E tudo acaba… no Instagram

Uma crônica para quem aprecia e desfruta de uma escrita rica em emoções, que nos fazem sentir, e de provocações, que nos fazem pensar. A cada semana uma nova publicação de Nilson Lattari, aqui na Brazilian Wave Online. Boa leitura!

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Crônica de Nilton Lattari: E tudo acaba… no Instagram. (Foto Solen Feyissa em Unsplash)

Poderíamos dizer que neste país, e com certeza em muitos outros, tudo acaba em pizza, guacamole, big mac, ou outro quitute qualquer que lembre uma reunião entre amigos que, comendo, como dizia Gilberto Freire, assim como os brasileiros, resolvem seus problemas em volta de uma mesa.

Mas, nosso país inventou outra forma de distrair as falcatruas. É quando os envolvidos ou envolvidas em situações extremas são desnudadas. E temos muitos exemplos, desde a roupa tirada da “Fogueteira”, do episódio no Maracanã, em um célebre Brasil e Chile, quando uma torcedora lançou um foguete na direção do gramado, e o goleiro chileno, que não foi atingido, alegou ter-se ferido e, bem, tentou acabar o jogo, etc.. E não se sabe por oportunismo da revista, ou da curiosidade do brasileiro, todos quiseram conhecer a intimidade da personagem, e por que não, as íntimas. E claro para alguns homens os descuidos são oportunos.

E, algumas vezes, são as próprias personagens que se despem ou se exibem em selfies, e os nudes surrupiados, falsamente vazados ou não, são colocados na nuvem da web, saídas do banco da faculdade de um vestido cor-de-rosa ou mesmo maridos e namorados que exibem suas divas para o Instagram.

Para conhecer é preciso comer, como era gostoso o francês, como a maçã, esse antropofagismo tão presente na nossa cultura. De comer o outro, seja a cultura ou o corpo para se conhecer melhor, comer com os olhos.

A exposição dos corpos nus dos personagens do cotidiano televisivo, ou não, é a forma desse antropofagismo acontecer, quando até mesmo um simples “cofrinho” é motivo de fotos. Desse matar a curiosidade, a intimidade dos meliantes envolvidos em delitos, desde os profissionais do tráfico aos profissionais da corrupção do Estado e as celebridades de quinze minutos.

Incendeia-se o imaginário reproduzido na mídia, que vai desde a exposição da famosa em um trivial caminhar na praia, ou mesmo um jogo descontraído com os amigos, aos caminhos da burocracia e do crime e entra nos lares prosaicos.

Conhecer passa a ser o desnudar, o retirar tudo que deslinda os corpos, suas formas, suas curvas. É uma espécie de ambição em entrar no íntimo para ter intimidade.

E cabe aos paparazzi, aos chamarizes dos Instagrans, aos próprios e seus familiares entregarem os corpos à curiosidade alheia, na busca insana por likes.

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