Invisíveis?

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Crônica de Celina Penteado: Invisíveis

Invisíveis?

Dia desses cruzei com dois artigos em revistas diferentes, que se referiam ao mesmo assunto: depois dos sessenta, as mulheres se sentem invisíveis.

Não, decididamente, não é o meu caso!

Nunca me senti tão notada em toda minha vida adulta. Parei de pintar os cabelos e parece que colei uma etiqueta na cabeça. Olhares simpáticos, gentis, penalizados ou sem paciência viraram uma rotina divertida. Nem preciso lembrar do cartão de idoso para estacionar, é só sair do carro que ninguém duvida… No metrô é quase inútil mostrar documento, eles sorriem em deferência e eu passo sorridente.

A pandemia nos trouxe as máscaras, um alivio temporário às rugas que cercam a metade de um rosto vivido. Uma aplicação de botox nos olhos e a questão ficava resolvida.

Apesar de manter uma alimentação saudável e fazer os exercícios que nos mandam os médicos, o tempo não para de passar, e a cada dia está mais veloz. Para acompanhar, é sempre bom estar entre amigos, livros e boas garrafas de vinho.

Não somos invisíveis, somos uma geração espetacular que acompanhou de perto toda uma evolução tecnológica, que nem sempre é fácil se habituar. Tenho implicância com menus de restaurantes em QR CODE, não gosto de ligar para obter um serviço que só nos manda teclar números ou acessar apps que não cabem mais no celular e não aprecio as conversas que em sua grande maioria são em grupo, escritas, gravadas ou cheia de emojis

Sinto falta de muitas referências que já não existem, mas aprendi a reconhecer novidades, mesmo que não me atraiam.

Mas sim, sou visível, ativa e extremante atualizada, pois agora tenho tempo. Não preciso mais correr tanto. O tempo faz isso por mim!

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