Brasil – Campeões brasileiros master no kata por equipe

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Tripla sintonia: três caratecas cariocas torcem pela inclusão da modalidade nas Olimpíadas de Tóquio.

por Luiz Humberto Monteiro Pereira
humberto@esportedefato.com.br

Entrevista com Wendell da Silva Gonçalves, Rogério Corecha Teixeira e Ronaldo Corecha Teixeira, campeões brasileiros master de kata por equipes – Foto: Eriel Zampirolli

Nem só de lutas se faz um campeão de caratê. Os cariocas Wendell da Silva Gonçalves, de 41 anos, e os gêmeos Rogério e Ronaldo Corecha Teixeira, de 39, caratecas do Clube de Regatas Vasco da Gama, são os atuais campeões brasileiros de kata por equipes na categoria master. “Todo o conhecimento técnico do caratê está codificado nas apresentações de kata, onde os atletas não lutam entre si. Eles executam movimentos de defesa e ataque, que simulam situações reais de defesa e ataque”, explica Rogério, que é professor de caratê no Vasco. “O kata por equipes é feito com três atletas e ganha o time que executar melhor os movimentos e tiver a melhor sincronia do conjunto”, complementa Ronaldo, também professor de caratê no clube carioca. Wendell, Rogério e Ronaldo compartilham a expectativa de que o kata por equipes seja incluído nas Olimpíadas de 2020. “No momento, além dos kumitês, que são as categorias de lutas por faixa de peso, é prevista apenas a disputa do kata individual. Mas especula-se que o kata por equipes ainda possa estar nos Jogos de Tóquio”, torce Wendell, que é da Polícia Rodoviária Federal e também ensina caratê.

Cada um tem a sua escolha e que o importante é ser feliz com ela, sem fazer juízo de valor de quem opta por outro caminho.

Esporte de Fato – Como se iniciaram no caratê?
Wendell – Foi aos 12 anos, em 1989. Fui campeão brasileiro aos 16 anos na categoria kata sênior pela Shotokan Karatê-Do International Federation – SKIF, e ganhei alguns campeonatos estaduais naquela época. Quando estava perto de completar 18 anos, na faixa marrom, com data marcada para fazer o exame para a faixa preta, resolvi parar com os treinos para estudar para a carreira militar. Parei por 17 anos até que, em 2011, retomei os treinos por reconhecer que o caratê era minha maior identidade nos esportes e que poderia ser ainda melhor com mais recursos e estabilidade para isso. Percebi que, mesmo afastado tanto tempo, ainda conservava uma boa base, fruto de uma preparação forte e característica das grandes escolas de caratê da década de 90. Fiz o exame de faixa preta após oito meses do retorno e fui aprovado. Voltei a competir e vi nas competições uma ferramenta de desafio e aprimoramento das minhas técnicas. Dois anos mais tarde, em viagem ao Japão, fui graduado 2º dan, em um exame que aprovou apenas 14 dos 84 estrangeiros que participaram.
Rogerio – Começamos por indicação médica, éramos bem agitados… Meu vizinho praticava e sua mãe nos convidou para assistir uma aula, aos 8 anos de idade, com mestre Eraldo Soares. Em 1986, competi pela primeira vez no Sesc da Tijuca, no Rio de Janeiro. Obtive o segundo lugar no kata individual.
Ronaldo – E eu fiquei em terceiro lugar naquela competição!

Esporte de Fato – Como vêem a inclusão do caratê nos Jogos Tóquio 2020?
Wendell – É de suma importância para viabilizar o incentivo aos atletas de alto rendimento, principalmente aqui no Brasil. Mas acredito que o caratê pode ser apresentar das mais variadas formas: como esporte, como defesa pessoal, como inclusão social ou como modo de vida. Cada um tem a sua escolha e que o importante é ser feliz com ela, sem fazer juízo de valor de quem opta por outro caminho.
Ronaldo – Será um marco no nosso esporte, já que estamos esperando essa oportunidade há tempos!
Rogério – Caberá aos dirigentes e governantes trabalharem em prol do esporte e não deixarem perder o poder olímpico! Precisamos de mais incentivos com projetos sociais e apoio aos atletas, pois o caratê não é só um esporte e sim uma forma de educar uma nação!

Esporte de Fato – Se o kata por equipes for incluído nas Olimpíadas em Tóquio, já pensaram em participar do evento?
Wendell – Infelizmente, pela idade e pelas condições de atleta amador, seria muito difícil. Conseguir uma vaga nas Olimpíadas requer dedicação integral aos treinos e muito patrocínio para buscar pontos no ranking em eventos internacionais.
Rogério – Sempre sonhei em estar nas Olimpíadas, estamos nessa expectativa desde os Jogos de Barcelona, em 1992. Possibilidades todos nós temos, mas a idade pesa um pouco… Eu imagino que será um grande evento, será um momento importante para o caratê e para mim.
Ronaldo – Acho difícil. Mas, se houver chance, estamos na luta para conseguir a vaga!

Esporte de Fato – Depois dos Jogos Rio 2016, muitos atletas brasileiros reclamam que os patrocínios desapareceram. Vocês têm patrocínios ou bolsas?
Wendell – Infelizmente não! Mas temos incentivadores como academias e lojas de suplementação alimentar, que nos ajudam na preparação física sem custos e com suplementos a baixíssimo custo.
Rogério e Ronaldo – Hoje temos o apoio da Academia Zanco.

Esporte de Fato – Muitos atletas de lutas têm problemas com controle de peso, para se manterem nas categorias. Você já tiveram esse tipo de problema?
Wendell – Sim, certamente! Lutamos o tempo todo para nos manter no peso adequado, sempre buscando a reeducação alimentar ao invés das dietas. Mas é praticamente impossível não recorrer a elas. Mesmo disputando a categoria kata, que são formas pré-determinadas de uma sequência de ataques e defesas e sem divisões de peso, estar dentro do peso ideal favorece um bom desempenho.
Rogério – Nunca tive problema com pesagem, sempre me mantive no peso!
Ronaldo – Também nunca tive problemas com peso!

Esporte de Fato – Quais são as próximas competições importantes?
Wendell, Rogério e Ronaldo – Disputaremos as etapas do campeonato estadual e do campeonato brasileiro da CBK na categoria sênior, na modalidade kata em equipe.

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