Entrevista com Silvia Pfeifer

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A atriz brasileira Silvia Pfeifer fez trabalhos importantes em minisséries e novelas no Brasil (TV Globo e Record) e em Portugal (TVI).

O início da trajetória profissional de Silvia aconteceu no mundo da moda aos 19 anos, quando a gaúcha de Porto Alegre começou a desfilar para estilistas renomados das marcas Giorgio Armani, Christian Dior e Chanel.

Além disso, ela emplacou muitas capas de revistas em diversos países, se tornou bastante conhecida no universo fashion e conquistou importantes prêmios internacionais voltados à moda.

Depois disso, Silvia deu uma guinada na carreira e partiu para novos projetos, desta vez voltados à teledramaturgia. Em 1990, a atriz protagonizou a minissérie “Boca do Lixo”, na Rede Globo. Depois, vieram várias novelas, como: “Meu Bem, Meu Mal”, “Perigosas Peruas”, “Tropicaliente”, “O Rei Do Gado”, “Torre de Babel”, “Uga Uga”, “O Clone” e por aí vai…

Em 2019, a atriz foi para a Record TV, onde teve uma atuação de sucesso na novela “Topíssima”, que inclusive foi transmitida pela Record TV Americas, no Canadá.

No cinema e no teatro ela também se destacou em várias interpretações que ajudaram a lhe consagrar como uma das grandes atrizes brasileiras. Uma delas foi ao viver a soprano americana Maria Callas, em 2014, sob a direção da saudosa Marília Pêra.
Fora do brasil, Silvia também fez trabalhos importantes, e o de maior projeção foi o folhetim “Ouro Verde”, da emissora portuguesa TVI. A obra foi a ganhadora do International Emmy Award como a melhor novela estrangeira.

Na vida pessoal, ela está casada há 37 anos com o empresário Nelson Chamma Filho e ambos têm dois filhos, Emanuella e Nicholas.

Este ano, devido à pandemia, a atriz teve que se reinventar enquanto aguarda a retomada dos projetos. Ela montou, então, o Atelier Pfeifer e passou a produzir doces artesanais, como: chocolate funcional, brownie e muito mais.

Entrevista que Silvia concedeu a Wave-On-The-Go. Podcast da Brazilian Wave

Ouça o podcast

Aos poucos Sílvia foi se soltando neste bata-papo agradável com a equipe da Wave para o podcast Wave-On-The-Go. De uma forma direta e calma, ela nos contou sobre seus caminhos no mundo da moda, da fotografia, do cinema e, claro, da teledramaturgia. Nos falou de seu sucesso no Brasil e também em Portugal.Bonita, elegante e estilosa, foi direto ao ponto ao falar de sua boa saúde e boa forma.

Wave – Você começou a carreira como modelo e depois enveredou para as artes cênicas. Como foi essa trajetória?
Silvia Pfeifer – Eu comecei a minha carreira em 1979, aqui no Brasil. Em 1981, foi a primeira vez que eu fui para a Europa. Trabalhei muito em Paris e em Milão. Fiz muitos desfiles e fotos. Cheguei a ir até Nova York, trabalhei, fiz umas fotos lá… Era uma época em que os desfiles iam começar.
Apareceu uma oportunidade de fazer outro trabalho aqui no Brasil e eu voltei. Eu achei interessante porque era uma coisa realmente ligada à carreira de atriz. Eu fui preparada para um filme de longa metragem, mas que acabei não fazendo. Fui preparada por uma diretora de teatro, a Bia Lessa, maravilhosa. A Bia foi muito generosa! Eu acabei não fazendo o filme (…) e eu perguntei a ela o que eu poderia fazer com essa experiência frustrada, vamos dizer assim, de não fazer o trabalho para o qual eu me preparei. E ela me apresentou, me levou até a Rede Globo, porque achou que eu já estava com uma boa preparação para encarar uma novela. Um tempo depois, o Roberto Talma me chamou para eu fazer o meu primeiro trabalho lá.

Wave – Vamos sair do Brasil e vamos até Portugal. Lá você participou de alguns trabalhos, inclusive da novela Ouro Verde que ganhou o Emmy Internacional como a melhor novela de 2017. Como foi essa experiência?
Silvia Pfeifer – Ah, o convite de Ouro Verde foi maravilhoso, né? Eu morei lá em Portugal em 2004 e 2005 em uma época em que o mercado português não estava querendo colocar tantos brasileiros na teledramaturgia portuguesa. E eu tive a oportunidade desse convite em 2016. E a novela estreou no final de 2016 mesmo. E é uma historia linda! Uma historia realmente que eu fiquei apaixonada. Eles me mandaram os 20 primeiros capítulos e eu li 19 sem me levantar da cadeira! Eu fiquei apaixonada pela historia. Eu disse “sim” em um piscar de olhos. Foi um momento muito rico para mim de morar em outro país (embora eu já tivesse morado em Portugal, em 2004 e 2005), mas morei sozinha, sem família, focada no trabalho… E trabalhei muito! Nós gravávamos muito, eram muitas horas por dia. Eu principalmente, porque eu era uma personagem que atravessava vários cenários e que tinha uma vida profissional ativa e uma vida familiar ativa também, então, eu tinha muitas cenas. Essa experiência de você sair de onde você esta acostumado, ir para outro país, com outros costumes, outra escola de dramaturgia, de atuação, atores que estão acostumados a ouvir e a curtir também a nossa escola, a nossa história de teledramaturgia brasileira. E você interagir com eles, contracenar com eles, ouvi-los… ouvir uma outra língua, por mais que falem o português, não é o nosso brasileiro.

