Entrevista – Fabiana Bacchini, autora do livro From Surviving to Thriving

Em entrevista exclusiva à Wave, Fabiana compartilha desafios pessoais enfrentados ao longo da gravidez e após o parto prematuro.

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Fabiana Bacchini, autora do livro From Surviving to Thriving, com os filhos Thomas e Gabriel.

Após mais de 10 anos atuando como jornalista, a brasileira Fabiana Bacchini viu a sua vida mudar completamente com a gravidez de seu segundo filho. A partir de sua experiência pessoal, ao ter um bebê prematuro, Fabiana passou a dedicar o seu tempo e esforço em compartilhar os seus desafios e superações junto às famílias nas unidades de terapia intensiva neonatal. Atuando como voluntária na UTIN do Hospital Mount Sinai, em Toronto, ela resolveu lançar um livro abordando temas como infertilidade, perda e superação. Com o seu marido, Stelios, Fabiana fundou uma organização sem fins lucrativos, a Handfull Hearts.

Para Fabiana, a ideia do livro – From Surviving to Thriving – foi a de compartilhar os seus desafios pessoais com centenas de mulheres e profissionais de saúde. E ainda levar a mensagem que somos todos capazes de viver uma vida plena, apesar das dificuldades que possam surgir ao longo da gravidez e após o parto prematuro.

A criação da ONG, Handfull Hearts, veio naturalmente, após seu trabalho como voluntária no Mount Sinai, embaixatriz do Family Integrate Care e diretora de uma fundação, a Canadian Premature Babies. A Handfull Hearts tem o objetivo de educar e compartilhar boas ações, entre elas a distribuição de cestas para as famílias que passam o natal e o dia das mães em hospitais como o Mount Sinai, Sunnybrook e Mackensie Health. A organização ainda implantou um programa chamado Journal Bits, que, a cada progresso do bebê, acrescenta mais uma continha em sua pulseira.

Wave: Quando foi que a sua normal e tranquila vida sofreu uma reviravolta?
Fabiana: Eu não conseguia engravidar, todas as tentativas foram improdutivas aqui. No Brasil fiz fertilização in vitro e nasceu meu primeiro filho, Thomas, hoje com 9 anos. Há 6 anos fizemos novamente a FIV e engravidei, desta vez de gêmeos. Uma gravidez de risco por ser in vitro, por serem gêmeos e pela minha idade.  Acabei perdendo o Michael com 25 semanas, por uma má formação cardíaca. O Gabriel nasceu com 26 semanas e permaneceu na UTI do hospital por 146 dias. Precisava de várias terapias e especialistas, vivemos praticamente dentro do Sick Kids durante 2 anos. Nossa vida mudou e tivemos de nos adaptar em torno do bebê, nos reinventar. Foi um processo longo, descobrimos um novo significado para nossas vidas.

Wave: Em algum momento você pensou em desistir?
Fabiana: Não. Eu queria ter meus filhos independente de qualquer coisa. Os médicos me deram todas as opções possíveis e eu escolhi não fazer nada e continuar a gravidez. Em meu trabalho de parto a pediatra me informou sobre tudo que poderia acontecer a meu filho nascendo com 26 semanas. Se ele tinha 15% de possibilidade em ter algum problema, eu sempre pensava ele tem 85% em não ter nada. Aos 20 meses o Gabriel foi diagnosticado com paralisia cerebral, ele é tetraplégico. Momento de reflexão, de superação até que o aceitamos incondicionalmente.

Wave: E qual é a reação do irmão?
Fabiana: É um desafio. Nós tentamos incluí-lo sempre em tudo. Saímos com ele sozinho e creio que esteja dando certo. A professora diz que Thomas é inclusivo, participativo e bom.

Wave: Como é seu trabalho nos hospitais como voluntária?
Fabiana: Enquanto estive na UTI Neonatal do Hospital, sem saber, eu participava de um projeto piloto para integrar as famílias aos cuidados com neo natal. Eles desenvolviam um estudo baseado na presença das mães dos prematuros mais tempo junto deles. E o resultado foi positivo diminuindo stress e com desenvolvimento das crianças.

Como voluntária no Hospital Mount Sinai na UTI,  me tornei embaixatriz do Family Integrate Care. Trabalho junto aos médicos e enfermeiras na educação e integração destes pais de prematuros, o projeto está sendo implantado em todo o Canadá e em vários países.  Sou diretora do Canadian Premature Babies Foundation,  iniciada em Edmonton por uma mãe de prematuro, a fundação tem network de pais em todo o Canadá.

Meu marido e eu fundamos uma organização não-governamental Handfull Hearts, arrecadamos fundos e criamos programas dentro dos hospitais, Mount Sinai e Sunnybrook em Toronto e do Mackenzie Health em Vaughan. São cestas para as famílias que passam o Natal dentro dos hospitais e agora expandido para o dia das mães. Journal Bits é um novo programa que implantamos no Mount Sinai, a cada progresso do bebê, é acrescentada mais uma conta em sua pulseira.  A mensagem é olhar um desafio, mudar a perspectiva e enxergar o lado bom da situação.