Nuances entre sentimentos e vida

Acompanhe a coluna de Fernado Alves, com artigos semanais.

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O mundo, definição para o infinito ou de onde não se consegue mais enxergar. Olhos oriundos do ego são consumidos por determinados padrões sociais que estilhaçam a visão humana. O ser humano, em uma de suas criações resolveu estipular uma vida com cerca de 70 anos – com pontuais variações históricas, para simplesmente colocar um teto em sua existência, e assim estar sempre apressado, pois está envelhecendo e vive sempre no passado. Vivemos a Era do mundo perdido, há uma implantação de conceitos e virtudes que saturam e causam indefinição de personalidade.

O mundo de forma animalesca consome o corpo – devido ao capitalismo, e a alma – devido à crise de identidade. Após catastrófica introdução, resta a tentativa de enxergar além, além do mundo que precisa de mártir, além da necessidade de alguém sangrando para se obter justiça, além dos dedos que se exercitam em teclados dos mais variados tipos. Além de acordar cedo para ir pra produção – tem um sol que ainda brilha, e se tiver uma chuva, deixe que lave a alma. Além da dificuldade de acordar na segunda-feira, existe o doce orgulho de chegar e dizer: Nossa, estou cansado! E apenas descansar. Além de ter que acordar no mesmo horário para fazer as mesmas coisas, existe a beleza e o charme de uma mulher completamente sonolenta, desejando ótimo trabalho e beijando com a boca de café. Além do chefe carrancudo e do ônibus lotado, existe essa mesma companheira, que divide sonhos, dificuldades e solta o verbo contando como foi seu dia e no final de um jantar, se deitam e deleitam para o dia que virá.

É, viver consome mesmo, cada um decide a forma que será consumido; e por hoje, temo que a escolha mais frequente seja a solidão. As relações humanas são para usufruto do capital. Todos necessitam do trabalho, ter sua renda, sua profissão escolhida e não determinada por um contexto que busca apenas mão de obra. Mas isso tem que ser o meio, e não o objetivo final. Nascemos para ser. O homem que seja firme, forte, que dê segurança. Mas que também chore, também admita que as coisas estão difíceis, que pode ser ao mesmo tempo Aquiles, mas também não negue as fraquezas de seu tendão. A mulher, oriunda da força que pode gerar a vida, tem o mundo aos seus pés. Mesmo na repressão histórica e nas amarras do machismo, mostram sua força a cada suspiro. Às vezes está fraca, ainda na fraqueza irradia força, talvez oriunda da sinceridade, do livro aberto que se torna o seu olhar.

Dentro da roda gigante denominada planeta, existem homens e mulheres, existem complexidades, e isso não pode servir de muleta para ninguém deixar de SER. Ser o seu melhor e também seu pior, estar aqui pra aprender – e ninguém aprende com a felicidade. Ler sobre o amor, ver filmes, escrever, não pode tomar lugar de dar amor e fazer amor. Estar com amigos, estar com pessoas, sem barreiras, pois a vida ainda é uma obra de arte feita por nós, aqui e agora. É o encontro carnal, do belo e sublime encontro de almas que se iluminam nos dias. Procure amigos, família, procure seu amor – pois estipularam cerca de 70 anos em um universo infinito para você fazer isso. Ame a ti mesmo, tenha sua segurança, construa seus sonhos, mas também queira dividi-los. Se lhe convidarem, viva os sonhos dos seus amigos, da sua família, da sua companheira. O mundo não é mais o mesmo, buscamos o grande pulando a importante etapa de valorizar o pequeno. Ainda há esperança que nesse aglomerado de gente há quem sinta falta de vida, e a saudade é nossa alma dizendo para onde quer voltar.