
Hoje a casa da brasileira Luciana Schuetze é um motorhome Georgetown 36F5 da marca Forest River, com 3 camas de solteiro, 2 camas de casal e 1 banheiro, atualmente estacionada em um campsite em Milton, Ontário. Há cinco anos atrás, ela começava a sua jornada de Campinas a Toronto. Expatriada pela empresa, Luciana veio assumir um novo cargo na maior cidade do Canadá. O plano era o clássico: casa, trabalho e tentar a residência permanente. Deu tudo certo. Luciana se mudou de mala e cuia, em janeiro de 2021, com filha, marido e cachorros, que só chegaram em agosto. Trabalhou presencialmente na fábrica da farmacêutica que a emprega, até diminuir o ritmo presencial, assumir mais o remoto e passar a viver numa casa sobre rodas, o motorhome que batizou de “Urso.”
Luciana é minha mãe. Eu quis compartilhar a história dela porque ao acompanhar de perto essa trajetória, consigo ver quantas oportunidades o Canadá possibilita para quem tem esse espírito aventureiro e adora estar conectado com a natureza, assim como a minha mãe.
Conexões com a natureza. Uma história de vida
Essa vontade da Luciana em conhecer o mundo por meio da natureza, não é de hoje. Desde criancinha, seu pai, meu avô Ubirajara, levava ela e a família para acampar, seja na praia, no mato ou na montanha. “Eu amava, desde muito pequena mesmo, bebê. Com 2, 3, 4 anos… a gente ia acampar e aí passei a infância e adolescência acampando pelo menos uma vez por ano”, conta Luciana. E sempre foram aventuras remotas. Lembro dela me contando histórias deles isolados por dias em praias do litoral de São Paulo, ou em trilhas desafiadoras que faziam para chegar ao local desejado. Isso a influenciou na sua escolha de assumir a vida nômade aqui no Canadá. Ela me disse que sempre preferiu acampar em lugares desertos e é por isso que gosta da ideia do motorhome.
Os lindos e enormes parques provinciais, lagos e montanhas do Canadá não foram o motivo da Luciana mudar para cá, mas quando soube que o país seria sua nova casa, a possibilidade de conhecer esses lugares a animaram muito. “Eu sabia das paisagens maravilhosas e da natureza do Canadá. Aqui, ainda mais que no Brasil, tem muito mais lugares inabitados. E é isso que eu gosto de descobrir.”
Em agosto, quando o tempo já estava mais quente, o seu melhor parceiro de aventura finalmente chegou do Brasil. “Assim que o Edu chegou, acho que no primeiro ou segundo final de semana, a gente já foi acampar.”

Em busca de aventura
O marido da Luciana, o Eduardo, também é um grande aventureiro (eles se conheceram acampando). Há quase 20 anos, quando meu irmão tinha uns 5 ou 6 anos, minha mãe o levou para subir o Pico dos Marins em São Paulo – uma das montanhas mais altas do estado – com um grupo de amigos. Foi lá que conheceu o Edu pela primeira vez. Ao longo dos anos, eles se esbarraram em corridas de aventura e outros acampamentos. Mas foi em 2019, em um outro momento na natureza, que eles se reencontraram e iniciaram a atual parceria. “A gente estava dando uma volta, remando por Ilhabela (em São Paulo), em uma ilha de 150 quilômetros de diâmetro. A gente levou quatro dias,” ela me contou.
No Canadá, depois de alguns anos em Toronto e aguentando o período de lockdown e invernos severos, Luciana e Edu finalmente decidiram ir atrás de um motorhome e iniciar sua jornada de vida sobre rodas. “Eu sempre pensei em ter essa maior mobilidade, né? E eu queria mesmo, um dia, passar uma temporadada ou morar em um motorhome”.
Essa vontade do casal se associou ao fato de eu estar me formando na faculdade e saindo de casa. Também, de os dois estarem com mais flexibilidade no trabalho para assumirem a vida remota. E foi em abril de 2024, depois de algumas semanas de pesquisa e visitas a diferentes lojas de motorhome, que eles compraram o tal do Urso, que ficou o tempo todo estacionado em frente à nossa casa, enquanto fazíamos a mudança.

