Esporte – Vamos Portugal. Vamos!

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No próximo dia 15 de julho, Portugal começa sua luta para conquistar a Copa do Mundo da Rússia. O primeiro adversário é logo a vizinha ibérica, Espanha, em um duelo que promete mexer com gerações. Das lutas portuguesas, que terá ainda Irã e Marrocos, respectivamente, os espanhóis devem ser os rivais mais difíceis de serem batidos na primeira fase.

Que importa! A esperança do povo lusitano se recosta em Cristiano Ronaldo. Cinco vezes eleito o melhor jogador do mundo, o filho da Ilha da Madeira carrega o sonho português de realizar sua segunda revolução no futebol, dois anos após a primeira – o título da Eurocopa da França.

Cá no Brasil, onde a língua de Camões fala a sua maneira, muitos descendentes de portugueses aguardam ansiosamente por uma boa estreia contra a Espanha. Também torcem para que não se repita o fraco desempenho na Copa do Mundo disputada no Brasil, em 2014, quando a seleção portuguesa foi eliminada na primeira fase do torneio (uma goleada de 4 x 0 sofrida para a Alemanha, empate de 2 x 2 contra os Estados Unidos e vitória sem frutos por 2 x 1 sobre Gana).

Naquela ocasião ficou evidente o desgaste físico de Cristiano Ronaldo, que levou o Real Madri ao título de campeão da Liga dos Campeões da UEFA. Apesar de ter bons companheiros como Nani, Raul Meireles e João Moutinho no selecionado nacional, a dependência do talento do craque madridista, atormentado por lesões que prejudicaram seu futebol na competição, foi decisiva para uma despedida melancólica e precoce.
A tarefa não será mais fácil este ano, embora Cristiano dê sinais de que chega mais inteiro para o torneio. Mas que lusitano espera vida mansa neste mundo? Desconheço, admito. Meus vizinhos portugueses, pelo contrário, não escondem a confiança no camisa 7 e nem a certeza do caminho difícil até a final, marcada para o dia 15 de julho, no Estádio Lujniki, em Moscou, palco também da abertura do mundial.

O número que Cristiano Ronaldo trás na camisa é o mesmo de jogos que terá pela frente, caso chegue ao momento decisivo da Copa do Mundo. Terá que deixar todo seu magnífico futebol em cada um dos duelos e ele sabe que tem condições de liderar sua nação em mais uma copa. Resta saber se será devidamente assistido por seus companheiros em campo.
Como brasileiro, torço por meu País, mas admito querer o bem da Pátria Mãe. Quem sabe um confronto, como visto na copa de 1966, na Inglaterra – que traz boas lembranças aos portugueses, graças a Eusébio, autor de dois gols na vitória por 3 a 1 sobre o Brasil –, bem distante do modorrento o x o jogado na África do Sul, em 2010.

Que Cristiano não jogue sozinho e evite que eu precise, mais uma vez, recorrer ao lindo fado “Maldição”, de Alfredo Marceneiro e Armando Vieira Pint, eternizado na voz de Amália Rodrigues. Inspiração para uma crônica sobre a fatídica derrota para Alemanha, há quatro anos.

“Na gelada solidão / Que tu me dás coração / Não há vida nem há morte: / É lucidez, desatino, / De ler no próprio destino / Sem poder mudar-lhe a sorte”, cantava a fadista. Por bem a sorte lusitana mudou, conquistou seu primeiro título continental e vai em busca de conquistar o mundo.

Talvez por isso prefira terminar essa minha extensa fala com uma canção mais feliz ao povo de quem herdei essa dosagem de lirismo. Que os lusos toquem, à meia noite e vinte minutos do dia 15 de julho, a “Grândola, Vila Morena”, de Zeca Afonso, preparando-se para sua segunda revolução no mundo da bola. Aí sabereis que estás em festa, pá, e ficarei contente, esperando que guardem um cravo para mim.