O jornalismo em tempos de Covid-19

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Sendo um dos ônus da popularização da internet, o “boicote” do jornalismo profissional tem crescido agressivamente, passando por um longo período de descredibilidade. A descrença também é oriunda do debate político acalorado, de determinados órgãos da imprensa que se mostraram partidários e da polarização do país nos mais diversos temas.

Segundo a Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ), ataques contra veículos de comunicação e jornalistas no Brasil aumentaram 54% em 2019. O acirramento das campanhas eleitorais tem sido a grande aniquiladora de votos de confiança na empresa. Em 2020, o relatório da (FENAJ) incluiu a descredibilização da imprensa. Segundo a Federação Nacional dos Jornalistas, os políticos foram os principais autores de ataques, quase 70% do total, e o presidente Jair Bolsonaro foi responsável sozinho pela maioria desses ataques à imprensa, quase 60% do registrado em todo o ano de 2019.

O grande truque dos homens públicos foi usar as redes sociais como principal meio de comunicação com a nação. Afastando-se dos órgãos de Rádio e TV, ganharam voz totalmente autônoma, privilegiando-se da liberdade da internet para os mais importantes debates no âmbito público. O acesso fácil à informação via internet ocasionou a saturação dos chamados Blogs, que contam com os mais variados vieses, ideologias e propósitos. Além dos grandes jornais terem suas plataformas virtuais como sites e canal no YouTube, às pessoas podem escolher um veículo que vá mais especificamente ao seu encontro ideológico.

O Covid-19 além do pânico e das mortes, traz para o nosso tempo diversos pontos a serem discutidos. A questão da mídia, mais especificamente o jornalismo profissional é de extrema importância em tempos de pandemia. Cabe à imprensa, por meio de boletins diários levar a informação seria e imparcial dos fatos. Fato esse, que vem sendo feito de maneira exemplar pelos veículos de jornalismo brasileiro, sendo de grande valia para a sociedade.

A pandemia, em todo seu caos, clareia além da falta de planejamento nos mais diversos aspectos sociais, a importância do jornalismo profissional. Os veículos de imprensa veem noticiando a sociedade com números – passando credibilidade, com misto de linguagem popular e cientifica, sem viés ideológico e seguindo à risca as recomendações da Organização Mundial da Saúde.

A credibilidade da informação tem voltado a ganhar protagonismo, em um mundo que por mídias socias, qualquer pessoa pode ser um emissário. O próprio presidente Jair Bolsonaro em sua conta no Twitter, tem postado muitas das chamadas “Fake News”, e posteriormente deletado, depois da comprovação de notícia falsa. O mandatário também tem travado uma guerra bélica com os órgãos de imprensa desde a campanha eleitoral até o Covid – 19.

O que se pode interpretar dos tempos jornalísticos de George Orwell é que se é fake não é News. A pandemia, sendo inimigo invisível e trazendo dor, sofrimento e morte, tem também como inimiga a imprensa, que semeando as precauções da OMS, irá ajudar a salvar bilhões de vidas – assim como já fez em outros momentos conturbados da história.

O mundo pós Covid-19 não será o mesmo, a sociedade terá que se readaptar nos mais diversos meios. A quarentena já é indicio de novas ações cotidianas – ou falta delas, para que o planeta volte a seguir seu curso natural, e o jornalismo será novamente uma ferramenta importante para sacudir toda essa poeira.