A casa

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Crônica (Celina Penteado): A casa

Ficava numa rua de paralelepípedos cercada de verde por todos os lados, onde no verão as cigarras anunciavam o fim de tarde. Na memória não ficou registrada sua cor, mas o cheiro da chuva em dias quentes, era como se a felicidade descesse do céu.

Poderia ser a morada de muitas almas, mas foi ali que cresci em meio a pessoas que me eram indispensáveis.

As refeições eram sempre precedidas por cheiros familiares que me faziam adivinhar os sabores. A mesa sempre bem posta acrescentava um requinte ao que viria a seguir. Eram pratos simples, mas imensamente saborosos. Depois de tantos anos, ainda sinto prazer quando lembro desses momentos ao lado de meus pais e irmãos, e da minha cadelinha vira lata, que se escondia embaixo da minha cadeira. Companheira certa em horas mastigáveis.

Havia outros cachorros pela casa, mas todos “externos”, pertenciam ao jardim, assim como as flores e plantas que vigiavam os movimentos da família.

Uma gentil senhora vinda do nordeste, garantia o funcionamento impecável de uma cozinha que era acesa muito cedo e só escurecia muito tarde.

A jaqueira sempre lotada, cedia de bom grado seus frutos para a sobremesa preferida de alguns: doce de jaca com um delicioso sorvete de creme.

A piscina sempre azul, refrescava e divertia. A água refletia o céu e o sol, brando na pele. As horas infinitas que eu passava ali, expandiam minhas fantasias ao limite, pra quem só tinha 14 anos.

Era uma casa confortável. Era meu porto seguro. Era um lugar cheio de esperanças.

Agora são fragmentos animados e reconfortantes, que me fazem sorrir de saudade.

Crônica A casa (Foto Celina Penteado0