de vários artistas e amigos, com o repertório de João Paulo & Daniel. É um desejo que eu carrego há anos comigo e que vou conseguir realizar em breve. Ele está sendo preparado com muito carinho e cuidado para homenagem o meu querido e saudoso amigo João Paulo.


Daniel – Foto: Vandinho Tellis