Eu ainda tive o desafio de falar, não com sotaque, mas de falar o português de lá, usando o “tu” e o “você”, quando tem que usar (que são coisas completamente diferentes, né. Não é a mesma coisa do que a gente usa aqui.). O “tu” é para quando você tem intimidade, o “você” é para quando você não tem intimidade ou não conhece a pessoa. Foram inúmeros detalhes onde eu tive que crescer, eu tive que me exercitar. Aprendi muito com eles, é uma escola muito influenciada pelo francês, pelo inglês. Atores maravilhosos. Nossa, foi muito bom! Muito bom! Muito enriquecedor para mim como pessoa, como profissional. Nossa, faria isso novamente de olhos fechados. Uma historia linda! A direção foi maravilhosa, tanto que a gente ganhou o Emmy de melhor novela estrangeira. Foi muito bom!

Wave – Você acha que o mercado estrangeiro está mais atrativo para os atores que o mercado brasileiro?
Silvia Pfeifer – O mercado internacional está aí, está se abrindo. Veja bem, as séries que eu falei agora há pouco, estão aí e, quanto mais séries são feitas, mais você vê coproduções. São vários atores de vários lugares, sendo chamados (não só daquele lugar onde está sendo filmado). Existe uma interação de atores de outros países, convidados, participações especiais. Então, é esse o caminho! É a troca.
A gente só cresce com essas experiências. A finalização do trabalho, da história, só cresce com atores de outras nacionalidades, de outras escolas, de outras maneiras de interpretar, não é? Então é isso. Agora, até que Portugal, por exemplo, não está buscando tanto os atores brasileiros, nesse momento. Eles estão focados nos atores deles. Acho que são ondas que ora aumenta aqui, ora ali, tem atores que conseguem trabalhar na Itália, nos Estados Unidos… o Rodrigo Santoro fazendo uma carreira maravilhosa fora daqui. É a globalização e eu acho que todo mundo só sai ganhando com isso.

Wave – Agora da água para o vinho, o que você faz para manter a juventude e a boa forma?
Silvia Pfeifer – Obrigada pela juventude e pela boa forma. Eu não faço muita coisa. Mas eu acho que, como eu comecei de certa forma cedo, sou uma pessoa que sempre praticou esporte. Embora tenha tido um tempo da minha vida, que eu fiquei sem fazer exercício físico. Mas logo depois eu voltei a fazer exercício físico. E sempre cuidei muito da minha alimentação. Muito! Sempre li muito sobre nutrição.
Tudo o que falam hoje em dia, eu faço desde os 18 – 19 anos de idade: quase não como fritura, evito todos os excessos, eu como também grãos integrais desde os meus 18 – 19 anos, bebo muita água, como muitos legumes e muita fruta. Hoje em dia, eu praticamente nem como carne vermelha. Isso talvez faça falta mais adiante porque dizem que é boa fonte de vitamina D (quando a gente ficar mais velho é que a gente precisa, mais enfim, tem outros recursos para a gente procurar isso). Muita fruta.
Eu nunca cometi grandes excessos, sempre gostei de dormir relativamente cedo, não sou notívaga, nunca fui. Não gosto, não produzo bem, e era muito problemático pra mim quando eu era modelo, trabalhar à noite. E isso acaba refletindo, logicamente, ao longo da vida. São muito anos fazendo isso, além do exercício físico. E a genética! A gente não pode desmerecer a genética. Os meus pais tiveram sempre muito boa saúde. Sempre foram muito jovens, não só no espírito, mas muito jovens fisicamente. É genética mesmo! Aparentaram (meu pai já faleceu) e aparentam ainda, ser muito mais jovens, com muito menos idade. Então, eu acho também que eu tenho que reconhecer que tem a questão genética muito forte. É claro que tudo isso que eu fiz antes, agora tem reflexo. Nada é mágica. Não se consegue de uma hora para outra tantos resultados. Quem tem a oportunidade de começar mais cedo, comece, porque os frutos virão a seguir.

Wave – Muito obrigado pela entrevista, Silvia.
Silvia Pfeifer – Beijo, foi um prazer!