Generosidade

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Crônica de Nilson Lattari: Generosidade. (Foto Tim MossholderUnsplash)

Existem algumas palavras que carregam um sentimento de grandiosidade. Uma delas, a que mais aprecio, é generosidade. Ser generoso carrega uma mistura mística, uma religiosidade e também um grau muito amplo de humanidade. O que mais determinaria as relações humanas, a fraternidade entre as pessoas e povos do que ser generoso?

Existe, no entanto, uma diferença entre ser generoso e ser bondoso. Ser bom tem a ver com a doação, não fazer o mal, não distribuir malefícios. Mas, ser generoso se eleva a um grau mais além do que ser bom, mais além do que a doação. Generosidade tem a ver com a empatia.

Podemos ser generosos em muitos pontos. Ao exagerar na doação, no sentido de repartir aquilo que conseguimos, quando percebemos que temos além do bastante para nós. Ser generoso, portanto, é a consciência de um limite interno, que faz com que nós abramos mão de posses, não para igualar comportamentos, mas para abrir mão daquilo que é excedente.

Como disse, anteriormente, generosidade tem a ver com empatia, com o entendimento que o outro tem um limite, e podemos confortá-lo de várias maneiras. Não precisamos tentar ser o outro, porque isso é impossível, mas proporcionar algum tipo de conforto que alcance o outro, sem colocá-lo em sentido de humilhação. Generosidade tem a ver com a busca do equilíbrio.

Por outro lado, quando tentamos explicar nosso ponto de vista devemos buscar a linguagem apropriada, abrindo mão de soberbas em relação à escrita, para que a informação fique em um ponto, suficientemente, plausível e acessível ao outro.

Ter uma escrita, extremamente, complexa, às vezes proposital, não se configura generosidade. Devemos ter a generosidade ao esclarecer, explicar. Muitas vezes, não somos, suficientemente, generosos conosco, para compreender que precisamos procurar mais conhecimento.

Generoso é aquele que atende a todos, indistintamente. Ao bom, no entanto, está uma certa expressão de compreensão, como um ouvinte bem-comportado, mas que conserva uma certa distância para com o interlocutor.

Ser generoso é uma dificuldade e ser bom uma atitude que pode estar disfarçada por um rosto expressivo, que pode guardar um outro sentimento, internamente.

A generosidade é um ato de desprendimento, de total liberdade para estender as mãos ao outro. A generosidade não se comporta como a ajuda, a generosidade não é uma troca entre ser bom ou mau. A generosidade tem uma certa espontaneidade. Ser bom parece ter uma atitude premeditada: ser bom para conseguir alguma coisa. Ser generoso tem um antônimo repulsivo – o egoísta – que faz dele, o generoso, um ser muito além da bondade.

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