🔊 Terras raras” – Entenda o que são esses elementos invisíveis que movem o futuro

Amostras de minerais contendo elementos de terras raras (Foto: Vitalii Shkurko | Dreamstime.com)

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A Wave Lê Para Você: Entenda o que são “terras raras” – Os elementos invisíveis que movem o futuro

Escondidos nas telas digitais, motores e chips, eles já fazem parte da nossa vida.

As terras raras são o assunto do momento e invisíveis ao olhar direto, fazem parte da rotina de bilhões de pessoas no mundo. Escondidas em componentes diminutos, estão presentes em telas de celulares, caixas de som de computadores, motores de carros elétricos, turbinas de energia limpa, mísseis e muito mais.

Neodímio, európio, térbio, cério e ítrio são alguns dos 17 elementos que compõem o grupo das terras raras presentes na tecnologia atual. O neodímio está nos ímãs superfortes de motores de carros elétricos e turbinas eólicas. O európio e o térbio produzem as cores brilhantes das telas de TV e celulares. O cério ajuda a reduzir a poluição em fábricas e automóveis, enquanto o ítrio, junto com o neodímio, aparece em lasers usados na medicina e em equipamentos militares.

Terras Raras: Nome Curioso e Processamento Caro

Apesar do nome, as terras raras não são nem “terras” nem “raras”. São assim chamadas pelo peso histórico das primeiras descobertas químicas feitas por cientistas suecos. Em 1787, Carl Axel Arrhenius encontrou o mineral ytterbite. Poucos anos depois, Johan Gadolin isolou o óxido de ítrio, considerado o primeiro elemento de terras raras identificado. Ao longo do século XIX, Jöns Jacob Berzelius e Carl Gustav Mosander ampliaram essas descobertas. Na linguagem científica da época, “terra” era o termo usado para designar os óxidos metálicos que apareciam misturados a outros minerais e “raras” porque, à diferença da prata e do ouro achados em filões, são encontrados na natureza, em pequenas quantidades e de forma dispersa.

O nome carrega uma curiosidade histórica, mas no contexto atual, o desafio está em lidar com o alto custo de processamento. Não basta localizar as reservas: é essencial que os países dominem o conhecimento científico e a engenharia de produção, capazes de transformar esses elementos em materiais de alta pureza e sustentar a base tecnológica da vida cotidiana.

O Petróleo do Século XXI — A Disputa Global na Alta Tecnologia

As terras raras são chamadas de “petróleo do século XXI” porque quem controla esses minerais domina uma parte fundamental da transição energética e da indústria tecnológica global. A China concentra mais de 80% do processamento mundial, exportando não apenas o minério, mas também peças e equipamentos prontos. Já os Estados Unidos, grande parte da União Europeia e o Japão não possuem reservas significativas, o que os coloca em posição de dependência. Essa realidade explica a tensão geopolítica atual: esses países precisam importar terras raras para sustentar suas indústrias de alta tecnologia.

Empresas estrangeiras já perceberam o potencial brasileiro. Em 2025, a mineradora canadense Aclara Resources inaugurou uma planta piloto no estado de Goiás. Segundo a Revista Minérios & Minerales, a unidade tem capacidade de processar 250 toneladas de argilas iônicas, produzindo concentrado de terras raras com mais de 95% de pureza, essencial para tecnologias limpas.

No início de 2026, a norte-americana USA Rare Earth anunciou a compra da mineradora brasileira Serra Verde Group, em um negócio avaliado em US$ 2,8 bilhões. A operação reforça o esforço dos Estados Unidos em reduzir sua dependência das terras raras da China e destaca a relevância estratégica do Brasil na cadeia global de suprimento desses minerais críticos.

O Brasil surge, assim, como um gigante discreto, detentor de cerca de 23% das reservas mundiais. O desafio, porém, é definir sua posição: será apenas fornecedor de matéria-prima ou protagonista na corrida tecnológica da transição energética? Também em 2026, Pablo Cesário, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), destacou que transformar o minério em óxido de terras raras de altíssima pureza exige “pelo menos 400 processos industriais”. Segundo ele, o país consegue realizar isso apenas em escala laboratorial, sem dominar ainda a tecnologia necessária para o processamento em escala industrial.

Caminhos para o Futuro

Para enfrentar a pressão da transição energética do petróleo para a energia limpa, o Brasil defende que o país não deve se limitar a exportar terras raras como commodities, ou seja, matérias-primas sem valor agregado. A meta deve ser construir uma cadeia industrial apoiada em ciência e tecnologia, transformando reservas minerais em inovação, empregos e produtos de alto valor, como ímãs permanentes, semicondutores e equipamentos de energia limpa.

Se pensamos nos caminhos futuros, o tema da alta tecnologia, abre um amplo espaço profissional para os jovens: geólogos e engenheiros de minas, responsáveis por estudar e extrair os depósitos; químicos e engenheiros de materiais, que desenvolvem técnicas de separação e novos usos; economistas e diplomatas, que negociam acordos internacionais para inovações cada vez mais avançadas. Esses e outros exemplos de atuação poderão transformar o potencial das terras raras em progresso científico, econômico e social para o Brasil e para o mundo.

As terras raras são cruciais para a fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos e equipamentos de defesa. O processamento e o refino desses minerais ainda são desafios globais para se reduzir a dependência da China.





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