“O primeiro dia da viajem foi a primeira vez mesmo que a gente dormiu [no Urso]. A gente pegou o motorhome e fomos pra Niágara, que era o dia do eclipse total. Foi a noite mais especial do mundo. Foi muito lindo, eu já até arrepiei de novo, só de contar”, contou Luciana.
Conhecendo o Urso
O plano da Luciana e do Eduardo era comprar um motorhome menor, mas quando começaram a procurar, perceberam que para acomodar tudo que queriam, o ônibus tinha que ser maior. “A gente tem três cachorros grandes também. E como a gente faz muita aventura, tinha que ter espaço para duas bicicletas, um caiaque, uma canoa, snowboard, ski, snow shoes…”, explicou Luciana.
E o Urso é grande. É como um ônibus mesmo, e tem slides, o que significa que partes da sala e do quarto arrastam para fora do veículo, quando estacionado.“Com ele aberto a área interna é de 30 metros quadrados, então é maior, por exemplo, que apartamentos pequenos. E tem toda a comodidade de uma casa: tem televisão grande, geladeira, fogão e micro-ondas. A minha cama é Queen. O Urso 36 pés de comprimento. e dá para receber visita.”

O que você precisa saber
Para dirigir um motorhome como o Urso, que tem dois eixos, dá para usar a carteira de motorista normal daqui do Canadá, a Full G. Pode ser desafiador dirigir, disse a Luciana, mas nada que a prática não resolva.
Um dos desafios que ela encontrou foi achar lugares para estacionar sua casa perto da cidade, quando ainda estava trabalhando semi-presencialmente em North York. “Mas a minha expectativa no futuro, agora que eu tenho um trabalho 100% remoto, é poder ficar em lugares mais afastados.” Então, o primeiro desafio do casal foi achar um lugar para ficar perto da cidade. O segundo vai ser achar lugares remotos e de graça em Ontário.”
Estacionar nas Terras da Coroa pode ser uma solução, já que é de graça. A Luciana pesquisa tudo na internet, e os sites dos parques das províncias e federais são ótimos para encontrar informações e fazer reservas. “É fácil de procurar, fácil de reservar. E são os lugares mais bonitos mesmo.”
Outro desafio foi essa temporada de inverno. O Urso é totalmente preparado para o frio, com isolante térmico e aquecimento. Mas algumas infraestruturas adicionais também são essenciais, principalmente para aventureiros iniciantes. A água tem que estar subterrânea para não congelar. Então o sistema de água limpa e de esgoto tem que estar enterrado a mais de dois metros. “A gente não precisa sair, até porque tem muita neve nesta região,” disse a Luciana. “No inverno foi um desafio ficar com o Urso estacionado. Eu gosto de me mexer. Eu quis morar no motorhome para sair andando, mas o inverno já tá acabando.”

Com a primavera e o verão se aproximando, Luciana e Eduardo estão ansiosos para saírem por aí com o Urso, e a ideia é mesmo se aventurar. “Quando a gente tiver mais mobilidade ainda, o Edu está se organizando no trabalho, eu quero ir até o Alasca. Depois, o plano é tentar descer até o Brasil. Sei que isso parece um sonho muito distante… mas a ideia é essa.”, diz Luciana.
Para quem também quer ter esse lifestyle, Luciana sugere começar já. Tem que experimentar antes. Porque a vida no motorhome é mais ou menos um acampamento. Você vai ter que levar sua roupa para lavar fora, e tem que sempre drenar e higienizar a caixa sanitária do banheiro… ” É uma vida diferente do que morar numa casa. Então, experimente acampar primeiro, experimente alugar primeiro. E depois pesquise muito, se ligue nas redes sociais para ver dicas e converse com quem já mora ou já usou um motohome.”

Mesmo com os desafios e os estresses da vida sobre rodas, Luciana não trocaria o Urso por nada. Se quiser acompanhar mais aventuras da Luciana e seu parceiro, Edu, visite a conta deles no Instagram, @luedu.adventure.



































